Mulheres para seguir no Medium

(Frances Canon)

No início do ano passado, a Ana Paula Maia escreveu um texto chamado Por um Medium mais feminino questionando onde estavam as mulheres no Medium. O texto me chamou atenção, pois eu estava começando a publicar por aqui, com vontade de regularidade, e a primeira coisa negativa que tinha reparado no Medium era que parecia um lugar para homens. Cheguei a comentar com algumas amigas escritoras que o Medium era uma plataforma legal pra publicar textos, mas que era também “o centro de reunião dos mansplainers”.

Acontece que a sociedade em que vivemos já é um centro de reunião de mansplainers e isso apenas se torna mais visível no campo da escrita. Popularmente, conhecemos vários escritores homens e uma ou outra mulher de destaque. A impressão que isso cria é que, pra ser mulher escritora, precisamos nos destacar no meio dos homens — o que torna a luta individual e nos transforma em cotas.

É um fenômeno interessante: o que homens escrevem é lido por homens e mulheres, pois é considerado neutro; o que mulheres escrevem é lido por mulheres, pois é considerado feminino. Sendo assim, vejo muitas publicações mistas que, por serem comandadas por homens, necessariamente têm pontos cegos quanto a questões que afetam mulheres diretamente. Somos obrigadas a dividir espaço com textos muitas vezes misóginos, ou temos que criar nosso próprio lugar.

Frequentemente me perguntava se estávamos conquistando espaço ou criando nicho quando recorremos a um lugar próprio, só de mulheres, para produzir confortavelmente. Em conversas com a Estela Rosa, um novo campo de visão se abriu pra mim: a escrita feminina é tão reconhecida somente de maneira individual, que nosso primeiro passo para conquistar espaço só pode ser justamente a criação de um nicho. E, nesse nicho, a gente dialoga, cresce e caminha uma do lado da outra.

Eu não quero ser a cota feminina de um site, eu não quero me destacar individualmente como escritora mulher. Vejo claramente que faço parte de uma geração de escritoras incríveis, que só precisam de espaço e reconhecimento. Não tenho dúvidas de que a luta por espaço das mulheres na escrita é coletiva.

Muitas pessoas já me pediram indicações — e eu mesma já fiz isso — de mulheres para seguir no Medium. Antes, era preciso garimpar. Hoje, já é mais fácil encontrar mulheres, o que prova que estamos sim conquistando espaço. Trago aqui, então, uma lista de mulheres que acompanho na plataforma. São mulheres de lugares, assuntos, estilos, vozes e opiniões diferentes — porque, pasmem, não somos um grupo homogêneo. Algumas publicam com bastante frequência, outras muito pouco, mas todas me acrescentaram algo de alguma forma que me deixa confortável em afirmar o que afirmei ali em cima: somos uma geração de escritoras incríveis, e não uma ou outra escritora de destaque.

Aline Valek — Escritora e ilustradora que dispensa apresentações e, se você não conhece, já está na hora. Editora da publicação Literatura Ilustrada.

Ana Carolina Magalhães — Já não publica há quase um ano, mas tem um histórico de textos variados para você conferir.

Andressa Faria de Almeida — Feminismo e muito mais, em textos que você lê e nem sente, de tão fluidos, e que conseguem mexer com você mesmo que você não se identifique pessoalmente com o tema.

Babi Vanzella — Impressionante como ela consegue partir de coisas simples e gerar reflexões gigantes. Escrita fluida e gostosa.

Beatriz Trevisan — Uma presença ainda tímida por aqui, ela veio da Capitolina e — perdoem minha cafonice — escreve com o coração.

Brena O'Dwyer — Linguagem poética mesmo quando é em prosa, com aqueles insights que você se sente em casa quando lê e não entende como não pensou sozinha naquilo antes.

Bruna Galvão — Temas variados, numa escrita precisa.

Carla Soares — Escreve sobre leitura e comida com a mesma paixão, tem o poder de tornar qualquer tema interessante pela maneira como escreve, é editora da publicação Outra Cozinha.

Carol Patrocinio — Diz tudo que precisa ser dito sobre tudo que precisa ser falado.

Carolina Walliter — Tradução, trabalho, organização e outros temas, não tem como ler e não aprender.

Celina — Um repertório imenso de poesia, conto e sentimentos, é editora das publicações Fale Com Elas e Pensamentos em cômodos.

Débora Nisenbaum — Aquelas analogias certeiras, aquela linguagem que resume em uma frase tudo que você precisava ler e ela ainda vai lá e dá mais e no final você não sabe o que que aconteceu, mas quer mais ainda.

Duds Saldanha — Publica com pouca frequência, mas tem um histórico variado pra você ver por que ela não pode ficar de fora dessa lista.

Ericka Moderno Rocha — Comportamento, sentimentos, relações com as pessoas e com a vida, numa escrita fácil e fluida.

Estela Rosa — Toda a doçura de uma pisciana criada em cidade do interior explodindo na sua tela. Curadora da nossa Mulheres que Escrevem.

Fabiana Pinto — Negritude, feminismo e mais, em palavras sempre certeiras.

Gabi Machado — Eu não sei o que essa menina faz, mas eu leio e eu choro.

Gabriela Etchart — Já tem um tempo que não publica, mas você pode conferir textos antigos, que narram experiências pessoais daquele jeito que não parece estar falando de si, mas sobre algo humano.

Gio Sacche — Feminismo, relacionamentos, sentimentos.

giovana — Transforma qualquer narrativa de qualquer coisa em algo interessante de se ler.

Karoline Siqueira — Feminismo, sentimentos, escrita que te abraça.

Larissa Lemos — Feminismo, maternidade, relacionamentos abusivos e mais.

Larissa Martins — Leitura, comida e outras temas, com uma escrita muito gostosa de acompanhar.

Maíra Ferreira — Muito sentimentos, tente não se emocionar.

mariana alvares — Se existe, ela tá escrevendo e, se não existe, ela vai inventar e escrever também.

olivia maia — Ansiedade, leitura, escrita, São Paulo e mais.

Paula Medeiros — Muitos sentimentos em muita poesia, um mundo pra você entrar e se perder.

Seane Melo — Contos eróticos, com muito sentimento no meio de muito sexo e vice-versa, numa escrita que me inspira uma comparação infame: é que nem sexo bom, você acaba e logo quer mais mesmo que não aguente.

S. Paiva — Uma presença muito expressiva por aqui, ela escreve muito, sobre tudo, o que você quiser ler vai estar lá. Editora das publicações Fale Com Elas e Umas Paradas Aí e ainda está escrevendo ao vivo pra gente um romance na publicação Novela “Ainda Sem Título”.

Stephanie Borges — Escrita sobre leitura e literatura por um viés interessante, sem mesmice.

Stephanie Ribeiro — Tudo que você precisa saber e respeitar sobre feminismo negro.

RIDÍCULA — Qualquer coisa que ela conta é hilária.

Taís Bravo — Literatura, autoestima, ansiedade, sentimentos e como lidar, em uma escrita versátil, que torna tudo agradável e identificável. Fundadora e editora da nossa Mulheres que Escrevem.

Thaís Campolina — Tudo que tem pra saber nessa vida está lá escrito, de jeito fácil e relacionável.

Thais de Bakker — Política para muito além dos textões lugar comum da internet.

Thayse Lopes — Sentimentos que todas compartilhamos, ser mulher, ser negra.

Valenttina — Escrita poética, sendo ou não poesia, muitos sentimentos.


Você é mulher escritora no Medium e não está nessa lista? Apresente-se nos comentários, deixa a gente conhecer você também. :)