Cronograma de Viagem

Para o sonho sair do papel, ainda que você romantize que o vento deveria lhe levar, definir datas para as metas é fundamental.

Planejando | por Aldo Lammel

Eu nos primeiros meses de planejamento (Aldo Lammel, Foto divulgação)

Definir um cronograma logo no início do meu planejamento foi a melhor coisa que fiz porque junto da organização mental que a data de partida trouxera, uma dia específico a focar, a sensação da viagem estar nascendo aumentava em mim. Agora pode não parecer necessário tornar "formal" a data do início da viagem, contudo quando eu vi outras pessoas sendo afetadas diretamente por minha decisão de partir, além de saber que seria mais organizado para mim mesmo, me pareceu mais correto e justo mostrar que não se tratava de uma brincadeira impulsiva e de mal-gosto com quem ficaria para trás por definitivo ou por um tempo indeterminado. Apesar de eu ter a data em mente não ter confortado ninguém além de mim, ela foi um dos primeiros passos importantes que facilitariam meu futuro naquele projeto, principalmente de deixar claro para todos que me rodeavam que eu não voltaria atrás nas decisões e seguia na direção de quem tiraria algo difícil do papel. Não teve muitas elaboração para chegar no período que eu investiria no planejamento da viagem, mas como eu não tinha equipamentos e eu queria tornar a viagem documentável, me pareceu que 12 meses seriam o bastante para me sentir 100% pronto para partir. Se naquele um ano eu já não tivesse com tudo em mãos — ainda que eu não soubesse o que era "tudo" — eu a começaria a expedição de qualquer modo. O segundo passo foi definir quanto tempo eu viajaria.

Talvez você seja a maioria das pessoas que põe na cabeça que vão viajar pelo mundo sem data para voltar, mas como você já me permitiu lhe aconselhar no momento que passou a ler-me, escute: eu não conheço ninguém que esteja viajando após dizer que viajaria sem data para voltar pra casa. Aliás, me arrisco a especular que a esmagadora maioria das pessoas que um dia vieram até mim dizer que viajariam por tempo indeterminado nunca sequer começaram a tal viagem. Já o oposto, aqueles que planejaram sua viagem, que tinham uma data para voltar para casa, muitas vezes viajavam e acabavam por estender suas experiências no exterior. Importante não é seguir o cronograma a risca, mas tê-lo sempre me ajudou — e pelo jeito a outros viajantes — a tirar os planos do papel e não ficar flutuando no mundo dos desejos.

Colei um mapa do globo na parede do escritório e fiquei olhando para ele. Para eu saber quanto tempo eu precisaria para fazer uma volta ao mundo, eu precisava definir quais países eu queria conhecer. Contei no mapa e deram aproximadamente 40. Naquele mesmo ano eu havia viajado para o Rio de Janeiro e eu me perguntara na ocasião quanto tempo era necessário para se cruzar um país o conhecendo bem. Eu não pensara em muitos detalhes que influenciaria na autonomia da travessia (tempo de visto, tipo de transporte, situação política, econômica, topografia, tamanho geográfico do país e clima), mas por algum motivo eu pus na cabeça que um mês seria um bom tempo já com alguma gordura e eu por sorte estava muito correto pelo estilo de viagem que eu viria a adotar. Se eu tinha 40 países em mente, temos um mês por país e a resposta do tempo de viagem veio instantaneamente.

— Puta que pariu, mais de três anos viajando! — eu disse em voz alta, com um sorriso insano nascendo do canto da boca e estendendo-se até as duas orelhas.

Até aquele momento eu já tinha investido quatro meses pra tomar as decisões básicas pra eu me sentir livre para pensar na viagem, estipulado a planejá-la por um ano, seguido de três anos de expedição e, de acordo com um dos diários de viagem que li, um dos viajantes precisou de seis meses para desfazer as mochilas após a volta ao mundo e se recolocar no mercado de trabalho. Com a informação, conclui que era um indicador minimamente confiável para a minha readaptação após a viagem ainda que este tipo de previsão seja sensível a todo o contexto do futuro retorno. Ainda assim, eu quis mapear isso. Se parece desnecessário pensar neste período, pense por esta perspectiva: o que você fará com todo o material que você coletou durante sua viagem? Somente engavetar? É bem possível que após sua trip você queira por ordem nisso tudo além de se reposicionar no mercado de trabalho ou nos estudos, etc. Essas coisas levam um tempo e nada melhor para quem está tentando ver uma fotografia do futuro contar com este momento no cronograma.

O meu cronograma ficou assim seguindo a estrutura básica de gestão de projetos:

  • Idealização (leituras, ideias, rascunhos) = 4 meses;
  • Planejamento (identificação de tudo que eu iria precisar e providenciar o que fosse necessário) = 12 meses;
  • Execução (a viagem em si por 40 países) = 40 meses;
  • Encerramento (voltar para casa, organizar o que foi coletado na viagem, me recolocar no mercado de trabalho) = 6 meses;

O que antes pareciam ser 40 meses de viagem, para mim mostrava-se uma aventura que eu precisaria investir 62 meses da minha vida para conquistar por completo o sonho. Eu me dera a chance de me perguntar aos 29 anos se eu queria investir cinco anos da minha vida para realizar meu maior sonho. Não deixei para a última hora para descobrir o cronograma antes invisível da aventura que eu vinha me colocando e respondi com muito medo que sim, eu estava disposta a fazê-la acontecer.

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