Aeroportos brasileiros, me deixem trabalhar.

Fernando Pessoa disse “ Navegar é preciso, viver não é preciso.” Essa frase é bem apropriada a grande maioria das pessoas que estão passando atualmente pelos aeroportos brasileiros. Basta olhar em volta e perceber que o uso dos aeroportos é primordialmente de negócios. Milhares de pessoas conectadas em seus laptops, celulares e tablets fazendo pequenas reuniões, ligações, planilhando e claro, “navegando na internet”. Eu mesmo, escrevo este artigo no Starbucks, numa ponte aérea em Campinas.

Os Aeroportos, de forma geral, não estão preparados para isso. A disputa por tomadas é ferrenha, a coisa é feia, você vê o pior das pessoas quando sua bateria está minguando. Os necessitados se aglomeram em volta de qualquer tomada e não é raro ver alguém com um celular na mão com cara de perdido andando atrás de uma oportunidade, procurando alguém “dando mole” numa tomadinha.

Outro problema é a internet. 3G e 4G de todas as operadoras ficam muito ruins dentro do aeroporto. Não sou especialista na área para explicar o motivo, mas suponho que seja pela quantidade de gente num único local tentando usar. Já as soluções de Wifi são uma tristeza. Você invariavelmente fica refém de um cadastro pra ter acesso a um sinal horrível de internet. Sério mesmo, me lembra a época da internet discada, dá pra ver as imagens sendo carregadas, quase que pixel por pixel.

Quero deixar um recado bem claro para os aeroportos:

O mundo mudou, as pessoas precisam de tomadas e internet, simples assim.

O futuro do trabalho será cada vez mais conectado, mais digital, essa é uma tendência que não vai diminuir. Estou no aeroporto novo de Campinas, tudo parece parece impecável, menos a disponibilidade de tomada e claro, internet de qualidade. Sei que boa parte das pessoas vai usurpar esse benefício vendo vídeos no Youtube e Netflix, mas muitos, como eu, só querem um lugar tranquilo para trabalhar, enquanto esperam seu voo. Trabalhar hoje em dia significa entrar na internet, ver e-mails, mandar arquivos, estar conectado no Whatsapp, Slack, Trello, etc.

Uma sugestão que dou é colocar à disposição mais áreas VIPS ou não tão “Vips”, mais baratas, focadas nestas necessidades. Eu pagaria feliz para ter um espaço de trabalho no aeroporto. O café onde estou agora coloca à disposição uma internet “legal”, mas o barulho é insuportável, fora a falta de privacidade. A cada 2 minutos alguém passa olhando a minha tela. Um espaço privado, nem que seja um pouco, com tomada e internet valeria muito e pode ser uma excelente oportunidade de negócio. #ficaadica