ERA UMA VEZ…

Introdução do livro “DIA 922: Uma Longa História Sobre Estrada”

Plátano, suas folhas farfalham acima, ora verdes, ora sarapintadas em tons de bege. Às vezes os ecos vindos da estação de trem tropeçam no nosso gramado, e ao mesmo tempo a cidade parece tão muda. Acho que estamos longe, em outra dimensão.

De costas à grama e sob a sombra daquela árvore, dois jovens de valores compatíveis porém momentos de vida completamente diferentes. Ambos fitando catatônicos aquelas folhas a dançar na brisa. O céu é uma única cor anil. Aberta. De fim de verão.

O rosto dela gira pra cá, à queima-roupa — Por que sinto que vou te amar por muito tempo?

Meneio hesitante a cabeça que faz a bochecha tocar o pasto. Minha voz arrasta-se — Não sei…

A mão dela que prendia-se em meus dedos entre nós, se desenvencilha, apoia seu cotovelo na grama delicada da estação e o corpo da moça recai sobre o meu, lateralmente. Com as esferas aquosas intercalando-se sobre mim, ela sussurra — Meu primeiro amor…

As gotas que saem de seus olhos, molham-me os lábios.

— Tá na hora!

Mochila de pé, bilhete em mãos. A caminhada angustiante até a plataforma que eu não queria encontrar. Mas está ali. A comissária de embargue atrás de nós não me chama atenção pela demora. Entretanto, cortês, ela sinaliza que as portas se fecharão.

Ei — digo a minha menina com todos meus medos engasgando-me — , eu vou entrar nesse trem…

O cenho dela, enruga-se. Sua mirada, se contrai.

Ei — com severidade lhe peço mais foco — , tu vai sentir a pior dor do mundo quando eu entrar naquela merda. Eu vou entrar nesse trem e vou desabar também. Pode ter certeza! Mas eu quero que tu saibas que a tua dor vai passar e que a gente aprenderá a amar de novo e_ _ _

— Aldo… — ela tenta me interromper.

Insisto — E você vai terminar teus estudos, vai viajar o mundo, vai conhecer novos lugares e vai amar perdidamente de novo e de novo_ _ _

— Aldo! Aldo, pare de falar, por favor! — a vermelhidão dos topázios embebidos de saudade dá lugar a abrupta calma insípida que a faz perguntar angustiada — Me fala a verdade, ok?!

Eu sigo a encarando.

— Quero ouvir você admitir vai ser honesto comigo! — insiste ela.

Confirmo sem saída.

— Seja honesto dessa vez, por favor! Você acha que a gente vai se ver algum dia de novo?

As lágrimas me vêm com tanta força que sorrio desesperadamente, a beijando de olhos bem fechados.

Três passos eu dou para trás, giro, subo os dois degraus metálicos e torço meu corpo outra vez para a direção de quem ficou na plataforma. Me tenho estático, de braços estendidos ao lado do corpo, sem reação diante da porta ainda aberta. Todos os alarmes de embarque berram, a comissária ordena para que os últimos passageiros embarquem. Poucos passaram por mim, eu não os percebo. Os vapores do maquinário são expelidos no arranque, eu imóvel ao lado de dentro do vagão vazio, a mirar a garota adiante quatro passadas para lá na plataforma. Então, sem pausa prolongada, o trem desloca-se gentilmente à direita em partida. Dos lábios daquela menina doutro lado do vidro, me é jogado a frase-muda que me faz parar de respirar. Engasgado.

O rosado daquele rosto reclina-se sobre as palmas das próprias mãos erguidas a meio-peito e o cabelo, como cortina de peça que se encerra, pende solto para frente. No instante seguinte, a minha menina desaparece no movimento do trem por detrás de uma das colunas metálicas da estação. A dor é tão profunda que não tento por meu rosto no vidro. Não tento fazer nada. Absolutamente nada. Já não é mais possível enxerga-la.

O som dos trilhos a cavalgar e eu a chorar como nunca chorei antes. Congelado, repouso meus pensamentos na paisagem por entre a janela do vagão RJ-1013. Na maior das injustiças de minha vida, eu fiz a única coisa certa.

Foi a última vez que vi a única mulher que amei.

Nasci numa tarde de outono nos anos 80. E, por sorte, cresci naqueles bairros onde as gramas das casas estão lado a lado, sem cercas, com ruas de asfalto liso como carpete, sem movimento que não fosse dos próprios moradores. Outras crianças corriam, jogavam taco ou bola. Geralmente gritaria quando fora dos horários da escola. Os enormes “discos” de asfalto onde cada rua sem saída terminava eram rodeados por casas de gramado frontal e eram como pistas de patinação. Os arquitetos chamam tais estruturas de cul-de-sac e elas são apenas um dos muitos elementos europeus que compõem uma cidade-jardim perdida na zona rural que crescia com a indústria do aço local. Famílias de engenheiros, biólogos, geólogos, professores, químicos, empresários, administradores. Viver naquele bairro tão organizado, calmo, caro e distante do centro da cidadezinha dava tranquilidade para um pai e liberdade a uma criança.

No tédio do menino sem irmãos no sul do Brasil, aos oito anos de idade eu gostava de pôr a mochila de super-heróis nas costas, montar na BMX e pedalar para lá da minha rua, a B-38, sair dos limites do bairro, porém não em direção ao centro da cidadezinha, mas para o lado oposto, ainda mais para fora da civilização conhecida. Lá onde as estradas eram de chão batido, lá onde eu ia atrás de qualquer coisa que estivesse longe. Ainda que próximo da capital do Rio Grande do Sul, era uma vida interiorana. Parte das minhas tardes após a escola, quando não na rua, era sobre o tapete defronte a lareira de casa. Eu abria as pesadas enciclopédias da De Jota e buscava qualquer página com ilustrações de expedições. Nas raras vezes que a mãe não estava chefiando o único banco da cidadezinha, ela estava a pintar na sala de casa, me alimentando de curiosidade com aqueles pesados livros ilustrados. Se um dia perguntei o significado de “Expedição” pra ela, conhecendo a De Jota como bem conheço, ela deve ter enfeitado. “É uma grande aventura repleto de mistérios ao redor do mundo”. Naquelas páginas, desenhos de homens rústicos caçando linces em meio a nevasca na Antártida; historiadores e nômades cruzando dunas em camelos pelo Saara; ou alpinistas destemidos encolhidos de frio cume dos Montes Urais. Ler era a parte chata para um Aldo tão novo. A sedução da aventura ali narrada estava nas figuras desenhadas. Mas os dias mais divertidos acabavam sendo aqueles onde eu estava pela B-38, tramando para onde eu “fugiria” com a permissão da De Jota.

Cercas puladas, campos verdes vazios, era eu empurrando a bicicleta, passando por debaixo das torres de alta-tensão, a brincar de explorar, mesmo que fossem travessuras esporádicas e com horário para estar de volta em casa. Eu passava boas horas desaparecido, cruzando brejos, matagais, escalando barrancos de terra vermelha ou de carvão mineral a brotar do chão. Até fogo eu fazia com fósforos e álcool roubados da cozinha e lavanderia de casa. Não importava nada além da boa sensação se ser valente até ouvir qualquer som irreconhecível vindo da vegetação rasteira e concluir que sair correndo em ziguezague abandonando a bicicleta era a única coisa certa a ser feita. Mas eu acabava retornando.

Na mochila da escola, o guia de identificação de cobras peçonhentas que distribuíram no sábado de escotismo. Com o manual, a faca de escoteiro, o serrote, lixa, tira de couro e um metro tubo de látex. Nos campos da família Porto, lá onde a mãe dizia que tiros de espingarda eu poderia ouvir, era onde eu gostava de ir. A busca pelo galho perfeito, subir na árvore, cortar a forquilha, descascá-la e esculpir o novo estilingue. Eu te escreveria que a aventura de buscar aquilo era mais importante do que o galho em si, entretanto eu ainda era muito menino para entender a diferença. Para aquele pequenino Aldo, ele não percebia que a diversão estava na expedição. Ele queria mesmo era o melhor estilingue e então derrotar os exércitos malignos de latas e garrafas vazias.

Do menino das enciclopédias ao adolescente dos computadores. Num tempo aonde pessoas mal compreendiam o que era Internet, a De Jota instalara um “Computador Pessoal” no escritório de casa. Do dia para a noite o que antes era o pequeno Aldo correndo pela B-38 com galhos e serrote na mão, transformara-se no adolescente recluso, vestindo preto, a tocar bateria. Rock, uma namoradinha e aquele computador conectado seis horas por dia na Internet-discada.

Tudo que eu precisava estava trancado naquele quarto de paredes pichadas, luzes neon, bateria negra e cromada, e milhares de linhas de códigos de programação na tela do computador 24 horas ligado. Quando não sozinho com música no talo, uma garota ou um dos meus vizinhos. Aquele quarto era irado! Não raro eu passar dias sem ver a luz do dia. Só o abria para ir ao banheiro, geladeira ou para a escola. Quase uma alcova, mas ainda assim era o meu lugar no mundo, lugar onde eu encontrava pessoas do outro lado do oceano que gostavam das mesmas coisas que eu, músicas que falavam o que eu queria ouvir, tudo que me interessava naquela época obscura da adolescência numa cidadezinha.

Concluí os estudos fundamentais a trancos-e-barrancos e em meu 21° aniversário iniciei a tão desejada carreira na Internet. Sozinho, sem dinheiro ou experiência profissional, eu retornei com apenas uma mochila à capital para estagiar. Eu estava feliz. Muito feliz, e de lá fui sendo cercado por novas referências que me fizeram muito bem: as roupas pretas ganharam cores, os brincos foram engavetados e até andar na luz do dia eu já queria.

Cinco anos depois, ainda que não graduado ou sequer falando outros idiomas como os demais colegas, eu era líder de projetos e um generalista nato. Parte pomposa de mim soprava que eu estava indo bem: tinha uma garota, já comprara um apartamento próprio e finalmente ingressara na universidade. Os voos para outras partes do Brasil quase se tornaram rotina, mas o que passou a ser comum naquelas viagens de trabalho era — repentinamente — a sensação de estar num ciclo vicioso. Não era difícil de, numa roda de amigos, eu me ter sem histórias pessoais para dividir, sem viagens para contar e, ainda assim, sentindo que o pouco que conhecia vinha de música, filmes e livros. Nada era real. Quanto mais eu trabalhava, mais ganhava. Quanto mais ganhava, mais responsabilidades. Quanto mais responsabilidade, menos dias de férias por ano. E tudo que eu fazia na ansiedade de ter algo imediato era gastar. Gastava desenfreadamente com roupas, relógios, colônias, restaurantes e tecnologias.

De dentro dos quartos confortáveis dos hotéis Mercury na cara zona sul de São Paulo, de cortinas blackout entreabertas, eu deixava-me ver a cidade movimentando-se a noite. Eu conversava comigo, revia prioridades e acabava por me ver como outro ponto luminoso naquele caos de pessoas anestesiadas ou melhores do que eu. Eu pensava sobre o rumo que eu vinha tomando e se haveria algo genuinamente meu em tudo aquilo. Fitando São Paulo, o cerne para todas as pessoas da minha área, ela não me despertava nada além da vontade de estar em casa. No fundo, a vida de desenvolver coisas para os outros não era tão empolgante quanto subir em árvores e cortar forquilhas. Eu vivia qualquer coisa, menos meus sonhos. Aliás, que sonhos?

À luz da escrivaninha, rabisquei itens. Fiz isso repetidamente no quarto do hotel. Costumavam sair listas de ordens diferentes, embora quase sempre estavam lá os mesmos itens.

Outro idioma
Viajar sozinho 
Escrever 
Família

Se eu falasse inglês, eu viajaria até Paris, escreveria meu primeiro romance por lá e voltaria para casa alguns anos depois. De barba, sem muita coisa, com mil histórias pelos bolsos e a vontade inexorável de falar a respeito. Ou talvez, não. Não sei. No entanto para eu tirar o sonho tolo ou genial do papel, eu teria de começar a lista por uma ordem lógica; clara. O que eu não sabia aos 28 anos de idade era que a vida não costumava respeitar listas em pedaços de papel.

— Oi — a voz macia beirando a timidez chegou por minha nuca em meio aos ruídos do shopping de Porto Alegre.

Olhei para trás, por cima dos ombros, e lá estava ela.

A tarde fora simples, agradável sobre a grama do parque. O longo cabelo ondulado e negro que chegava a cintura, ela o enrolou e pôs para o lado, inclinando-se e sentando sobre minha jaqueta no gramado. Preparei o chimarrão e então conversamos por toda aquela tarde. Não fazia tanto frio naquela tarde de inverno. O céu era claro como uma lagoa azul celeste. A Laís, no esplendor da timidez de seus 23 anos, tinha o nervosismo nos olhos de quem deu o primeiro passo. Os convidei a se fecharem e de lá por diante aquela moça foi a minha namorada. E lá se iam planos de focar em mim.

— Água, senhor?

Meneio negativamente à aeromoça.

Sentado na poltrona do meio, eu espiava pela janela do passageiro à minha esquerda. A cidade de São Paulo ficando cada vez menor, cada vez mais distante enquanto o Aldo acima das nuvens cinzentas notava o Sol cintilante que deixa tudo dourado. Aquele brilho forçava-nos à fileira a fechar os olhos. Eu estava mais agitado que o de costume naquela tarde. Na fileira à frente e do outro lado do corretor do 737, ouvi a voz de uma mulher contando a alguém algo sobre fotografias tiradas em viagem à Ásia. Forcei-me à dianteira, procurando manter alguma discrição ao tentar enxergar a dona da voz que vinha das poltronas adiante e do outro lado do corredor. Eu não conseguia enxergá-la, entretanto continuei a ouvir o timbrado tranquilo, ponderado, que parecia sorrir ao explicar quão bonita fora a viagem em meio as monções tailandesas. Um estímulo e os meus pensamentos criaram todo o resto. De repente, boom. Não em som. Em solavanco. Algo físico que senti na altura dos olhos que me fez recuar a cabeça involuntariamente. Comigo sentado na poltrona 25B do 737 sentido São Paulo-Porto Alegre, parecia que a aeronave havia feito Mach 1, o que era absurdamente impossível para um avião comercial daquele porte. Minhas mãos tremiam e eu não conseguia me mexer, sequer explicar para mim o que ocorria.

Sou tomado por uma sensação de urgência, um medo descomunal sem qualquer sentido, razão ou lógica. Simplesmente parecia que algo abstrato expurgava meu corpo de dentro para fora como se todo o medo que eu deixara de um dia ter, exalasse de uma única vez, tão imediata que o pavor de não saber o que estava acontecendo me fez encolher na poltrona e, meu coração, disparar. “Calma”, eu me disse, por pouco não verbalizando; respirei fundo o mais silencioso possível e repeti o processo algumas vezes. “Calma” e eu respirava. “Calma” e eu respirava outra vez, manualmente.

— Que merda eu tô fazendo da minha vida? — murmurei.

A senhora sentada ao meu lado esquerdo, do lado da janela, iniciou o movimento com a cabeça para fitar-me, como se tivesse escutado, contudo interrompeu-se e voltou a apreciar a vista através da pequenina janela retangular ao seu lado.

Pousamos. Pedi perdão e licença a todos ao passo que eu ultrapassava os demais passageiros na fila de desembarque. Não lembro de já ter me comportado de modo tão boçal quanto naquela tarde na fila. Consegui uma brecha no último lance de pessoas, agradeci a tripulação ao passar pela porta frontal da aeronave e saí em passos largos, me perguntando por que todos tinham de ser tão lentos. Com a mochila cheia de documentos de trabalho, passo pela ponte telescópica que conectava o 737 aos saguões do Aeroporto Internacional Salgado Filho e, ligado no 220 volts, eu era capaz de ver qualquer detalhe fora do lugar e me assustar com isso. “Preciso sair daqui”, eu repetia incessantemente. Talvez até mesmo em voz alta. Não sei. O descontrole foi inédito e surreal.

Fui direto ao escritório da Laís. Após quase dois anos frequentando aquele lugar, entrei sem me apresentar, cumprimentei superficialmente a secretária e, de sorriso plástico, me aproximei da mesa da Laís. Enigmático aos meus próprios olhos, a beijei antes que ela pudesse se levantar da cadeira. Recordo dos seus colegas estarem sentados ao nosso entorno naquela sala. A situação não foi nada profissional. Ainda assim, eu fiquei ali, parado, olhando para ela como um lunático.

— Tá tudo bem? — questionou ela de voz doce e olhos arregalados — Me espera que saio contigo, tá bem?

Agradeci o convite, inventei qualquer coisa e saí dali. Caminhei por dois bairros inteiros, entrei no meu escritório, fiz a ata da reunião de São Paulo à diretoria e, uma semana depois, entreguei minha carta de demissão sem qualquer explicação plausível para alguém a tantos anos lá.

Caminhei até o Mont Serrat, abri a porta do apartamento, desabotoei a camisa, dobrei-a, me sentei a beira da cama no quarto e, cheirando rapidamente o colarinho da Ellus, a larguei dobrada ao meu lado.

“Preciso comprar sabão em pó”, lembrara eu. Um aperto sufocante me tinha naquele silêncio sepulcral no quarto. Por fim, eu me disse “Que merda, Laís”.

A pior decisão tomada eu ainda não havia anunciado e precisava fazer aquilo logo. O pior é que ela me amava e tudo era tão leve entre nós.

Quando o dia chegou, suas mãos prendiam-se ao meu rosto e seus lábios mordiam-se trêmulos. Ela sempre fora calada, de olhares risonhos e sorrisos largos. De toque gentil e gargalhadas repentinas. Não importasse o que eu dissesse à ela, cada sílaba iria feri-la cruelmente.

— Os anos vão passar… — eu gaguejei — O tempo vai passar e logo eu vou tá aqui de volta…

Na dor apaziguada de uma mente muito madura, Laís balançou o rosto de um lado ao outro, deixando evidente quão estúpido fora o que eu acabara de dizer.

O som dos trilhos é como um relógio de corda. Um pulsar previsível, contínuo. Nas últimas horas, perco-me no borrão que a linha férrea deixa à janela. Queria eu que mágica fosse possível, que o tempo andasse ao revés. Estressar Schrödinger, Everett e então desvendar as lacunas da Interpretação de Muitos Mundos só para eu viajar repetidamente pelas realidades onde ainda vivo meus melhores dias.

Abrindo o livro dos truques e aprendendo a como fingir uma viagem no tempo, estendo minha mão à você. Não me questione, só a pegue. Abandonei momentos, coisas, lugares e pessoas para viver uma aposta incrível. Num salto do calendário para lá de muitos dias, me veja louco, a gritar de euforia na solitude dos desertos do Chile ou Oriente Médio; dirija comigo, segure o volante a 150 quilômetros por hora com os Alpes austríacos ao lado; abra o vidro, grite o que quiser! Seja um doente mental! Foda-se se formos pegos. Não temos dinheiro mesmo! Venha cruzar o inverno andino até teus dedos congelarem ao tocar o céu; desde o colorido quente do Caribe colombiano ao monocromático gelado do Mar Negro no Cáucaso; pegue uma bebida e não se assuste eu se sumir por horas ou dias. O acaso joga junto e volta-e-meia mulheres lindas e de idiomas tão distintos visitam nuas meus parágrafos. A quem diga que amor sempre acontecerá. Eu, como hoje nesse trem, acredito nisso mais do que nunca.

Me abrace, gargalhe, chore. Brigue comigo! Mas me faça companhia na viagem de uma vida.

Aldo.

Aldo Lammel, Todos direitos reservados