“O Fair Play deveria ser uma coisa rotineira”

Por Stephany Saraiva, vencedora do Prêmio Fair Play Mundial de 2017 da União Internacional de Pentatlo Moderno

Olá, pessoal. Meu nome é Stephany Saraiva e vim aqui contar um pouco sobre minha história no pentatlo moderno e sobre como recebi um prêmio internacional de Fair Play. Comecei no pentatlo moderno em 2011, primeiro convidada por um amigo chamado Danilo Fagundes (que não por ironia do destino, mas por plano divino hoje em dia é meu noivo) e depois chamada por outro amigo, William Muinhos. Fui e estou até hoje. Muitas coisas aconteceram, boas e ruins, mas vida de atleta é assim mesmo.

Vou contar pra vocês o porquê de ter recebido o Prêmio Fair Play Mundial de 2017: no ano de 2016, em Buenos Aires, Argentina, durante um combate de esgrima contra uma atleta guatemalteca, toquei do lado fora da pista, mas o árbitro achou que eu a havia tocado. Eu tinha consciência, porém, de que não tinha tocado e, por isso, o árbitro entrou em uma discussão comigo porque queria me dar o ponto. Eu sabia que o ponto não era meu e, graças a Deus, a situação foi resolvida. No final da competição, ainda na Argentina, recebi uma pequena homenagem pelo gesto e, neste ano, há mais ou menos quatro meses, recebi a notícia de que iria receber o prêmio na Bélgica. Foi um evento muito grande e fiquei muito impressionada com tudo. Meu maior objetivo ao receber este prêmio foi representar meu esporte e meus técnicos, que assim como meu esporte infelizmente não são reconhecidos como deveriam, como todo o esporte brasileiro.

O Fair Play deveria ser uma coisa rotineira, no ajudar ao próximo, em uma palavra amiga, em um conselho a quem precisa. O jogo limpo dentro e fora do esporte.
Jovem brasileira Stephany Saraiva é reconhecida internacionalmente pela honestidade durante evento na Argentina. Foto: Divulgação/UIPM

Minha atitude não deveria ser considerada um ato heroico ou ter virado notícia, mas no país em que vivo atitudes como estas estão se tornando raras. Na vida sempre tive grandes pessoas à minha volta, meus pais que me deram educação suficiente pra distinguir o certo do errado e fazer o certo não pra tentar agradar os outros e sim porque é o que se deve fazer, meus técnicos por terem ajudado a moldar meu caráter, me ensinarem a trabalhar duro (muito duro mesmo) para se chegar aonde quer sem passar por cima de ninguém. Se não tivesse profissionais como eles trabalhando comigo, não estaria onde estou hoje. Sei que tenho muita coisa a trilhar e quero continuar com eles ao meu lado, agradeço aos meus colegas por ajudarem no meu crescimento nos treinos e a Deus, principalmente.

O esporte muda vidas e eu gostaria muito, do fundo do meu coração, que não só o pentatlo moderno, mas o esporte brasileiro tivesse mais voz, mais oportunidades.
A brasileira Stephany Saraiva: atitude reconhecida internacionalmente. Foto: Divulgação/UIPM

Enfim, quero agradecer muito pela oportunidade falar um pouco sobre o ocorrido, tenho um orgulho enorme de ser brasileira e espero do fundo do coração ter ajudado um pouco meu esporte e ter mostrado que o Brasil tem, sim, pessoas boas. Obrigada!

Stephany Saraiva

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