[porque cortei dois terços dos meus seguidores e tornei privado meu Instagram]

Sempre amei fotografia. Isso fez meu amor pelo Instagram ser instantâneo. Lá era possível ver e compartilhar imagens com quem tinha essa mesma paixão. Gente de todo o mundo, com vidas, pensamentos, perspectivas diferentes: uma grande comunidade unida se expressando e se comunicando por imagens.
Como dizem na internet, quando comecei a usar a rede era tudo mato por lá. Nada de empresas, visões profissionais ou influência do tio Mark. Nada de feed selecionado. Você seguia pessoas, elas postavam, aparecia tudo ali pra você, o que você postava aparecia pra todo mundo. Você curtia, comentava, era comentado, recebia feedbacks, tinha insights criativos. Era lindo.
Mas assim como lugares paradisíacos que visitamos, em algum momento o Instagram foi descoberto e invadido. A compra pelo Facebook como temiam os usuários mais antigos trouxe anúncios, comércio, empresas, controle do que se via. Movimentos que não combinavam com as boas energias que fizeram a comunidade fotográfica se apaixonar há quase dez anos.
Em 2018 eles anunciaram 1 bilhão de usuários ativos. Pouco a pouco milhões de seguidores fantasmas e curtidas pagas apareceram para fazer girar a máquina de fazer negócios em que a rede se transformou.
O resultado disso foi a chegada de mais e mais seguidores que não interagiam com as imagens — seguiam meu perfil apenas porque me tornei uma possível consumidora de produtos ou marcas. Milhares de pessoas que me seguiam sem acrescentar nada ao que eu mostrava e que é tão precioso para mim: o registro do mundo visto por meus olhos, meu diário de vida.
Meu primeiro movimento foi tornar a conta privada. Passei então a negar pedidos de conexão quando estava claro que não existia nenhum tipo de interesse genuíno, fui eliminando seguidores aos poucos. Na última semana, sentindo uma tristeza enorme ao ver que realmente aquele espaço que era tão especial mudou pra sempre, cortei mais de dois terços daqueles quase quatro mil que ainda restavam.
O Instagram ainda é minha rede favorita junto com o Twitter e o LinkedIn, mas, apesar de todo o carinho que tenho, a mágica acabou.
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