VERTIGEM

A embriaguez da luz

Se fotografia é “escrever com a luz”, no sentido mais etimológico da palavra, então não é difícil entender que durante o processo de aprendizagem dos primeiros traços, a coisa mais recorrente que se vê são garranchos. De início eles são fofinhos e perdoáveis, mas com o tempo (e o crescimento), tornam-se intoleráveis e desprezíveis. É aí que começa a dor de cabeça.

Ao longo desses meus poucos anos de caminhada no estudo da 8ª arte, fui inundado por um turbilhão de informações, técnicas, paradigmas, tabus e enquadramentos. Toda uma enxurrada de deveres, obrigações, protocolos, linhas de pensamentos que me fizeram sempre questionar o meu nível dentro dessa arte tão expressiva.

E como tudo no mundo é cíclico, o que hoje é, amanhã pode não ser e, posteriormente, voltar com tudo. Puxando a sardinha para o assunto em pauta, percebi o meu TOC em buscar qualificação no meu fazer fotográfico. A gente fala que faz as coisas pra si e tal, que gosta de aprender mais e mais, só que no fundo eu queria mesmo era aquela amaciada no ego.

“Poxa, como fazer aquelas fotos incríveis like a @fulaninhodetal, com todas aquelas cores, aqueles visuais etc? Será que assim, vou conseguir aqueles seguidores? Vou ser notado no meio desses tantos prodígios que brotam do nada todos dias, como verdadeiros fenômenos?”.

Sim, eu também passei pelo processo de ir me embebedar nos canais de fotografia. Ver todos aqueles vídeos de “1001 motivos pra ter uma 50mm”, ou “como fazer as melhores fotos usando luz natural” e o famigerado “melhores apps para editar suas fotos e deixá-las incríveis”. Chega!

No final de tudo, fiquei pensando: vou me torna o grande Mestre Jedi das técnicas, mas e aí? O que eu vou fazer com isso? Abrir minha página o monetizar todo o meu conhecimento adquirido e recuperar o investimento alto que fiz com equipamento fotográfico? Êê. Isso cansa oh!

Acho que fugi um pouco do tema, né? Desculpe! Eu queria falar mesmo era do meu ensaio, que não é bem um ensaio, foi mais um apinhado de fotos que deram “errado”, no meio das minhas andanças, de câmera em punho. De alguma maneira, na mesa de edição (e não me venham com workflow), eu resgatei essas imagens e acabei atribuindo a elas um demasiado valor afetivo.

Talvez pelo desprendimento que cada uma tem, de forma muito particular. Eu bem que poderia dizer que se trata de arte contemporânea, que é “abstracionismo luminoso”, pra dar um toque mais chic no negócio e fazer os observadores dizerem a si o quanto iriam adorar emoldurar e colocar em alguma parede da sala de estar, mas não. Eu ando cansado até de mim, imagina dessas firulas.

Na real, fotografar é massa… É uma arte de fato. Mas, muitas vezes, a gente só quer mesmo apertar o botão e deixar a coisa rolar. Fazer os tais garranchos, como quem risca nada com nada em uma folha de papel qualquer sobre a mesa, enquanto divaga em pensamentos fúteis e despretensioso… Se afundar em luz.


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