Soul, Sound & Color


Ando querendo escrever sobre esse disco novo do Alabama Shakes desde o dia do lançamento (21 de Abril, no caso), mas acho que só agora que consegui finalmente entender o que esse disco é: ele é um daqueles discos que tem alma.

E não só pelo fato da banda beber ainda mais da soul music neste álbum - consigo facilmente imaginar “Don’t Wanna Fight”, o primeiro single do disco, sendo cantada pelo Prince - mas porque o disco meio que fala com você. Durante todo o tempo as músicas passam a impressão que Brittany está te contando uma história - as vezes triste, as vezes feliz, mas sempre linda.

Isso não quer dizer que o disco seja só de soul: o rock ainda está muito presente - e em alguns momentos muito mais explícitos do que no último disco. “The Greatest”, por exemplo, é um garage rock que em momentos lembra o primeiro disco do Strokes ou a boa época do Libertines, mas tem a marca registrada do Alabama Shakes: os breaks certeiros, quebrando o tempo e mudando a dinâmica da música o tempo todo.

Uma coisa que não mudou neste disco (e nem deveria mudar) é a importância de Brittany na banda: ela continua sendo a peça principal na banda, que faz com que as todas as estranhezas musicais geniais propostas funcionem perfeitamente - hora com o seu vocal poderoso e único, hora com seus acordes cheios de feeling.

Mas o que realmente faz esse disco um dos grandes lançamentos deste ano são, sem dúvida, as estranhezas musicais citadas acima. Se prepare para encontrar todo tipo de arranjo psicodélico nas músicas deste novo trabalho - e principalmente nas horas mais inesperadas.

Rock, Blues, Soul. Se você gosta de qualquer um deles, escute esse disco do Alabama Shakes, que pelo menos uma música vai te agradar. Agora, se você gosta de música boa, original, criativa e inspirada, tenho certeza que você vai concordar comigo e gostar do álbum inteiro.