O conto da mulher passiva

Tinha vergonha de dizer que era passiva, mas quando seguravam sua cabeça e mandavam, chupa meu pau, meu saco, não sentia a menor vergonha de ser o que era: passiva. E não se obrigava a ser mais do que achava que podia ser, até Lilian pegar no seu pé. Parou de se vangloriar dos boquetes vencidos, dos homens que abandonou dobrados ao meio, gemendo e se contorcendo à própria sorte, nem ousou mais mencionar as posições, as conversas, os tons de voz. E o teu prazer, Marcela?, Lilian lhe perguntava e explicava que não percebia, não era ela quem ganhava, só sucumbia. Mas tudo bem sucumbir, acrescentava, se você tiver tentado o outro papel, se souber, realmente souber, que não quer ter o controle.

Dia após dia, ruminava as palavras de Lilian, prometia tentar ser ativa, enquanto seu Allen Ginsberg interior chorava e entre soluços repetia por favor, meu amo, por favor.

Ele já sabia que era ela, porque o porteiro não a deixava subir sem interfonar. Marcela pensou que não fosse deixá-la entrar, mas, antes de devolver o fone para o gancho, o recepcionista já sinalizava o caminho do elevador. Quando abriu a porta, perguntou logo se ela tava bem. Não tô, respondeu descansando o corpo na parede do corredor e respirando fundo. Agora que estava ali, não sabia se conseguia ir até o fim e desejou que a mandasse embora. Seria o sensato, na verdade. Não tinha avisado que ia.

Tiago a encarou sério, em busca de uma resposta para aquela aparição, numa quarta-feira, às 16h, mas fez sinal para que entrasse. Marcela queria transar. Desde que Lilian tinha iniciado a guerra contra a sua passividade, não parava de sonhar com ele. Na noite anterior, tinha acordado com um gemido quase escapando da boca e um tremor subindo pela barriga. Teve um novo pesadelo com fantasmas que tentavam morder suas coxas, sua bunda e sua barriga, fantasmas que sempre apareciam com a mesma barba penteada e encerada, com a cara dele. Por que ele?, perguntou pro escuro. Era verdade que sempre atribuía a ele um lugar especial nas suas lembranças sexuais, de certa forma, tinha descoberto com ele o que lhe dava prazer. Já não se falavam há anos, mas internamente algo lhe dizia que precisava retornar.

Entrou na sala, abriu a mochila, tirou um tubo de KY e jogou no sofá. Tiago arqueou uma das sobrancelhas.

“A gente nunca usou isso”, comentou.

“Não vou deixar você comer meu cu no talo, Tiago”, tentou responder com banalidade.

“Você já deu o cu?”, perguntou passando a mão na barba e mal escondendo o olhar de excitação.

“Já”, mentiu porque achou que não aguentaria que soubesse que seria o primeiro.

“Ok, então”, respondeu antes de pegar o KY do sofá e caminhar em direção ao quarto. Não lhe disse mais nada, só seguiu pelo corredor minúsculo e parou na porta para ver se o seguia.

Quando se viu frente a frente com ele, percebeu a hesitação em beijar sua boca, uma dúvida sobre por onde começar. Por onde retomar depois do último ponto que juraram ser final? Não quis que pensasse em nada, não quis descobrir o que tinha mudado, se estava diferente, se fodia diferente, precisava do mesmo de antes, por favor.

Em sua cabeça, a poesia de Ginsberg começou a ser declamada por uma voz interior. por favor meu amo deixa eu me ajoelhar a teus pés. Ajoelhou em frente a Tiago e desabotoou a calça jeans. Desceu a roupa lentamente, passeou a mão pelos seus pêlos e a boca pelas coxas duras. Afundou a cabeça em sua virilha por alguns segundos, como se houvesse algo ali que pudesse embriagá-la, e só então tirou a cueca, também lentamente. Encarou seu pau, seu saco e seus pêlos fartos com adoração, lambeu a virilha, então, buscou seu olhar, recitando silenciosamente por favor meu amo manda eu lamber tua pica grossa.

“Chupa meu pau”, Tiago atendeu ao seu pedido segurando sua cabeça com autoridade, mas antes que a língua dela encostasse em sua pica, mudou de ideia e ordenou que tirasse a roupa. Obedeceu sem resistir e colocou, uma por uma, todas as peças sobre uma cadeira. Ele apontou para o chão à sua frente e, dessa vez, lhe serviu o pau. Marcela tentou abocanhá-lo por inteiro, sentindo os arrepios e as lágrimas chegando aos olhos quando se aproximou de sua garganta.

até eu engolir & sentir o gosto do teu pau-tronco cheia de veias carne quente delicada por favor.

Tiago empurrou seus ombros e a posicionou de bruços na cama. Segurou suas coxas e posicionou a bunda dela na altura do seu quadril. Sentiu a buceta esquentar, transbordar e o tesão escorrer pra fora de si, sem deixar de pensar em como era bonito que saísse sempre tão translúcido. Ele segurou seu pescoço com força e fez o polegar circular pelo seu cu.

por favor meu amo manda eu dizer Por Favor Meu Amo Me Fode agora Por Favor

“Quer me dar o cu, é?”, perguntou ao ouvido de Marcela.

“Por favor, me come, vem, por favor”

Pegou o KY, lambuzou o pau e espalhou um pouco no cu de Marcela com movimentos circulares e lentos, como se também estivesse apreciando a visão. por favor meu amo encosta a ponta do teu pau nas pregas do buraco do meu eu. Tiago começou a se enfiar devagarinho. Sentiu uma dor aguda nos primeiros centímetros, é tão difícil confiar nele, pensou. Então percebeu que precisaria forçar seu corpo a relaxar, a baixar a guarda, inspirou, soltou e, como uma onda, experimentou o efeito do relaxamento se espalhando por ela com a mesma delicadeza que o pau de Tiago agora escorregava pra dentro de si. Ele a abraçou por trás, acariciou os seios e tocou sua buceta. Começou a masturbá-la enquanto entrava e saía, se enfiando bem fundo em seu cu, rebolando pra caber até o fim.

até minhas nádegas aninharem tuas coxas, minhas costas arqueadas,
até eu ficar só solto no ar, tua espada enfiada latejando dentro de mim.

Tiago ergueu um pouco mais o seu quadril, obrigando-a a ficar de quatro. Sem a estimulação vaginal, Marcela sentiu o corpo novamente se retrair e teve que comandá-lo para que não tentasse resistir. O suor de Tiago pingava em suas costas arqueadas, ele puxava seu cabelo e ela respondia com gemidos, gemia mais, realmente experimentando o que era estar suspensa no ar. Nunca se sentiu tão aberta, era como se o mundo todo pudesse lhe penetrar, como se se desfizesse.

até meu cu ficar mole cachorro sobre mesa ganindo de terror prazer de ser amado

Tiago soltou um gemido sofrido indicando que o orgasmo se aproximava. Começou a fodê-la com mais violência, sua cachorra, disse, parecendo querer romper as pregas até explodir dentro dela. Uma explosão que Marcela imagina, mas que na verdade foram cinco pulsadinhas leves. Quando ele desembainhou o pau do seu cu, Marcela desabou na cama sem forças e gemeu baixinho: ah te amo.

Te amo, te amo, te amo, pensou enquanto o enchia de beijos no rosto e no peito. Ele riu e perguntou se tinha gostado tanto assim. Foi incrível, respondeu mesmo sabendo que em dois anos ou menos teria tido transas melhores e essa pareceria banal, corriqueira. Mas disse e sentiu que foi incrível porque a voz de Lilian não ressoava mais em sua cabeça. Teve vontade de gritar ao mundo o que era, e era passiva, não tinha mais vergonha de ser assim. Pensou no domínio que tinha sobre si, sua cabeça, seu corpo, ceder é uma escolha, não é involuntário, constatava pela primeira vez. E o que a excitava e dava prazer era isso. Não diminuía, quando tocava o chão, era maior que tudo.


Eu sei, é meio brochante pedir um ❤ depois de um conto erótico, né? Mas, só para avisar, eu ficaria realmente feliz em saber o que você achou. Então, deixa um coração, um comentário ou um real.


A ilustração desse texto foi um presente do querido Savron! E se você quiser ela para decorar a parede do seu quarto da mesma forma que eu quero, é só entrar em contato pelo Instagram.