Uma vida dedicada ao tênis de mesa brasileiro

Por Hugo Hoyama, decacampeão Pan-Americano de tênis de mesa e técnico da Seleção Brasileira feminina

Foto: Getty Images

Pratico o Tênis de Mesa há 40 anos. Comecei aos sete, numa escolinha em São Bernardo do Campo (SP), minha cidade natal. Aos oito, já treinava todos os dias. Meu técnico, Maurício Kobayashi, identificou desde o início que eu tinha talento e facilidade para aprender e pegou firme comigo. Lembro-me de que ele sempre fazia questão de dizer que eu deveria tirar boas notas na escola. Se eu mostrasse um boletim (que eu tinha que levar bimestralmente) com uma nota ruim, não podia treinar até recuperar a nota. Essa era a principal regra para seguir os treinamentos.

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Maurício me disse que era muito importante traçar um objetivo e treinar forte para poder alcançá-lo. Desde o início tive como meta ser jogador da seleção brasileira e poder jogar todos os principais torneios pelo país. Obviamente, havia uma programação, que eu teria que seguir passo a passo, sem reclamar ou chorar. Maurício me garantia que meu objetivo seria alcançado lá na frente. Eu confiava muito nele e, principalmente, em mim. Aos 14 anos tive que conversar com meus pais. Decidimos que eu estudaria até o ensino médio e, em seguida, me tornaria profissional. Deixei os estudos de lado para me dedicar 100% ao tênis de mesa. Aos 16 anos fiz um estágio de dez meses no Japão, como era programado à época. Em 1986, fui convocado pela primeira vez para a seleção adulta, na qual joguei até 2012.

Durante todos esses anos defendendo o Brasil, tive a felicidade de disputar 18 campeonatos mundiais, sete Jogos Pan-americanos, seis Jogos Olímpicos, inúmeros torneios abertos internacionais. Fui seis vezes campeão Latino-americano, campeão mundial por equipes da 2ª divisão em 2004, conquistei 15 medalhas em Pan-americanos, sendo uma de prata, quatro de bronze e dez de ouro, fui campeão brasileiro infantil, juvenil e adulto, e conquistei vários títulos em etapas do circuito brasileiro.

Foto: Getty Images

Em 2012, participei dos Jogos Olímpicos de Londres, minha última participação como atleta pela seleção. Desde janeiro de 2013, sou técnico da seleção feminina principal.

Aceitei o convite por querer continuar ajudando o tênis de mesa brasileiro de alguma forma. Eu já treinava uma das atletas e sabia que juntos conseguiríamos lutar por grandes conquistas. Não posso dizer que a transição foi fácil. No 1o torneio em que participei como técnico, no Latino-Americano de El Salvador, fiquei com uma vontade enorme de pegar a raquete e jogar (rs), mas sabia que estava ali para ajudar as meninas a lutarem pelos títulos. Desde então, conseguimos várias conquistas, algumas delas inéditas: tricampeãs Latino-Americanas por equipes; título Mundial por equipes da 2a divisão em 2014 (inédito); Medalha de prata por equipe no Pan de Toronto em 2015 (inédito); medalha de prata individual no Pan de Toronto 2015, com Gui Lin (inédito); medalha de bronze individual no Pan de Toronto 2015 com Caroline Kumahara (inédito); campeãs por equipe nos Jogos Sul-americanos em 2014.

Foto: Arquivo Pessoal

No Rio de Janeiro estarei participando da minha sétima Olimpíada, desta vez como técnico. Vamos lutar muito pelo melhor resultado possível, tanto por equipe quanto individual. Sabemos que lutar por medalhas vai ser muito difícil, pela forte concorrência como países tradicionais como Japão, Coreias do Sul e do Norte, Singapura, Hong Kong e, especialmente, China, país que deve levar a medalha de ouro por estar em um nível muito superior às outras equipes.

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