“A gente precisa ter espaço pra falar das nossas dores, mas também das nossas alegrias”

Taís Bravo
Jul 31 · 13 min read

Conheci Cecília Floresta a partir da zine “que o dedo atravesse a cidade, que o dedo perfure os matadouros” publicada pela iniciativa Palavra Sapata e desde então venho acompanhando seu trabalho pelas redes sociais. Quando li seu livro “poemas crus”, senti uma forte conexão com suas referências, questões e posicionamentos . Queria escrever uma resenha sobre ele, mas fiquei ainda mais instigada para saber sobre o processo de escrita de seus poemas e sobre o que veio depois desse primeiro livro publicado em 2016. Foi pensando nisso que propûs a Cecília uma entrevista para a Mulheres que Escrevem. E foi assim que no final de abril trocamos os longos aúdios que me encheram de fôlego e ideias. Desde esse papo, Floresta também colocou mais uma obra no mundo, a zine “genealogia” que é atravessada por muitos pontos que aparecem nessa entrevista e pode ser comprada diretamente com a autora.

Então, para começar, eu queria perguntar sobre o “poemas crus”. Eu li e me identifiquei muito com a sua escrita. Me lembrou muito de uma certa época da minha vida, principalmente pelas referências como Leminski, Drummond, Ana C., que são referências de um período às vezes de contato mais inicial com a literatura. Como foi o momento de escrita e de edição desse livro?

O “poemas crus ” — o próprio nome que eu escolhi, né? “crus” — são poemas que eu chamo de poemas iniciais. Eu escrevo desde uns 13, 14 anos. Comecei meu blog, o desconversas afins, aos 15 anos. Foi quando eu comecei o processo de colocar a escrita no mundo. O blog era uma maneira mais fácil de compartilhamento e também funciona como uma gaveta aberta, pra organizar textos, temáticas, enfim. O “poemas crus” então vem desde essa época, com uns 15 anos.

É claro que passamos muito tempo escrevendo um livro de poesia, porque é um compilado de momentos. Muitos dos poemas dentro do “poemas crus” foram reciclados, alguns diminuíram, outros cresceram. Rolou um intervalo de uns 15 até os 20 e tantos anos. E esse livro só virou um livro porque recebi muita força de uma amiga minha sapatão que me incentivou a compilar os textos e mandar pra uma editora. Foi quando mandei pra Patuá e o Edu topou publicar. Penso muito na autoestima que tiram da gente, de como colocam insegurança na nossa cabeça de que não somos capazes, que a nossa escrita não é boa o suficiente.

Sobre as referências, Leminski, Drummond… São referências iniciais também. Eu sou formada em Letras, então era o que a gente tinha ali de mais novo pra se estudar dentro de uma academia engessada. Embora ainda admire muito o trabalho de Leminski e Drummond, a gente acaba tendo uma superação literária quando consegue encontrar outros trabalhos, outros nomes, principalmente de mulheres, que contemplem mais a nossa vivência.

Então, são poemas iniciais e muitas vezes quando eu leio o “poemas crus” chego a quase não me reconhecer direito ali. Mas é interessante como ele funciona como um espelho reverso. Me enxergo ali, mas com uns 20 anos. Eu decidi publicar em 2016, mesmo já não me enxergando tanto, porque se não ele ficaria na gaveta. E pra mim é um livro emblemático porque ele me tirou do armário e porque a partir dele foi que comecei a me apresentar pro mundo como escritora.

Você falou sobre quase não se reconhecer nesse seu primeiro livro e acho que essa é também uma questão que envolve um encontro com outras referências. Desde o “poemas crus” suas interlocutoras mudaram, né? Fiquei pensando nessa relação entre referências, representatividade e reconhecimento. Você acha que isso é importante para o seu processo criativo?

Eu acho que isso é muito importante dentro de qualquer processo criativo. Mas, falando do meu, coincidentemente eu tô lendo um texto da Cidinha da Silva em que ela fala do primeiro livro dela. Ela fala que o primeiro livro é o livro da vida, aquele que a escritora passa a vida escrevendo e que costuma querer responder a todos os anseios e contradições da autora. Isso é muito bonito. A Cidinha é um exemplo desse encontro, de como é importante a gente se ler. A gente se ler é um ato político. E, ao mesmo tempo é uma maneira da gente se encontrar, faz parte da nossa busca, pra se definir, pra se entender no mundo em que a gente vive.

A Cidinha é uma figura muito importante. Sempre foi. Sempre a tive como uma grande referência — uma sapatão preta com muitos livros publicados e com um projeto literário bem definido. Eu tive a oportunidade de conhecer a Cidinha este ano e foi uma coisa, um encontro que abriu minha percepção. A gente teve uma conversa muito incrível e eu saí de lá alimentadíssima, com muita força pra tocar minha escrita pra frente. Esse contato é muito foda.

Eu tô junto com a Cristina Judar com um projeto chamado “Um quarto todo nosso” em que a gente tá organizando saraus de sapatões, sapatrans e bissexuais. E uma das intenções do projeto é que a gente crie espaços de encontro entre essas escritoras, pra que a gente se ouça, pra que a gente conheça o trabalho umas das outras e, ao mesmo tempo que rola o apoio mútuo, de valorizar o trampo umas das outras. É uma coisa maravilhosa estar numa roda e ouvir um monte de poemas sapatões sendo lidos por sapatões, por aquelas escritoras de corpo presente, e as conversas que rolam nesses encontros.

E como começou essa busca por outras referências? Como isso tem transformado a sua escrita?

Quando eu publiquei o “poemas crus” eu já tava nesse projeto pessoal de ler só mulheres. Depois que eu terminei a minha graduação em Letras, fiquei muito incomodada de na academia ter lido só autores homens, em textos literários ou teóricos. Então, quando eu saí da academia comecei a ler só mulheres e mais contemporâneas. Daí deu aquele nó de não conseguir encontrar as personagens nem as escritoras sapatões, então eu comecei a fazer a pesquisa pra mim mesma, porque eu queria encontrar essas autoras, essas personagens, essas histórias.

A pesquisa também faz parte do meu projeto criativo. Eu fico obcecada por algum assunto e isso acaba respingando na minha escrita e eu sigo por essa temática, por esse caminho. Meu segundo livro, que ainda não foi publicado, mas já tá prontinho, o “cunilíngua”, é só de poesia sapatão, temática fancha. Tem muita referência de autoras lésbicas, de cultura sapatão. Eu brinco bastante também com a mitologia greco-romana, sobretudo por conta da figura das amazonas, que são mulheres às quais eu recorro muito, essa figura da mulher guerreira, que não se prende a macho, que nega a companhia do homem.

E o “cunilíngua” vai trazer existência lésbica, como diz a Cheryl Clark, vai trazer a lésbica em nós como diz a Adrienne Rich. Tem referência a Audre Lorde, Maria Bethânia, Angélica Freitas, Natalia Borges Polesso, tem várias referências que eu coloco ali.

Tenho também um livro de contos que tá pronto também, mas tá ainda meio incerto. Também só temática fancha e vivência lésbica. Foi umas temáticas que eu persegui durante um tempo e agora eu tô caindo mais pra um lance de ancestralidade. Tô buscando colocar muitos elementos do candomblé dentro das narrativas. Nunca abandonando as personagens sapatões, claro, porque eu acho que faz parte do meu projeto literário ter personagem principal ou narradora sapatões, mas eu tô mais nessa de busca de ancestralidade. E tá rolando uma resposta muito massa.

Queria saber mais sobre seus dois livros novos. Você tá pensando em publicar em alguma editora específica? Qual futuro você tá pensando para esses livros?

O “cunilíngua”, por ser um livro inteiramente sapatão, já pensei em publicar por algumas editoras que tem mais a ver com o tema. Não sei se vai ser o próximo a ser publicado, porque o “virago”, que é o livro de contos, eu tô investindo em concursos literários, o que também é um caminho. Eu acho que a gente tem alguns caminhos de publicação e às vezes a gente precisa fazer alguns malabarismos pra ver onde é melhor e no que se encaixa. Então, o “virago” eu tô investindo mais em concurso e tô esperando respostas. O “cunilíngua” já inscrevi em um concurso e não rolou. Mas é de poesia, né? E livro de poema é uma massa que a gente fica mexendo e mexendo. É muito difícil de terminar. Mas tá lá. Então, tô estudando algumas possibilidades de publicação.

Ainda em 2019 eu quero lançar um livro porque o “poemas crus” veio de 2016, mas já acho que tá na hora de publicar. Mas além da escolha da editora, tem outros entraves — a própria edição do livro e também tem meus trampos. Infelizmente a gente não consegue pagar a aluguel com trampo de escrita. Então, meus outros trabalhos, minhas traduções, revisões, oficinas acabam atravessando esse processo e as coisas acabam se atrasando. Mas também não tenho muita ansiedade em relação a publicação. Acho que enquanto eu estiver escrevendo tá ótimo. E acho muito importante ter tempo de trabalhar cada livro que a gente publica, isso é uma coisa minha.

É muito interessante o que você fala sobre reciclar poemas. Como é seu processo de criação e de edição de poesia?

Então, a gente vai se dando conta dos nossos processos conforme a gente vai trabalhando, né? Com o “poemas crus” foi mais uma coisa de idade também. Embora eu tenha usado a palavra reciclagem, que eu tenha retrabalhado esses poemas, a grande maioria surgiu de estouros, de estopins. Embora os outros também surjam dessa forma, quase sempre.

No caso do “cunilíngua” e dos poemas que escrevi pós-cunilíngua, eles vêm de uma obsessão. Durante o processo do “cunilíngua” eu só lia sapatão, assistia muito filme sapatão, encontrava as migues e pedia pra trocar ideia, contar como foi essa descoberta da sapatonice, pesquisava bastante, pesquisava as figuras fanchas. Também fiz um curso chamado Pensamento Lésbico Contemporâneo que é um curso de extensão oferecido à distância pela UFBA e que foi muito importante pra eu entrar em contato com as lesbianidades na área acadêmica. E ajudou muito, foi muito bom.

Depois eu não parei de estudar sapatões, mas entrei em outros temas também, ancestralidade, negritude, que sempre fez parte de mim, mas agora tem vindo mais forte, mais evidente na minha escrita. Isso caminha muito com minha trajetória no candomblé, porque esse é meu terceiro ano de santo, e esse meu conhecimento foi crescendo, meus estudos em relação ao candomblé, às plantas, aos fundamentos, enfim, a tradição do candomblé em si. Isso veio como uma obsessão. Essa minha nova obsessão vem e se mistura com a escrita.

Embora os poemas venham como estopins, o meu processo criativo passou a ser pautado pelos meus interesses. E sempre que falo de pesquisa, deixo claro que eu não sou acadêmica. Ainda não fiz mestrado, tô ensaiando prestar o mestrado no fim do ano. Essas pesquisas são minhas mesmo, tô correndo atrás e são por interesses, maneiras de tentar se entender.

Você menciona a internet, né? Você usava seu blog desde a adolescência e seu primeiro livro vem dessa experiência. Eu queria saber se para você a internet foi um fator importante no seu processo de se publicar e de encontrar pares.

Eu tive meu primeiro computador com uns 15 anos e ainda era internet discada, então tinha que esperar a madrugada pra usar. Lembro de ficar a madrugada inteira sem dormir, mexendo no blog, conversando com pessoas que visitavam meu blog e eu também visitava blogs de outras pessoas. Eu ia também no Telecentro (acho que era esse o nome, um lugar da prefeitura que tinha perto da minha casa) pra poder acessar a internet de dia.

Isso era muito legal. Com o blog, tive a primeira experiência de ser lida por outras pessoas. E essa troca foi muito importante nesse primeiro momento, me dava até mais vontade de escrever sabendo que tinha essa troca e que rolava uma movimentação ali.

O alcance que a internet proporciona é muito importante também. O mercado editorial sempre esteve em crise — eu trabalho nessa área, sou tradutora e revisora — , e com o mercado tão em crise e sempre concorrido, se a gente fosse depender do movimento do mercado, acho que eu e você não estaríamos tendo essa conversa agora.

A internet é uma ferramenta muito poderosa de difusão da escrita, tanto que não tenho medo nenhum de publicar textos inéditos na internet, porque acho que é uma maneira da gente circular e se fazer ouvir. É um espaço de escuta e descoberta, onde a gente consegue fazer nós por nós mesmas e se encontrar.

Você comentou sobre as suas oficinas, como tá sendo essa experiência? Essas oficinas contribuem para o seu projeto criativo?

Eu tenho três projetos de oficinas que tô tentando espalhar pra outros lugares. Tem uma chamada Narrativas Fanchas na qual proponho um grupo de estudos de lesbianidades, mas com textos mais acadêmicos, tipo Adrienne Rich, Audre Lorde, Wittig, entre outras teóricas de lesbianidades, junto com textos literários. Então a partir dos pontos que essas acadêmicas levantam em seus artigos, procuro fazer links dentro da literatura, dessas narrativas que chamo de narrativas fanchas.

É uma maneira de pensar as lesbianidades por meio da literatura. Nessa oficina, especificamente trabalho mais com prosa porque, embora na poesia a gente também encontre personagens, acho que na prosa fica mais fluido no sentido dos personagens vivendo seu dia-a-dia. Acho que é uma maneira mais direta de sentir essa vivência lésbica por meio da prosa.

Tem a oficina Literaturas Insurgentes em que um dos vieses é pesquisar a literatura LGBTQ em suas variadas formas. Nos encontros proponho a leitura e a discussão de autores LGBTQs. E a ideia é que a partir da leitura desses textos, a gente crie um personagem. Uma ideia que vem do que a Vange Leonel fala no artigo “Princesas desencantadas” em que ela fala sobre a necessidade de povoar nosso imaginário com heroínas e heróis dissidentes, sapatões, viados, bichas, trans, travestis, enfim.

A outra oficina é a Poéticas Ancestrais em que faço um movimento de propor neorikis, que seriam músicas de rap, os próprios slams, narrativas como as de Cidinha da Silva que puxam pra ancestralidade. Então, uso letras dos Racionais, Rincon, Baco e minas do rap pra gente pensar na figura do negro, sobretudo das mulheres negras, na literatura.

Nessa oficina eu falo muito sobre o feminismo interseccional de mulheres negras. A ideia é também resgatar essa ancestralidade por meio dos itans e dos orikis, das poesias sagradas, dos orixás mesmo e ler essas histórias, entender um pouco de cultura iorubá e a partir disso ir pro contemporâneo, ler uma letra de rap. E nessa mescla do ancestral com o que tá sendo construído hoje, tentar entender o que a gente consegue produzir.

Esses três projetos, essas três oficinas, fazem parte do meu projeto literário, são os temas que eu pesquiso. E de fato, a troca, sentar, conversar, produzir junto é um modo de aprender muitas referências e se alimentar dessas discussões. Então, esses encontros criam outras conexões. É incrível. As oficinas me ajudam muito no pensar e no fazer criativo.

Pra fechar, eu queria que você comentasse um pouco sobre essa questão de escrever pensando em representatividade de mulheres, pessoas negras e LGBTQs. Como escrever sobre essas vidas sem ser colocada em caixinhas, em rótulos como “literatura lésbica”?

É um assunto, né? Essa coisa das caixinhas? Tem um texto que saiu no Suplemento Pernambuco “Heterossexualidade compulsória, existência lésbica e crítica literária” da Carol Almeida, que, cara, foi um soco no estômago da crítica literária e das próprias editoras e leitores e todo mundo envolvido nos processos de criação literária, que ela vem criticar esse lugar em que a literatura fancha tá sendo colocada. Como se eu, sendo sapatão, ou eu, sendo uma mulher preta, só vou escrever sobre isso, ou vão olhar pra minha literatura com outros olhos, já esperando que minha narrativa seja sobre ser sapatão, e essa narrativa é vista como menor, não como uma narrativa de pessoas lésbicas vivendo e respirando.

Uma coisa que falei no podcast da Carambaia que vai de encontro a isso é a questão da minha literatura ser ou não de militância. Pra mim, minha literatura pode ser vista como militante porque o mundo pede. Se eu escrevo uma história de amor sobre duas sapatões, meu texto se torna um posicionamento político porque o mundo me pede que seja assim. Porque a gente lendo com olhos literários, aquilo é uma produção literária como qualquer outra.

É como escrevi em um artigo pra Cult, que falo que tem um trabalho muito raso na crítica. Não se olha pra essa literatura produzida por sapatões, mulheres, homens negros, bichas, enfim, com os mesmos olhos que as pessoas olham pra literatura produzida por um homem branco hétero. O que parece é que o homem branco hétero pode caminhar por vários lugares, pode ter uma produção literária fluida e livre de contestações, no sentido de que ele pode tratar de qualquer tema sem que as pessoas cobrem dele um posicionamento ou determinadas temáticas.

Outro ponto — também tenho batido muito nessa tecla — é o lance da dor. Quando a gente vai falar de corpos dissidentes, de uma literatura produzida por pretos, sapatões, bichas, trans, enfim. O que se espera, o que se parece procurar, é o sensacionalismo da dor. Parece que nossa dor está aí à venda. E tá rolando um movimento muito bonito da gente brigando pela existência, pela vida, dentro da literatura, mas, principalmente, fora dela. Ainda mais nesse momento que estamos vivendo, sofrendo agressão à torto e à direito na rua, pessoas sendo suicidadas, enfim.

A gente precisa ter espaço pra falar das nossas dores, mas também das nossas alegrias. Ou a gente tem que ter espaço pra falar sobre o que a gente quiser, porque o fato de me colocar como escritora sapatão não quer dizer que eu vá sempre escrever sobre ser sapatão, embora esse seja meu projeto literário. Mas e se não fosse? Então, tô brigando por uma liberdade de criação nossa que não seja necessariamente atrelada à militância. Que a nossa literatura seja vista como literatura, como qualquer outra.


Esta entrevista foi publicada na iniciativa Mulheres que escrevem. Somos um projeto voltado para a escrita das mulheres, que visa debater não só questões da escrita, como visibilidade, abrir novos diálogos entre nós e criar um espaço seguro de conversa sobre os dilemas de sermos escritoras. Quer colaborar com a Mulheres que escrevem? Acesse esse link, conheça nossa iniciativa e descubra!

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Mulheres que Escrevem

Uma conversa entre escritoras.

Taís Bravo

Written by

Escritora, tradutora e cocriadora da Mulheres que Escrevem: http://tinyletter.com/taisbravo

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