Beleza Importa

A beleza importa, com certeza. Todo mundo sabe disso. O verdadeiro dilema se encontra no fato de que muitas pessoas acreditam que a beleza é única e nós, involuntariamente, nos forçamos a nos adaptarmos a esse padrão que é ditado por sabe-se lá quem. Quantas vezes deixamos de usar um certo tipo de roupa que gostamos muito só porque “não nos favorece”? Quantas vezes tivemos um dia ruim porque nosso cabelo simplesmente não ficava do jeito que deveria ficar? É sobre isso que fala a cantora Melanie Martinez na canção “Mrs. Potato Head”, quando aponta que a cruel cultura da beleza acaba ensinando às pessoas que a única maneira de serem felizes consigo mesmas é através de um rosto e um corpo bonito, o que quase nunca acontece de verdade.

O grande problema, acredito eu, é que a beleza como conhecemos é simplesmente inalcançável. Os nossos modelos são frutos de ajustes cirúrgicos e digitais e, mesmo sabendo disso, nós nos empenhamos em uma luta eterna afim de ficarmos parecidos com essas “não-pessoas” que, por incrível que pareça, também passam o resto das vidas delas em busca da perfeição física.

Enormes quantias de dinheiro e tempo são gastas em cirurgias plásticas, suplementos, maquiagens, roupas, academia e uma lista interminável de aparatos que prometem melhorar sua aparência e nós nem percebemos que essa é uma corrida injusta, que só beneficia aqueles que vendem esses tipos de produtos. No meio do caminho para a utópica imagem adônica, nós não perdemos só a nossa essência, mas também acabamos derrubando os outros “concorrentes”, o que culmina numa atroz disputa que, no fim, depende de quem tem mais disposição para ser aquilo que não é verdadeiramente.

Um certo conto para crianças fala sobre um vendedor de vasos que produzia jarros de diferentes qualidades, mas vendia todos pelo mesmo preço. Esse vendedor era conhecido por ter belos trabalhos e outros assim não tão bonitos e, quando confrontado a respeito da sua atitude ao vender todos os jarros pelo mesmo preço, ele respondeu que a beleza não era algo pelo qual ele poderia cobrar. Ele cobrava pelo jarro. A beleza viria com o tempo… com as flores que ali seriam depositadas, com as cantineiras que seriam enfeitadas e com os sorrisos de quem encontrasse felicidade em admirar aquele ornamento.

No fim das contas, apesar de ser uma história muito otimista, o vendedor de vasos não deixa de ter razão. Alguns vasos tinham a sorte de serem apreciados por um maior número de pessoas, mas a verdadeira essência de sua beleza estava contida no sentimento de cada um e isso é algo que não se pode calcular.

Assim como o vendedor não achava que deveria cobrar pela beleza de seus jarros, nós também não podemos cobrá-la de nós mesmos, afinal ela é algo que se constrói nos corações de outras pessoas e, quando isso acontece, a beleza padronizada, que é tão distante do conceito real que a palavra tem, acaba perdendo sua importância. Portanto, que se danem as gordurinhas e as celulites! Que se danem as sobrancelhas falhas e os narizes tortos! Que se danem as costelas proeminentes! Ser feliz consigo mesmo é muito mais importante e possível, enquanto rostos bonitos não são capazes de fazer ninguém melhor do que ninguém.

Dados da obra

Título: Mrs. Potato Head

Artista: Melanie Martinez

Álbum: Cry Baby

Lançamento: 2015

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