Uber e a tal da sharing economy


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asseatas. Problemas. Regulamentação. Gente a favor. Deputados e cartéis contra. Artigos (muitos artigos). Polêmicas. Concorrência e mais uma série de coisas nessa longa novela Uber vs. Taxis vs. Regulamentação. No Brasil ou lá fora, o Uber constantemente aparece nas manchetes, seja por ser a startup mais valiosa, por conseguir a regulamentação em alguns locais, como no México ou simplesmente pela concorrência um pouco desleal com o Lyft (um de seus concorrentes no EUA), onde funcionários do Uber chamaram e cancelaram cerca de 5.000 corridas do bigodinho concorrente. Polêmicas a parte, tecnologias novas, sempre sofrem com essas barreiras da negação em um primeiro momento. Exemplos não faltam. E em termos históricos e econômicos , as brigas e espancamentos não são anormais (Deixo claro que sou contra a violência), são na verdade, o último suspiro de um processo conhecido como “Destruição Criativa”, criado pelo austríaco Joseph Schumpeter (Recomendo fortemente a leitura do Rodrigo Silva explicando melhor isso ), que significa que as organizações/pessoas/governo da ‘velha ordem’ tentam retardar a evolução com atitudes extremas que posteriormente não se sustentam e dão espaço para a inovação. Inovação? brecha do mercado?

Uber — um caminho sem volta

Arthur Castro (@arthurklose)

Apesar de no RJ ter praticamente mais táxi até que carros comuns, eu utilizo bastante o Uber. Mas, algumas ocasiões preciso utilizar o táxi convencional e sempre pergunto, tanto pro taxista quanto pro Uber: “e ai, o que acha desse lance do taxi vs. uber?”. Já teve alguns taxistas que disseram que já estavam no processo pra entrar no Uber, pois entenderam que já não iam “acordar devendo” devido as diárias que precisam pagar caso não sejam donos do táxi. Outros foram extremos, perguntando: “você deixaria um pedreiro operar seu filho?” ou “já tem mafioso usando o uber pra sequestrar pessoas”, além do bla bla bla de “eles não pagam impostos” sendo que os taxistas tem uma série de descontos (inclusive no imposto de renda — e mesmo assim ainda há uma alta sonegação).

A tecnologia assusta e os confrontos são apenas a evidência do medo da inovação (e comodidade). Existem os espertos, como os taxistas de Fortaleza, que uniram a regulamentação que já possuem, as “melhores práticas” do Uber, antes mesmo dele chegar lá e mantendo o preço atual. Concorrência é ótima para o mercado! Na outra ponta, existem os que deixam claro que são os agentes da Destruição Criativa, como os taxistas que agrediram o motorista de um deputado que apresentou o projeto contra-uber que acabam sendo o melhor marketing que o Uber pode ter, seja com notícias como essa ou ainda a paralização dos taxistas em dias de semana, que só aumentam o uso do Uber (aumentar 5x o número de downloads é muito bom né?)

Isso é só o principio. Existem infinitas possibilidades para o Uber contribuir na logística. Seja com seu projeto de entrega, o outro de passageiros compartilharem as corridas ou o de carros autônomos. A regulamentação precisa existir, mas proibir isso, é um retrocesso. Seja pedir um Uber, alugar um quarto pelo Airbnb, assistir um filme no Netflix, a evolução tecnológica contribuirá cada vez mais para o mudança do cenário. Os que entenderem isso, vão estar evoluindo em conjunto (como por exemplo, os taxistas de Fortaleza).

Evolução tecnológica ou apenas um bom serviço em um país desprovido?

Luiz Amorim (@luizamorim_ )

Apesar de todo o burburinho gerado atualmente devido à regulamentação ou não do Uber e de outros serviços similares no Brasil e no mundo, a verdade é que o Uber nada mais é que um excelente serviço em um país desprovido desse padrão de serviço. Quase tudo no Brasil é chato ou complicado e com um serviço que beira a precariedade. Pense por um instante como é quando você precisa ligar no banco, quando você precisa trocar uma compra que fez pela internet, quando você necessita de uma assistência técnica e por ai vai. Normalmente são serviços péssimos que já dão dor de cabeça antes mesmo de você sair de casa ou precisar usar. Com o táxi, infelizmente, não é diferente. Chegamos a um ponto que estava quase insuportável pegar táxis. Não estou generalizando, mas era, e em alguns casos ainda é, normal ver taxistas que correm como se fossem pilotos de Fórmula 1, discutem no trânsito e alguns que nem se dão ao trabalho de cumprimentar o passageiro.

Na minha opinião o Uber não ganhou tanto destaque rapidamente por causa dos carros sedans elegantes e nem por causa do seu app com ótima experiência de uso. Tudo isso tem seu mérito, mas o ponto principal é o seu excelente serviço. Agora pense um pouco na experiência que é usar o Uber (caso não tenha usado ainda, confira esse vídeo do Olhar Digital comparando Táxi e Uber), você faz tudo pelo aplicativo, os motoristas se vestem socialmente, andam com ar condicionado e Waze ligados, oferecem água e balinhas, perguntam se você quer colocar música via Spotify e não tentam cobrar a mais nas corridas. Todo mundo que já andou de táxi no Brasil sabe que essa não é exatamente a experiência em muitas das corridas. A diferença entre pegar um Uber e um táxi comum na maioria das vezes é gritante, mas não pela tecnologia mega revolucionária e inovadora e sim por um bom serviço em um país carente de serviços de qualidade. Tanto que a 99Taxis e a Easy já planejam serviço só com os melhores taxistas de acordo com o Tecneira.

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