A pica solidária

Amigues do Manual, às vezes a sorte nos sorri. Você encontra pelo caminho um sujeito tão bom de cama, tão bom de lelê, que você pensa: “com esse eu caso”.

Esse tipo de homem é o cara que vive a vida, um hedonista, um vaidoso. O lance dele não é só conseguir o próprio prazer, mas ter orgulho em dar prazer à mulher. São daqueles entregues, que transam como se o mundo fosse acabar no dia seguinte, sabe como é?

Você, ao encontrar “o grande comedor”, se sente sortuda. O céu brilha mais, a pele fica boa e pra quê mesmo terapia? Então amigues, é isso tudo sim. Sexo mexe quando é bom, mas quando ele é espetacular, o buraco é bem mais embaixo. Você vira diva. Ou, pelo menos, se sente assim. O problema de encontrar esse tipo de sujeito está em como você lidará com o seu coração. Já vou logo avisando amigues, cuidado para não se apaixonar pelo comedor. E mais: cuidado para não desenvolver o famoso “amor de pica”.

Eu mesma já encontrei três tipos como esse na vida. Vou relatar com a letra de Teresinha, de Chico Buarque. Ah, o Chico…

O primeiro, me chegou… era um bon vivant das noites cariocas. Dançarino, imponente, se achava. Estava numa casa de dança na Lapa com uma amiga. Forró pé-de-serra. Estávamos sentadas falando da vida, quando o carinha cruzou o salão vazio e me tirou para dançar. Éramos só eu e ele naquele piso de tábuas corridas. Ele me ensinava passos com toda paciência do mundo, logo tomou meu corpo como se fosse uma boneca de pano. Nos encontramos algumas vezes para dançar, até que um dia, depois do baile, rolou. Minha Nossa-Senhora-da-Calcinha-Molhada, eu nunca tinha visto tal coisa!

Era um trapezista, um contorcionista, sei lá. Saímos por um mês, até que joguei a toalha. Como ter vida dançando três vezes por semana e transando freneticamente? Uma hora a brincadeira precisava parar. Ele pegava várias ao mesmo tempo e, na boa, eu não sabia como ele dava conta. Um dia, quando eu estava empolgadíssima depois de um orgasmo fenomenal, soltei a pérola: “meu querido, para de estudar, para de trabalhar, você poderia ser michê”. Ele riu. Senti que ficou orgulhoso na hora, mas depois, ao pensar no que eu havia dito, ficou muito ofendido. Pois é. Aprendizado: cuidado com o que vocês dizem depois de um puta orgasmo. Se soltar um “eu te amo”, avisa logo que está na brisa do gozo. Mas isso é papo para um outro episódio do Manual.

O segundo me chegou… era mais velho e foi casado por anos. Tinha o histórico de casamento frustrado, pouco sexo, zero companheirismo e com dor no coração caiu na lama da luxúria para tentar aliviar seus dissabores (bendita lama). Consequência da empreitada: aprendeu TUDO. Sabia exatamente TUDO que gostamos e queremos. Desenvolveu a habilidade de manipular o corpo feminino como ninguém. E mais, sabia que é preciso fôlego. Era malhado na medida e tinha uma enorme capacidade aeróbica. Com ele, sexo era bom e era exercício. Praticamente você tinha um orgasmo homérico com seu personal trainer — ou sexual trainer.

Era old school, do tipo que come só uma mulher por vez, estava subtendido isso na relação. Eu adoro os caras old school. Era maravilhoso não ter que ficar tratando de protocolos e regras. Ele era o FODA CERTA dos sonhos, o único problema é que com o tempo ele se apaixonou. Pois é, pior… pra mim. Fiquei dividida. Se eu dissesse não, perderia a companhia. Se eu dissesse sim, perderia a companhia também. Minha intuição gritava, mas aceitei a proposta. Tentei amigues, mas não dá. O sexo pode ser dos deuses, mas a gente não vive na cama o tempo todo, sacou?

O terceiro me chegou… bem depois. Dessa vez quem estava no comando era eu. Eu já tinha virado a Mulher Solteira Independente e sabia muito bem o que queria e o que gostava. Aí foi tango. E pra essa dança, os dois devem saber os passos, as viradas de pernas, as quebras de movimento. Foi assim por quase dois meses. Puro tango do mais rasgado e cliché da minha vida (até hoje). Muita poesia no ar, referências literárias e musicais incríveis, o que fazia tudo ficar muito mais interessante. O sexo era embalado por melodias, por cheiros, por devaneios e por personagens. Era interessante porque, pela primeira vez, eu me relacionei com alguém parecido comigo. Tinha suas manias, gostava de ser solteiro e pra se agarrar a outra pessoa haveria de ter muita paciência e treino.

De todo modo, o terceiro me ensinou muita coisa. O tango dele era incrivelmente rebuscado, melodramático e intenso. Tão intenso, que durou pouco. Assim como chegou, de repente não nos falamos mais e acabou. Não houve conversa, não houve briga, não houve cobrança. Melhor assim. A gente aprende a começar, mas nunca aprende a terminar. Tem hora que é preciso tirar o time de campo, porque é hora de partir, é hora de viver outras coisas. Tem homem que é pra viver amor duradouro e tem homem que é pra viver aventura. Aprenda a avaliar qual o seu momento e também qual é a bossa do carinha. Forçar relacionamento não é legal, nem pra você, nem pra ele.

E aí o Manual chega a seu ponto deste novo episódio.

Amigues, aprendam uma coisa. Quando o céu se abre e te manda um presente desse tipo, um sexo a ponto de se transformar na noia-do-gozo, você precisa entender que não é pra pensar em namoro ou casamento (monogâmico) com esse cara. Deixa a pica livre pelo amor de Deus! Esses tipos raros são pra ficar soltos na vida, sejam solidárias com as outras amigues. Indiquem os jovens mancebos, desapeguem, por favor! Solidariedade feminina, sempre. Dessa forma, mais mulheres terão a oportunidade de conhecer sexo de verdade. Lembra daquela máxima que o universo conspira para quem sabe dar, receber e retribuir? O Manual acredita nisso com força.

CONSELHO DO MANUAL PARA AS AMIGUES LEITORAS: gata-garota, na boa, reveja seus conceitos e aprenda que, às vezes é bom saber dividir sexo de relação amorosa. Às vezes é só sexo, casual ou ficante fixo. Mas é só sexo. Ponto final. Pára com essa ladainha de ficar ligando para sua melhor amiga para ela te ajudar a interpretar o que está rolando. Você pode até ligar, mas procure uma que seja bem experimentada e experiente e a ouça com atenção. Seja inteligente. Procurar amiga que só vai ficar colocando panos quentes não serve pra nada. É perda de tempo pra você, pra ela e ainda pior, você pode cair na esparrela de acreditar no que ela vai te dizer e se ferrar com o cara comedor. Vai que você perde o pau mágico? Isso ninguém quer né? Outra coisa amada, saiba a hora de tirar o time de campo, seja poderosa e abra a mão do cara, simples assim. Poder é saber decidir. Tome as rédeas da sua vida e siga o seu rumo. Homem não é tudo na vida, para com essa carência tosca. Eu heim! Fala sério. E mais, se você estiver com o coração ferido tire um tempo sabático, fique com caras com os quais você nunca se relacionaria (por medidas de proteção) ou sossega em casa, aprenda a gostar da sua própria companhia ou resgate as relações com amigas antigas ou faça novas amizades, o céu é o limite. Quando a gente está vulnerável é um perigo. Se você sair com um comedor profissional pode cair no canto do sabiá e aí é ladeira abaixo. Homem comedor detesta mulher pegajosa e chorona. Aliás, quem gosta né?

DICA DO MANUAL PARA OS LEITORES MACHOS: Queridos fofoletes, se você é um comedor já deve saber que não é pra sair por ai namorando e casando. Se for casar…casa velho. Se entregue a luxúria e faça as mulheres felizes! Elas te serão eternamente gratas. As coma com vontade e prazer, se jogue na relação e seja claro desde sempre. Normalmente, o silêncio não é um bom caminho para uma mulher, diz desde cara que está magoado com a última relação e não quer se envolver, acho uma desculpa digna. Ela vai entender e ainda vai te dar colinho. kkkk.

Ei, vocês que não são comedores-do-orgasmo-homérico, aprendam a ser gratos aos seus companheiros. Uma mulher que passou por um comedor é muito mais altiva, poderosa e treinada. Sexo é treino. E se ela foi ensinada por alguém, não a julgue, aproveita! Deixa seu preconceito de lado e cai dentro. Ela terá atributos de uma mulher para viver uma vida ao seu lado e ainda por cima será boa de cama. O que você quer mais? Se liga no papo reto do Manual.

Gostaria de deixar meus profundos agradecimentos aos três comedores que passaram pela minha vida e que me proporcionaram momentos i-ne-na-rrá-ve-is. Vocês foram uns queridos! Beijo, obrigada e não me liga.

Figurinha repetida não completa álbum, cês já sabem disso. Fui.

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