é só o que se é

a brisa da tristeza bate mais ou menos
às 15h de uma terça-feira à tarde
é daquelas angústias ainda não tratadas,
difícil de nomear
que socam o estômago, feito a carteira
que não está mais no bolso de trás
a gola da camisa amarelando e grudando
e lá fora o mundo continuando sob o suor de janeiro
a postagem ridícula na rede social
que parece mais um grito meio torto de solidão
o telefone tocando em ritmo de taquicardia
o livro genial que não vai dar tempo de escrever
o cartão ponto a postos para engolir seu ego e seus versos
na tabacaria do Pessoa, não se pode não querer ser nada
mas pra fora das lombadas do livros esse nada é só o que se é