20 anos da internet no Brasil — Proposta de Redação ENEM

Com base na leitura dos seguintes textos motivadores e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo, em norma culta escrita da língua portuguesa, sobre o tema: 20 anos da internet no Brasil: como essa ferramenta tecnológica mudou o rumo da relações sociais, apresentando experiência ou proposta de ação social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista.


20 ANOS DE INTERNET.BR

Bem-vindo a 1º de maio de 1995. Você não entrou no Facebook nem viu mensagens no WhatsApp ou tirou dúvidas no Google. Nada disso é possível, já que esses serviços só serão lançados ao longo dos próximos 20 anos. Mas já dá para, ao menos, acessar a internet e mandar um e-mail. Naquele dia, começou a ser oferecida no Brasil a conexão comercial à rede mundial de computadores, abrindo para pessoas comuns as possibilidades já disponíveis para acadêmicos e pesquisadores.

“Você entrava num site e um banner começava a carregar. Dava tempo de ir tomar banho, pegar um café, voltar e ainda não tinha aparecido” — Demi Getschko, membro do Comitê Gestor da Internet.

A REDE QUE MUDOU A REDE

A virada da inclusão digital tem ano (2004, quando apenas 28 milhões de brasileiros com mais de 16 anos já haviam utilizado a rede ao menos uma vez), nome (Orkut) e lugar (as lan-houses, antes disso restritas aos amantes dos games).

“A explosão da internet [no Brasil] se deu com o Orkut. As pessoas passaram a ir a lan-houses para navegar, e não mais só para jogar. E foi nesse momento que as classes A e B deixaram de ser dominantes”, conta Calazans.

O fenômeno dessa rede social, pertencente ao Google, foi tão grande que criou-se a expressão “orkutizar”, que representava tudo que passou a ser popular na internet. Essa segunda fase, com o predomínio das lan-houses, das redes sociais e sem o acesso à internet restrito a uma classe social específica, durou até o final de 2007.

No final daquele ano, aconteceu outra alteração no cenário brasileiro e, dessa vez, foi uma mudança econômica, o chamado “fenômeno da classe C”. Como as pessoas passaram a ter um maior poder aquisitivo, comprar um computador não era mais uma coisa impossível — e, nesse momento, o uso da internet cresceu muito no país e o acesso em casa predominava.

Em 2010, aconteceu outra mudança, só que dessa vez foi estrutural, dos aparelhos, com o surgimento dos smartphones, que vivem um momento aquecido nas vendas no país, mas já dão sinais de desaceleração. Só no ano passado, foram vendidos 54,5 milhões de “telefones espertos”, crescimento de 55% em relação a 2013, segundo a consultoria IDC. Para este ano, contudo, a firma de pesquisa projeta incremento de só 16%, reflexo da crise econômica e do chamado “amadurecimento” do mercado.

De acordo com a pesquisa do Google, entre os internautas da nova classe média que possuem smartphones, eles são a principal forma de acesso à rede (96% dos internautas o usam, contra 92% dos desktops e 89% dos notebooks).

“A explosão da internet [no Brasil] se deu com o Orkut. As pessoas passaram a ir a lan-houses para navegar, e não mais só para jogar.”- José Calazans, analista de mercado do Nielsen Ibope

EM REDE

Estudante de Harvard, Mark Zuckerberg colocou o thefacebook no ar em janeiro de 2004. O site era uma atualização do Facemash, rede social para escolher os alunos mais atraentes da universidade. Os três primeiros usuários tinham perfis falsos; o 4º foi Zuckerberg. Hoje, o Facebook tem quase 1,5 bilhão de usuários

LUGAR AO SOL

“No Brasil, temos uma desigualdade social e cultural muito grande. Mas todos são iguais perante a web”, afirma Cristiano Nabuco, coordenador do grupo de dependência tecnológica do Hospital de Clínicas de São Paulo.
 “Na internet, existe uma homogenização e uma padronização de valores e todo mundo encontra um lugar ao Sol.

Talvez, ela tenha dado ao brasileiro uma chance de ter uma voz no mundo. Não só no mundo global, mas no mundo local”, diz.

Ganhar a própria voz implica em liberdade de expressão –tanto para falar como para bloquear aquilo que não se quer escutar.

“Nas interações face a face, a reação da outra pessoa diante do seu comentário pode inibir ou mediar o conteúdo e o modo como você se expressa. Hoje, você tem a disponibilidade de pensar, editar, reformular algo antes de ser enviado aos destinatários. E, também, você pode romper barreiras hierárquicas de comunicação que eram uma realidade até pouco tempo atrás.”, afirma Guilherme Wendt, psicólogo e pesquisador da Universidade de Londres.

“Existe um recurso que anteriormente não era possível. Você tem a oportunidade de selecionar quem poderá ver o conteúdo que você publica. Imagine se, há 20 anos, teríamos como “bloquear” um vizinho, um amigo etc”, diz. Com a internet, o brasileiro começa a olhar mais para si mesmo. Isso é positivo? Não sei

Cristiano Nabuco, coordenador do grupo de dependência tecnológica do Hospital de Clínicas de São Paulo

Fonte: http://temas.folha.uol.com.br/20-anos-da-internet/grandes-questoes/como-o-jeitinho-brasileiro-entrou-na-web.shtml

Instruções:

  • A redação deve ser postada no PERGUNTE! assim os outros membros e alunos podem ler e opinar sobre cada uma. Além disso a prof. Dani é nossa moderadora e as redações mais votadas receberão comentários dela.
  • O texto definitivo deve ser escrito em até 30 linhas.
  • A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou de qualquer outro texto terá o número de linhas copiadas desconsiderado.

Lembrem! Na hora da verdade, redação NOTA ZERO será a redação que:

  • tiver até 7 (sete) linhas escritas, sendo considerada “insuficiente”.
  • fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo.
  • apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos.
  • apresentar parte do texto deliberadamente desconectada com o tema proposto.

Beijocas, boa redação e esperamos vocês no PERGUNTE!


Originally published at blog.mundoedu.com.br on June 19, 2015.