No dia em que sai de casa

Nada como olhar para trás e perceber quantos passos foram dados, alguns na direção certa, outros tantos na errado; alguns passos firmes, outros trêmulos.

Escolhi o caminho mais difícil para construir algo relevante para o mundo que vivemos, fazer a diferença é mais que ser bom ou correto, é sair da média e lutar para ser extraordinário.

Foram muitas escolhas, muitas alegrias e muitas conquistas. Isso é o que gostamos de contar, mas quando deitamos a cabeça na cama lembramos das dúvidas, das tristezas e das derrotas… elas nos fazem levantar no outro dia e dar mais um passo nesse caminho que não se vê o final.

Reuni uma série de anotações e pensamentos acumulados nestes últimos meses, não falarei de métodos ou dicas, só experiências reais. Dividi essas experiências em 4 partes que serão postadas a cada 48 horas…

25 de Julho de 2015…

Sentado na minha mesa no corner internacional da Plug and Play no dia da EXPO, evento que marca o final do período de aceleração que havia começado 6 meses antes em São Paulo terminando em Sunnyvale, no Vale do Silício.

Sei que deveria estar focado na nossa apresentação, em falar bem a Lotebox para possíveis investidores americanos, mas há muita coisa passando pela minha cabeça neste momento, são muitas e fortes lembranças dos últimos meses, desde o Startup Weekend Recife que mudaria minha vida até um mergulho no mais atrativo ecossistema empreendedor do mundo.

Sempre gostei de compartilhar histórias, acredito que fazendo isso posso devolver, de alguma forma, tudo que aprendo com grandes exemplos e muita mão na massa. Ainda há muita coisa para acontecer com a Lotebox, o caminho é longo, mas fechar esse [quarto] ciclo me fez olhar pra trás e reunir forças para seguir adiante.

A inércia

Antes da Lotebox fui professor de matemática e consultor em gestão de processos de software, durante quase 10 anos vivi na inércia, seguia o que a vida me proporcionava. Nessa época cheguei até ter um empreendimento que falhou por não ter a menor noção do que fazer para colocar no ar, achamos que simplesmente as ofertas e os clientes viriam… eles não vieram.

Esse foi um momento onde conquistei muitas coisas importantes e a principal delas foi a liberdade financeira, não dependia do dinheiro dos meus pais para nada. Não sabia eu que já estava acomodado antes dos 25 anos, imagina aos 50? A inércia me segurou por muito tempo, mas a curiosidade para conhecer o mundo fora da minha zona de conforto falou mais alto.

Só aprendi o que era empreender em Agosto de 2013, participando do Startup Weekend Recife…

Num final de semana fiz mais que em todos os meses que passei no meu primeiro empreendimento, de ter ideia sobre um [possível] negócio, mudar para alcançar um modelo simples e viável de ser entregue em pouco tempo e atender as expectativas do mercado.

Como eu enxergo o Empreendedor: Pessoa com um conjunto de habilidades desenvolvidas colocando a mão na massa, as quais fazem deste indivíduo um desajustado constantemente incomodado com as coisas ao seu redor.

Aprendi que o primeiro passo para desenvolver qualquer negócio é sair da inércia, nada vem ao seu encontro se você não sair do lugar, colocar a cara na rua e correr atrás. De lá pra cá foram muitos desafios que não seriam vencidos se não tivesse colocado o pé no acelerador!

A ideia inicial, Trackbox: Durante os pitches da sexta Tony Celestino pegou o microfone e apresentou uma ideia de rastrear todos os contêineres que circulavam ao redor do mundo, reduzindo as perdas de mercadorias com um acompanhamento real time.

Felizmente a equipe entendeu para isso demandaríamos uma série de recursos que estavam longe das nossas mãos, então conversando com Léo Uchôa e Luis Franco (o Luis voltará a aparecer nessa história) mudamos para Lotebox.

A Lotebox no SWRecife: Uma plataforma WEB que permitia dois ou mais importadores compartilharem espaços em contêineres para dividir os custos. Solução que nascia internacional desde o primeiro dia, pois sem o país A e o país B para o transporte não tínhamos negócio.

Antes de me jogar de cabeça

O final desse Startup Weekend mudou algo dentro de mim, ouvi de empreendedores experientes que nossa equipe não teria capacidade de executar o negócio que nos propomos despertou em mim um sentimento de querer me provar e descobrir se aquilo seria verdade ou não.

Na segunda-feira após o evento, 4 dos 7 integrantes da Lotebox (na época um sistema só para ajudar no compartilhamento de cargas) decidiram continuar com o projeto. Os quatro eram eu, Rafael Gaia, Eduardo Carvalho e Tony Celestino, perfis complementares que conseguiram trabalhar em sinergia durante os três dias do evento.

Acertamos que ninguém largaria emprego naquele momento, precisávamos conhecer mais do mercado e ter um pouco mais de certezas se conseguiríamos colocar esse negócio no mercado. Esse foi um momento importante para todos nós, principalmente para nos conhecer melhor, afinal poderíamos ser sócios em pouco tempo.

Time: Não comece um negócio sem conhecer seus sócios. Eles não precisam ser amigos de infância, mas saiba como cada um se comporta e crie uma relação de confiança e respeito profissional. Desde o time inicial da Lotebox passamos por alto e baixos, o que nos fez aprender qual a importância desta célula viva dentro de uma startup.

Uma porta aberta nos EUA

Em setembro de 2013, um mês depois do Startup Weekend, Eduardo, Rafael e Tony (por serem alagoanos e conseguirem apoio do SEBRAE local) tiveram oportunidade de representar a Lotebox no Techcrunch Disrupt 2013, uma das maiores feiras de startups do mundo.

Com um mês de projeto lançado não tínhamos nada concreto para levar ao Vale do Silício, então colocamos um protótipo do sistema debaixo dos braços e fomos, com cara e coragem (os primeiros R$7.000 que investimos). Era uma oportunidade de conhecer se esse mercado de logística era um problema por lá.

Uma semana em San Francisco e o resultado que tivemos, até que alguns investidores gostaram! Que legal, o Vale olhou com bons olhos para a Lotebox, parecia existir uma oportunidade real, então seguimos em frente.

O medo: Decidir largar sua inércia pelo empreendedorismo não é um decisão trivial. Se alguém falar que foi tranquilo largar um emprego para criar um negócio do zero provavelmente está mentindo. Quem decide pelo empreendedorismo guarda todos os medos [que são muitos] e transmitem confiança aos que estão próximos, mantendo-os motivados a superar seus limites.

Mas ainda precisaríamos de um canal que tornasse possível os 4 largarem tudo para se dedicar a Lotebox (não seria uma decisão fácil), assim corremos atrás de dois programas de aceleração com investimento público, o Startup Chile e o SEED-MG.

Na próxima parte conto como foi nossa experiência no Startup Chile…


Luiz Fernando Gomes: www.luiz.tips (luizgomes@luiz.tips)

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