Retrospectiva 2015 de uma Cicloviagem

Oi, me chamo Aldo Lammel e estou viajando com o Mochila & Bike, uma aventura solitária, sem dinheiro e de bicicleta através de 40 países ao longo de 40 meses — para realizar o sonho de escrever minhas memórias. Comigo levo poucas coisas e algumas delas são uma câmera compacta e a vontade de experimentar cada país ao meu modo, sem regras ou medos.

A série original, que traz 10 imagens, contará à você sobre minhas experiências por terras as quais nunca estive. Já nesta edição de fim de ano com 12 fotografias, especialmente chamada de RETROSPECTIVA, você terá um compacto do primeiro ano desta aventura única de volta ao mundo. Entre inúmeros registros de pessoas, momentos e lugares, ilustrei cada mês na lista abaixo com uma imagem feita naquele mesmo mês e que represente de modo fiel a experiência vivida. Desfrute!

Todas as fotografias são de minha autoria e podem ser compartilhadas respeitando os Termos de Uso.


1# Janeiro
Eu pelas ruas de Porto Alegre meses antes de partir (por Adriano Saraiva, Todos os Direitos Reservados)

Janeiro — Foram quinze meses de espera para eu conseguir sair de casa. Desenvolver uma viagem de três anos sobre uma bicicleta para escrever um livro e produzir vídeos para a internet vai muito além da vontade de viajar, você tem de querer. E muito. Nos dias mais difíceis, aqueles que eu acidentalmente recordava do que eu vinha abrindo mão, montava na Garibaldi e apenas pedalava. Entre os carros e motos, na velocidade mais alta que minhas pernas me impulsionavam, eu costurava o trânsito em busca de algo mais forte para sentir até o 31 de janeiro chegar e eu poder partir.

2# Fevereiro
Dona Zeli, uma das primeiras pessoas que me ajudou na estrada ainda no Brasil (Aldo Lammel, CC BY-NC)

Fevereiro — Na estrada há poucas semanas, ainda era o período em que me fazia perguntas as quais hoje já não me faço mais. "Será que alguém me ajudará hoje?" ou "Porque hoje está sendo tão difícil?" O fato mais reconfortante da minha viagem é ter a convicção de que o mundo é feito de inúmeros defeitos, embora tomado de pessoas boas que querem compartir com você se você deixar-se conhecer.

3# Março
Eu em um tanque Sherman da Segunda Guerra Mundial — Rio Cuarto, Argentina (Aldo Lammel, CC BY-NC)

Março — Minha passagem pela Argentina foi rápida, um mês somente, todavia lá foi o primeiro país onde me diverti com minhas bobagens e bobices, como a de entrar em uma base militar sem autorização para fazer uma fotografia que não seria possível se eu pedisse.

4# Abril
Punta de Vacas diante da magnitude da Cordilheira dos Andes — Argentina (Aldo Lammel, CC BY-NC)

Abril — Então eu estava diante da Cordilheira dos Andes, a segunda cadeia de montanhas mais imponente do mundo. Cruzá-la de bicicleta seria um desafio novo para mim e para lá eu fui. O vento me castigou mais que o frio abaixo de zero que fazia nas noites, contudo foi a escala monumental das coisas que levarei na minha retina por toda a vida. "A cidadezinha era um grão de poeira aos pés das montanhas a sua volta. Eu ainda estava longe, mas não recordo outra paisagem natural que tenha me feito erguer tanto o queixo para deslumbrar o topo acima", escrevera eu em meu diário.

5# Maio
eu ilegalmente no Observatório Astronômico CTIO — Valle de Elqui, Chile (Aldo Lammel, CC BY-NC)

Maio — Me disseram que eu não poderia. Sem planejar, meu lado inconsequente montou uma mochila com apenas o necessário para sobreviver por uma noite e então furei a segurança e caminhei por 30 quilômetros entre as montanhas durante toda a noite e, no início da tarde do dia seguinte, eu estava no topo do lugar onde as estrelas mais brilham no mundo. O sonho de criança, de um dia alcançar as estrelas e, lá do alto, olhar para baixo e ver o todo.

6# Junho
Manhã seguinte a quase morte na noite do deserto do Atacama em busca da Cratera Monturaqui— Chile (Aldo Lammel, CC BY-NC)

Junho — Poucas semanas depois de quase ter morrido durante uma escalada, fico perdido sem água, sozinho e a dezenas de quilômetros dentro do Deserto do Atacama. Foram horas de puro horror psicológico. Daquele dia em diante, prometi à mim que não confiaria cegamente no meu ótimo senso de direção, habilidade que está sujeita a falhas nos momentos em que não poderia falhar. Apesar do susto, eu tomaria a mesma decisão porque se eu não assumir riscos e ir buscar o que é meu, ninguém irá por mim.

7# Julho
Primeira noite da travessia de bike do maior salar do mundo, o Uyuni. Um dos ambientes mais mortais da Terra — Bolívia (Aldo Lammel, CC BY-NC)

Julho — Precisei de dois dias e duas noites para completar a travessia do maior salar do mundo, o Uyuni, também considerado o ambiente mais plano da Terra e um dos mais letais devido a falta de orientação visual para a navegação, buracos com até 120 metros de profundidade e, claro, o extremo frio que faz assim que o sol se põe. Depois de ter princípio de congelamento em dois dedos da mão dias antes, na segunda noite de travessia do salar, enfrentei apenas com minha barraca a noite mais fria da minha vida: vinte e quatro graus negativos.

8# Agosto
Manhã seguinte a um dos encontros mais bonitos do primeiro ano de viagem— La Paz, Bolívia (Aldo Lammel, CC BY-NC)

Agosto — Tinham quase três meses que minhas únicas companhias eram os desertos, estradas e as temperaturas que oscilavam. Foi em La Paz, a cidade onde menos esperava ter alguma sorte, ganhei uma linda história para pôr em parágrafos à você. Quem sabe você foi uma das milhares de pessoas que vibrou, chorou e sorriu comigo e com a Ceci naquela página "16#" do diário

9# Setembro
Laguna Parón, Valle Sagrado Inca, em Caraz — Perú (Aldo Lammel, CC BY-NC)

Setembro — Acima dos quatro mil metros de altitude, encontrei um lago de águas azul-turquesa, rodeado por montanhas de picos nevados e na companhia de dois amigos de estrada brasileiros. Um deles, foi uma inspiração para mim antes mesmo de eu iniciar minha viagem; e para o outro viajante, fui eu uma de suas referências para inspirar-se a viajar pelo mundo em sua própria aventura. O mundo dando voltas e unindo pessoas de espíritos tão semelhantes.

10# Outubro
Juan (Espanha) e eu em Montañita — Ecuador (Aldo Lammel, CC BY-NC)

Outubro — Foi no Ecuador, em uma praia conhecida por ter uma das melhores ondas de direita do mundo, que aprendi a surfar e fiz amizades que eu apenas gostaria de não ter de deixar para trás. Mas partir e seguir é a a certeza que o caçador de sonhos tem no brilho dos olhos. Um abraço apertado, o sorriso mais verdadeiro do mundo e um adeus sem olhar para trás, apenas vá.

11# Novembro
Vulcão Quilotoa — Ecuador (Aldo Lammel, CC BY-NC)

Novembro — Cavalguei meu primeiro vulcão e, do seu topo, fui até sua boca para ver e tocar o verde borbulhante de suas águas. Foram três dias e duas noites contemplando ao meu modo a beleza antiga e inativa do que já fora um dia um violento e colossal cuspidor de fogo.

12# Dezembro
Um daqueles acidentes. Popayán — Colômbia (Aldo Lammel, CC BY-NC)

Dezembro — Diante de tantas novidades para um único par de olhos, escrevo minhas memórias que vão além das distâncias percorridas ou dos acidentes vividos pelo coração. As linhas que venho riscando contam muito mais do que a história do menino que queria escrever uma aventura, dizem a respeito do homem que busca momentos que inflam pulmões com o melhor dos perfumes: o amor.

Que meu 2016 venha com novas doze imagens pelo mundo e que elas me levem a sorrir ao revisitar cada uma com olhos marejados de saudade e memória assustadoramente detalhista.

Feliz 2016 pra gente.


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