Entre pães de queijo e grandes negócios

Para quem ainda não leu seguem parte 1 e 2 desta história…

Com um desafio gigantesco pela frente eu e Edu justamos nossas malas e partimos para uma temporada de 6 meses em Belo Horizonte. Levamos conosco um problema validado no Brasil, EUA, Chile e China, empresas que nos mandavam emails periódicos para realizar cotações mais rápidas, um MVP sem código e uma incerteza se conseguiríamos fechar um time completo para tracionar o negócio.

Sobre o SEED: Um programa desenvolvido pelo Governo do estado de Minas Gerais com objetivo de tornar Belo Horizonte um HUB de negócios inovadores. O programa executou duas turmas, cada uma com 40 startups aceleradas. Os resultados são incontáveis, sem dúvidas foi o melhor programa de aceleração [olhando para os resultados alcançados durante e pós aceleração] já executado no Brasil.

Rua Curitiba, 1957, Lourdes, BH. Neste prédio tivemos a oportunidade de compartilhar espaço de trabalho com empreendedores de vários lugares do mundo nos permitiu pensar em novas estratégias para a Lotebox.

Em seis meses imersos nesse processo de aceleração identificamos um dos principais fatores de sucesso para uma startup, ambiente de colaboração aberta. Poder trocar ideias e experiências com mais de 100 empreendedores enriqueceu nosso conhecimento sobre comportamento empreendedor, além de fazer grandes amigos.

Quando chegamos no SEED não tínhamos noção do quanto conseguiríamos desenvolver nosso negócio, pelas nossas deficiências no time, não acreditávamos chegar tão longe.

O comportamento empreendedor: Empreender é ter disposição para pensar e executar [muitas] soluções criativas para todos os problemas que estão ao redor do negócio. Não adianta procurar por culpados ou barreiras externas que impeçam o desenvolvimento do negócio, o papel do empreendedor é encontrar oportunidades nas crises. Empreendedor não é um cargo, é quem está disposto a construir para si um conjunto de habilidades que lhes permitam sair da zona de conforto para executar ideias sem medo de errar.

Nos três primeiros meses da aceleração tivemos muito contato com agentes de carga locais. Esse contato nos permitiu entender a fundo o comportamento destas empresas na resolução dos seus problemas operacionais, só então finalizamos a estrutura e o processo do serviço que deveríamos implementar em software… mas como ter um software sem uma equipe de desenvolvimento?

Com nosso MVPlembra dele? Um papel, uma planilha, um email e um telefone… identificamos os problemas emergenciais no tempo gasto com comunicação no processo de busca por espaços em contêineres, reduzindo esse tempo para menos da metade do praticado no mercado. Claro que a quantidade de empresas que estávamos atendendo com frequência era pequena, mesmo assim aprendemos muito.

A volta do Luis Franco: O Luis é um cara que trabalhou durante alguns anos em agências de carga com foco nas rotas entre Brasil, África e Ásia. Nesse período chegou a morar em Angola, onde resolvia todo o desembaraço alfandegário no transporte de mercadorias. Durante o Startup Weekend Recife 2013 ele nos ajudou entendendo o comportamento do mercado e as oportunidades para resolvermos problemas emergenciais. Pós SW mantivemos contato até o dia em que ele resolveu sair da agência de carga e vir para a Lotebox!

Com nosso MVP, iniciamos o processo de relacionamento com as agências de carga e operadores logísticos, demandantes e ofertantes de espaços em contêiner, respectivamente. Esse relacionamento nos permitiu entrar dentro destas empresas para observar de perto o comportamento dos profissionais de comércio internacional, com estas informações construímos a arquitetura de software para o processo de trabalho de modo a reduzir a curva de aprendizado do cliente com o sistema.

Sobre confiança do time: Montar um time para desenvolver soluções criativas para problemas reais e muitas vezes complexos não é fácil. Defendo a ideia que as 8 primeiras pessoas numa startup serão responsáveis pela criação e compartilhamento da cultura de trabalho dentro da empresa, não tem como essas primeiras pessoas se comportarem como funcionários (por mais que não sejam founders). Por mais que haja necessidade de ter um time completo, as coisas não andarão bem se você não puder contar com eles todo o tempo, então sem confiança bilateral isso não será possível. Lembre-se que na hora de trazer seus primeiros parceiros valorize aqueles que têm um comportamento empreendedor, eles passarão pelas dificuldades dos primeiros passos e todos os perrengues!

Em pouco tempo tínhamos todo o conhecimento e rede de contatos necessários para transformar nosso MVP em software, assim aumentar nossa base de empresas atendidas. Como não tínhamos desenvolvedores no time pensamos numa solução criativa para construir nosso sistema, achamos três malucos (Cayo, Matheus e Alexandre) que nos desafiaram a entregar esta primeira versão (com software) em 2 dias!

Mal sabiam o que estava pela frente…

Depois de um dia no Rio (no meio da copa do mundo) estruturamos o que seria desenvolvido e fechando o escopo do trabalho, tudo muito rápido e objetivo, só então os meninos desenharam como seriam as telas e o fluxo de funcionamento do sistema para iniciar o desenvolvimento. Resultado, depois de voltar para BH (no inesquecível dia do 7x1) recebemos, no tempo certo, a primeira versão de software da Lotebox. Assim poderíamos aumentar nossa base de clientes e continuar aprendendo sobre seus comportamentos.

A segunda saída do Tony: O Tony foi um dos caras que mais ajudaram a Lotebox no seu início, fez boas pontes nos apresentando a pessoas relevantes no cenário de startups. Com sua entrada na [findada] UP Global ele deixou todas as ações operacionais, ficando como um amigo próximo. No período do SEED ele se aproximou buscando retomar algumas responsabilidades no time, mais uma tentativa frustrada, sem tempo ele não conseguiu se engajar nas entregas, ficando de fora da sociedade. Desta vez uma saída oficial, a Lotebox se tornou um CNPJ comigo e o Eduardo como únicos sócios.

Depois do lançamento da plataforma — um captador de demandas geradas por agentes de carga e traders para o transporte marítimo que retornava as proposta em até 24 horas num formato de marketplace — começamos a trazer empresas para dentro. Saímos do papel, mas não perdemos o processo que permite a redução do tempo. Neste época trouxemos o Alvaro Freire para nos ajudar na operação, um aluno da UFMG com cabeça de empreendedor que peitou entrar num negócio diferente de tudo que tinha visto antes. O Alvaro pra mim é um excelente exemplo de quem trazer para o time na sua startup, pessoas com disposição para fazer e aprender!

Não queria os funcionários na sua startup, queria as pessoas com disposição de pensar, aprender e construir juntas!

No final do processo de aceleração do SEED tínhamos uma grande evolução de negócio, aprendemos como enfrentar os desafios do mercado com soluções de escala global. Muitos foram os momentos que pensei em desistir, mas a dificuldade é parte importante na criação de uma empresa. Essa evolução não seria possível se não tivéssemos construído uma rede forte com grandes empreendedores.

Sobre cooperação: Estar debaixo do mesmo teto que outros empreendedores é uma das experiências mais ricas para quem está vivendo essa jornada. Nada é tão relevante para quem tem uma startup que compartilhar experiências, foi o que aconteceu intensamente no SEED. Se você tiver a oportunidade de desenvolver os primeiros meses da sua startup em ambientes colaborativos não pense duas vezes, nesses ambientes você aprenderá mais e mais rápido.

SEED, O que ficou está além das paredes…

Depois do SEED o desafio só estava começando, muita captação de clientes e grandes evoluções de serviço. Não sabíamos ainda, mas o Vale do Silício estava cada vez mais próximo!


Luiz Fernando Gomes: www.luiz.tips (luizgomes@luiz.tips)

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