Lixeira azul com símbolo de reciclagem.
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Infodumps sobre a construção de mundo, como deixá-los interessantes?

Todos ali pareciam ter sido convidados porque estavam ligados a alguém famoso ou influente — todos exceto Gina. Zabini interrogado depois de McLaggen, era filho de uma bruxa famosa por sua beleza (pelo que Harry pôde entender, ela casara sete vezes e o marido morrera misteriosamente, deixando-lhe montanhas de ouro). A seguir foi a vez de Neville: foram dez minutos muito desconfortáveis, porque os pais de Neville, aurores muito conhecidos, tinham sido torturados até enlouquecer por Belatriz Lestrange e seus companheiros Comensais da Morte. (Harry Potter e O Enigma do Príncipe, J. K. Rowling)

Seria o maior circo já organizado em Roma, e Cornélio Sila teve sua reputação e seu status garantidos pelo feito. Chegou a haver pedidos no Senado para uma estrutura mais permanente a fim de abrigar os jogos. As arquibancadas de madeira aparafusadas e montadas para os grandes eventos eram insatisfatórias e pequenas demais para o tamanho da multidão que viria ver os leões do continente negro e desconhecido. Os planos para um vasto anfiteatro circular onde fosse possível colocar água e representar batalhas marinhas foram apresentados, mas o custo era gigantesco e foram vetados pelos tribunos do povo, como era de esperar. (O Imperador: Os Portões de Roma, Conn Iggulden)

O avô de Raymond-Roger Trencavel havia construído o Châteuau Comtal mais de cem anos antes, uma sede de governar seus territórios cada vez mais extensos. Suas terras iam de Albi no norte e Narbonne no sul, de Béziers no leste e Carcassonne no oeste.

O Chatêau dispunha-se ao redor de um grande pátio retangular, e havia incorporado, na ala oeste, os restos de um castelo mais antigo. Estava integrado ao reforço da seção ocidental dos muros fortificados que cercavam a Cité, um anel de pedra sólida que se erguia bem alto acima do rio Aude e das terras pantanosas do norte logo abaixo. (O Labirinto, Kate Mosse)

Sempre gostei de Lundene. É um lugar de ruínas, comércio e malignidade que se esparrama pela margem norte do Temes. As ruínas eram as construções que os romanos deixaram ao abandonar a Britânia, e sua antiga cidade coroava os morros na extremidade leste da cidade, rodeada por uma muralha feita de tijolos e pedras. Os saxões nunca haviam gostado das construções romanas, temendo seus fantasmas, assim haviam feito sua cidade a oeste, um lugar de palha, madeira e barro, becos estreitos e valas fedorentas que deveriam levar o esgoto para o rio, mas em geral ficavam brilhando imundas até que uma chuvarada as transbordasse. A nova cidade saxã era um lugar movimentado, fedendo com a fumaça dos fogos dos ferreiros e barulhenta com os gritos dos comerciantes. Na verdade, era movimentada demais para se incomodar em fazer uma muralha defensiva. Por que precisariam de uma, argumentavam os saxões, quando os dinamarqueses se contentavam em viver na cidade antiga e não haviam demonstrado qualquer desejo de trucidar os habitantes da nova? Havia paliçadas em alguns lugares, evidência de que alguns homens tinham tentado proteger a cidade nova que crescia rapidamente, mas o entusiasmo pelo projeto sempre morria e as paliçadas apodreciam, ou então as madeiras eram roubadas para fazer novas construções ao longo das ruas fedendo a esgoto.

O comércio de Lundene vinha do rio e das estradas que levavam a todas as partes da Britânia. As estradas, claro, eram romanas, e por elas fluíam lã e cerâmica, lingotes e peles, enquanto o rio trazia luxos de outras terras, escravos da Frankia e homens famintos procurando encrenca. Havia bastante disso, porque a cidade, construída onde três reinos se encontravam, praticamente não tinha governo naqueles anos. (Crônicas Saxônicas: A Canção da Espada, Bernard Cornwell)

3 dicas para transformar infodumps

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Ensaios sobre Escrita Criativa e História do Mundo. (O Link é Mundo em Letras porque, bom, o Medium não me deixa mudar)

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Paulo Moreira

Paulo Moreira

Brazilian pharmacist in loved with History, Fantasy and Ecofiction. Author of The Blood of the Goddess. I write about nature in poems and fantasy stories.

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