Você realmente está sendo criativo? Parte II

Nos capítulos anteriores nos questionamos se realmente somos criativos e exploramos algumas referências de pessoas que inovaram na sua arte. Se você não leu a parte I, clique aqui, corre lá e depois volte!

Vamos para uma discussão um pouco mais teórica e de abordagem um pouco “psicológica”.

Seguindo, comecemos com essa citação de Sollamy:

[Criatividade] É a disposição para criar, que existe potencialmente em todos os indivíduos e em todas as idades, em estreita dependência do meio sociocultural. (Sollamy)

Essa definição de Sollamy deixa a criatividade mais abstrata, o que é bom, pois assim podemos lembrar e visualizar melhor a citação de Cleese (Criatividade não é um talento, é como se opera). Nós temos uma tendência estranha de materializar a criatividade em uma receita de bolo onde podemos executá-la sempre que tivermos um problema. Não é bem assim, tudo varia nesse mundo criativo.

A citação a seguir defende a citação de Cleese quando o autor afirma que “é uma outra forma de estar e ver a vida”. E de fato é isso, o criativo vê os problemas, objetos, situações, etc sob uma perspectiva diferenciada, alguns, inclusive, conseguem até fazer simulações — um tanto precisas — apenas mentalmente.

Correntemente, o vocábulo criatividade é atribuído a um produto que se diferencia do que é comum ou banal, ou seja, por outras palavras, é uma outra forma de estar e ver a vida, ou a si próprio, enquanto criador. (Cardoso e Valsassina, 1988).

Eu li um artigo escrito por Eunice Alencar e Denise Fleith (baixe no final do texto) e este artigo compila alguns modelos de Criatividade que foram propostos por estudiosos da áreas no final dos anos 90. Nesses modelos são apresentadas algumas características da criatividade e de um indivíduo criativo.

Os três modelos de criatividade ali mostrados são muito interessantes, pois te faz perceber que realmente é mais ou menos daquele jeito mesmo que as coisas acontecem. Na realidade eu particularmente não consegui achar um que seja o “o modelo mais adequado” porque acho que partes de um acabam preenchendo lacunas do outro modelo.

(…)A produção criativa não pode ser atribuída exclusivamente a um conjunto de habilidades e traços de personalidade do criador, mas também sofre a influência de elementos do ambiente onde esse indivíduo se encontra inserido.(Hennessey & Amabile, 1988).

Porém tem uma coisa que me chamou a atenção no modelo de Csikszentmihalyi. Ele diz que a criatividade não é algo que está no âmago de um indivíduo, que não é um produto individual, mas de sistemas sociais que
julgam esse produto. Ele afirma que na sociedade, onde o individuo está inserido haverá outros indivíduos que atuariam como “juízes” dizendo se você e/ou sua criação são criativos ou não. A exemplo de professores no âmbito acadêmico.

Dentre as características mais salientes de indivíduos criativos estão a curiosidade, entusiasmo, motivação intrínseca¹, abertura a experiências, persistência, fluência de idéias e flexibilidade de pensamento. Csikszentmihalyi (1999) informa, entretanto, que as pessoas criativas não se caracterizam por uma estrutura rigidamente estabelecida, mas ajustam essas características conforme a ocasião. (Alencar;Fleith).

Acima temos algumas considerações de Csikszentmihalyi a respeito de algumas características humanas que geralmente são encontradas em alguns indivíduos criativos. Portanto, adquirir tais características pode levar você a ter um desempenho criativo mais elevado. ¹Sendo Motivação Intrínseca, o foco na tarefa, uma motivação centrada naquilo que se faz. Vale lembrar também que uma característica muito forte em pessoas criativas, é a capacidade de redefinir problemas, isto é, vê-los sobre perspectivas diferentes, reformulando-o de acordo com a circunstância, “Know How”, ferramentas disponíveis, etc (o famoso olhar criativo ou em alguns casos, o olhar de artista).

Esta parte das características individuais/pessoais talvez seja a mais importante, ou pelo menos a mais fácil de mudar que o contexto sociocultural. Portanto complemento com as Considerações sobre A Teoria do Investimento em Criatividade de Sternberg & Lubart, onde nesse modelo de criatividade os autores consideram o comportamento criativo como resultado da convergência de seis fatores distintos e inter-relacionados, apontados como recursos necessários para a expressão criativa. Os quais seriam: inteligência, estilos intelectuais, conhecimento, personalidade, motivação e contexto ambiental.

Como você leu, há mais coisas relacionadas com o Indivíduo do que com ecossistemas. No que se diz respeito à Inteligência, basicamente é como você reage ao problema, onde a principal fonte de resultados de insights está na capacidade de redefinição de problemas e como seu insight é formado, por exemplo, quando informações do passado são aproveitadas para resolver problemas do presente, percebendo-se uma analogia
entre o velho e o novo; A respeito dos Estilos Intelectuais, Sternberg considera três estilos, Legislativo, Executivo e Judiciário, onde o “pensamento legislativo” seria o mais importante para criatividade, já que pessoas que pensam dessa maneira, tendem a ter uma percepção diferenciada das coisas, gostam de formular problemas e suas próprias regras. Ainda sobre características do indivíduo, temos o Conhecimento e Personalidade, que são coisas que aconselho você ler o PDF que está no final do texto. Vale muito a leitura!

O que pode-se de certa forma concluir é que uma pessoa criativa depende de si mesma, mais especificamente, de sua personalidade e da sua forma de pensar. O que quero dizer é que para você aumentar sua produção criativa, é necessário transmutar algumas características do seu pensamento, da sua personalidade e do lugar de maior convívio. Isto é, principalmente, se encharcar de muita cultura, explorar os 5 sentidos, se dispor a novas experiências, habitar lugares que permitam essas coisas anteriores, procurar adquirir habilidades diferentes e ter prazer em fazer isso. Resumindo, ser criativo pra mim, é ser diferente e pra ser diferente é necessário sair da zona de conforto. Quando eu listei anteriormente algumas dessas coisas, parece muito lindo, muito legal, mas realidade é de certa forma doloroso já que implica em você superar seus limites e fazer certos sacrifícios. Então, explore novos mundos e transmute esses mundos para criar o seu próprio universo de coisas e a cada viagem, absorva algo e agregue a seu universo.

Bom, é isso. Acredito que tendo ciência desses fatores, você poderá potencializar sua criatividade.

Caso, seja do seu interesse, você pode baixar o artigo Contribuições Teóricas Recentes ao Estudo da Criatividade.

Abaixo está a segunda parte do infográfico sobre as 6 Atitudes que matam a Criatividade:

Por hoje é só ;)

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