O Deus que se esconde

— Senhor, por que te revelarás a nós e não ao mundo? — perguntou o discípulo. Causava-lhe estranheza o fato de Jesus revelar-se apenas a eles, alguns poucos escolhidos. Que tipo de Jesus era este, que se revelava a alguns, mas se escondia dos outros?

Talvez ele não soubesse, mas parece ser da natureza de Deus agir desta maneira. O profeta escreveu: “Verdadeiramente tu és um Deus que se esconde, ó Deus”. Você consegue imaginar um Deus como este, que brinca de esconde esconde com a sua criatura?

Nem sempre foi assim, é claro. Ouve um tempo em que Deus não se escondia da sua criatura, nem a sua criatura se escondia dele. Criador e criatura se reuniam diariamente na viração do dia, mas então o homem pecou e se escondeu de Deus; e Deus se escondeu do homem.

Agora vemos um padrão: Deus deliberadamente se esconde de alguns e se revela a outros. No Novo Testamento vemos o próprio Jesus louvando o Pai, porque escondera o evangelho dos sábios e cultos — que em nossos dias seriam os cientistas e intelectuais — , e o revelara aos aos mais simples e humildes, porque assim fora do seu agrado.

Portanto é do agrado de Deus esconder-se da ciência, ou melhor, dos cientistas, fazendo de conta que não está lá. O apóstolo Paulo escreveu que Deus, em sua sabedoria, não se deu a conhecer ao mundo por meio da ciência ou do intelecto. Ou seja, ele deliberadamente se escondeu dos olhos argutos da ciência.

Nós olhamos com espanto para as muitas “provas” científicas que apontam para longe de Deus, quando deveria ser o contrário. Deus ser encontrado pela ciência é que seria de se espantar, porque então ele teria sido derrotado em seu intento de ocultar a verdade dos sábios e cultos.

Os cientistas ateus apontam a teoria do big bang ou da evolução para alegar que a Bíblia está errada, mas errada a Bíblia estaria se os cientistas comprovassem o criacionismo. O Deus que se esconde teria sido finalmente encontrado por aqueles de quem ele queria se esconder. Que tipo de Deus ele seria?

Romanos 1:20 é o versículo de cabeceira do cientista cristão. O versículo diz que, “desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas.” Este versículo diz que a criação aponta para Deus.

Todavia a questão não é se a criação aponta para Deus ou não — isto é inegável — , a questão é a quem Deus se revela por meio dela. É muito menos para o cientista em seu observatório, e muito mais para o homem do campo, que de noite observa a imensidão do universo e pensa: quem fez tudo isto? Ali está Deus revelando-se para alguém.

Quando o homem olha para a natureza e reconhece as mãos de Deus, trata-se um momento de rara lucidez; um momento de revelação divina. É também a reação mais natural diante do mistério da vida, diante da majestade da criação, porque ninguém olha para o firmamento e imagina o Big Bang. Este é um conceito adquirido.

Por ironia divina as pessoas ignorantes que olham para o firmamento e se curvavam diante do divino estão mais perto da verdade do que os cientistas. A criança que elabora um pensamento simples ao olhar para uma flor (“quem a fez?”) está mais perto da verdade do que toda a ciência.

Eis como Deus age! ele escolheu o que para o mundo é loucura para envergonhar os sábios e escolheu o que para o mundo é fraqueza para envergonhar o que é forte. Ele escolheu o que para o mundo é insignificante, desprezado e o que nada é, para reduzir a nada o que é, a fim de que ninguém se vanglorie diante dele.

Deus não tem problema nenhum com a ciência, o seu problema é com a petulância e a arrogância dos cientistas e intelectuais. “O Senhor conhece os pensamentos dos sábios e sabe como são fúteis”, escreveu o apóstolo. “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos”, diz ele. O que os sábios deste mundo chamam de teorias científicas, a bíblia chama de loucura.

Não é que não devamos procurar Deus, só não devemos procurá-lo nos lugares errados. O próprio Deus dá a dica: “Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração. Eu me deixarei ser encontrado por vocês, declara o Senhor.” Deus é como o pai que se esconde do filho pequeno em um lugar fácil de encontrar.

O caminho para conhecê-lo não é o conhecimento científico, não é a filosofia, mas sim a loucura do evangelho. A bíblia diz que se algum de nós pensa que é sábio ou inteligente ou intelectual segundo os padrões desta era, deve tornar-se “louco” para tornar-se inteligente de verdade. Louco o suficiente para crer no evangelho.

Pois como está escrito:

“Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou a Deus salvar aqueles que creem por meio da loucura da pregação.” “É, porém, por iniciativa dele que vocês estão em Cristo Jesus, o qual se tornou sabedoria de Deus para nós, isto é, justiça, santidade e redenção, para que, como está escrito: “Quem se gloriar, glorie-se no Senhor
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