Mulheres que: fazem jornalismo

Arte: Owen Davey

Existe uma série de estereótipos bastante entranhados no imaginário coletivo sobre a profissão de jornalista. Tem os que pensam que a profissão é banhada em adrenalina; os que acham que qualquer um pode fazer o que nós fazemos (e melhor, claro); e a imagem clássica do jornalismo — os homens fortes, ranzinzas, intelectuais, que passam os dias fumando dentro da redação. Sim, na cabeça da maioria das pessoas, inclusive de muitas que estão dentro das redações, o jornalismo sério é trabalho de homem.

Dificilmente alguém pensa nas mulheres que fazem jornalismo de maneira séria. Recebemos um sorrisinho irônico ou um olhar de pena quando falamos que somos jornalistas. Quando conquistamos espaço em uma redação, mesmo que não seja de nossa vontade somos empurradas para temas para os quais somos consideradas mais aptas, como Moda, Celebridades ou Cultura. Por alguma razão, não acreditam que sabemos muito de nada além disso.

Ser mulher e trabalhar com jornalismo, uma profissão ainda tão dominada por homens, é aguentar diariamente comentários sarcásticos sobre a sua inteligência e aparência, episódios de assédio sexual, pequenas violências disfarçadas de piadas e a insuportável insistência para que sejamos sorridentes e amáveis. E, claro, ver o seu colega de trabalho menos competente ser promovido antes de você.

Não é fácil insistir nesse campo. São poucos incentivos e muitos, muitos obstáculos. Mas existe esperança e, melhor que isso, existem mulheres que estão fazendo jornalismo da melhor maneira possível — com cuidado e focando no interesse de nós, as mulheres reais, não as que saem nesses textos assinados por homens supostamente feministas. Esse é o jornalismo que vale a pena.

Abaixo, uma breve seleção de alguns dos meios mais interessantes de jornalismo feito por e para mulheres no Brasil:

Gênero e Número

A Gênero e Número, dirigida por Giulliana Bianconi, Maria Lutterbach e Natália Mazotte, nasceu com o propósito de juntar questões de gênero e jornalismo de dados. O resultado é uma plataforma digital com especiais aprofundados sobre temas muitas vezes ainda não abordados na mídia tradicional e apoios visuais muito atrativos.

Revista AzMina

Dirigida pela jornalista Nana Queiroz, a proposta central da revista é oferecer “jornalismo investigativo acessível, de qualidade e sem rabo preso com anunciantes”, além de online e gratuito, como relatam no site. O projeto ainda por cima estimula a produção de reportagens feministas com um concurso de bolsas para a realização.

Blogueiras feministas

O blog nasceu em 2010, mas já se consagrou como uma plataforma histórica de produção de conteúdo feminista. Os textos vão de opiniões a verdadeiras reportagens sobre o universo feminino que não se encontram em outros meios, tornando-se assim uma fonte de informação em primeira mão em muitos momentos. É coordenado por Bia Cardoso e Thayz Athayde e contam com uma grande equipe de editoras.

Nós, mulheres da periferia

Formado por oito jornalistas e uma designer, todas moradoras da periferia de São Paulo, o coletivo Nós, mulheres da periferia nasceu em 2013 e, desde então, luta por representatividade e visibilidade das mulheres que moram em bairros periféricos das grandes metrópoles. A ideia é produzir conteúdo para combater a falta de informação sobre essa parcela da população, mas também ir além da questão de gênero, atingindo também os campos social e étnico.

Agência Patrícia Galvão

Uma grande veterana na divulgação de informação para mulheres, a agência foi criada em 2009. O objetivo é claro: influenciar no comportamento editorial com relação às mulheres no Brasil, sempre a partir da divulgação e produção de conteúdo informativo sobre esse 50% da população que é tratado de maneira desigual pelos meios.

Revista Capitolina

A Revista Capitolina veio para ocupar um vácuo que existia há muito tempo na mídia nacional — uma revista para garotas adolescentes que fosse feita realmente pensando em todos os tipos de garotas adolescentes, não só naquele clichê dos filmes americanos. Além do mais, é feita por mulheres de várias idades e contextos sociais, o que faz o conceito de uma revista independente e inclusiva funcionar na prática.

Coletivo de Jornalistas Feministas Nísia Floresta

Este coletivo de Curitiba atua mais como um observatório da mídia feminista, dedicado a incentivar um debate sobre tudo que pode ser dito com relação a jornalismo e feminismo. Mas, claro, também dissemina informação sobre pautas feministas, fontes jornalísticas e leituras imprescindíveis.