Custódia de Criptomoedas

Quando a curiosidade aflora e buscam-se informações concisas sobre as vantagens de se obter criptomoedas, é comum observar o enaltecimento à segurança gerada pela validação descentralizada das transações, ao fim da necessidade de entidades intermediadoras e à independência sobre o controle da própria moeda. Por outro lado, é raro encontrar divulgações sobre os riscos de permitir que a custódia dos investimentos pessoais seja feita por grandes corretoras. Vamos entender esses riscos juntos!

A beleza das transações por blockchain começa na capacidade de Satoshi Nakamoto — pseudônimo dado ao criador da tecnologia — em resolver um desafio antigo da teoria dos jogos chamado “Problema dos Generais Bizantinos”. Solucionar esse problema seria encontrar uma forma de mitigar a ação de generais corruptos que poderiam mentir sobre o controle de seus ataques e comprometer a vitória como um todo.

Apesar da analogia parecer distante do tema, Nakamoto apresentou uma solução ao provar que, quanto maior for o número de transações idôneas na rede blockchain, nulas seriam as chances dos hackers de alterar os dados inseridos na rede, aumentando a segurança da plataforma.

Portanto, se a dificuldade é crescente para os piratas virtuais burlarem a tecnologia e terem acesso às criptomoedas alheias, o que lhe resta fazer? Roubá-las de fontes em abundância desse ativo.

As grandes corretoras são o paraíso para esses malfeitores. Por mais que facilitem a negociação entre interessados, estas representam um alvo cobiçado, pois o simples controle frágil das chaves de acesso às carteiras digitais permite que as criptomoedas sejam roubadas sem chance de reversão do ato. Listemos alguns acontecimentos impactantes:

1. Mt. Gox, raqueada duas vezes (2010 e 2014), teve mais de 750.000 Bitcoins desviados.
2. Bitstamp, que surgiu como alternativa à Mt. Gox, anunciou em 2015 que 19.000 bitcoins haviam sido hackeados.
3. Bitfinex, com o segundo maior ataque da história, declarou o número de 120.000 bitcoins violados no ataque em 2016.

É impossível imaginar o mercado de moedas digitais sem a presença das corretoras, mesmo que algumas se intitulem mais seguras que as demais. No entanto, o risco de ataques pode ser mitigado se as plataformas de negociação forem usadas somente para compra e venda.

Existem soluções seguras e disponíveis a todos para custódia de criptomoedas. Com uma diferenciação básica e importante, estas se dividem entre Hot Wallets — carteiras digitais conectadas à internet — e as Cold Wallets — pen drives, papel impresso, entre outros. É comum encontrar textos de investidores experientes indicando aos iniciantes que utilizem os dois métodos para diminuir as chances de infortúnios acontecerem.

Confiar que o cuidado com o próprio capital seja feito por terceiros representa uma atitude contrária àquela originalmente difundida pelo criador do Blockchain e do Bitcoin. O equilíbrio deverá ser estipulado por cada investidor ao balancear comodidade e segurança.

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