China — A influência ideológica, no século XX, e a proteção a chineses no Sudeste Asiático

Editoria Mundorama
May 19 · 13 min read

Paulo Antônio Pereira Pinto

A República Popular da China, desde a década de 1950, tem realizado esforços no sentido de recuperar para o Estado chinês o prestígio internacional que o antigo império chinês havia conquistado. A preocupação maior, no entanto, foi a de reverter a situação de inferioridade de uma nação, que sempre se considerara a mais civilizada do mundo e que se encontrava, então, em situação de atraso em relação a outros povos.

Esta postura chinesa teve repercussões em seu relacionamento com o Sudeste Asiático, inclusive no que dissesse respeito à proteção a chineses que habitavam naquela região. Cabe recordar estes fatos, em benefício da melhor compreensão do atual panorama de integração entre a ASEAN e a RPC, conforme tem sido analisado em textos anteriores, igualmente extensos, publicados neste espaço — que mais uma vez agradeço.

A leitura das “Obras escolhidas de Mao Zedong”, que conduzia o país neste período, registra forte dose de nacionalismo influenciando seu pensamento quanto ao caminho a ser seguido para a eliminação da influência estrangeira na China, bem como para o desencadeamento de uma revolução com características chinesas.

No trabalho intitulado “Sobre a Democracia Nova”, em janeiro de 1940[1], Mao afirma que:

“A China precisa assimilar muito da cultura progressiva estrangeira como matéria-prima para alimentar sua própria cultura. Mas em caso algum devemos engolir qualquer desse material estrangeiro sem espírito crítico: o que se impõe é tratá-la como se tratam os alimentos — primeiro, deve-se mastigá-los e em seguida digeri-los. A China já sofreu grandes prejuízos com o resultado da assimilação incondicional de culturas estrangeiras. Da mesma forma, ao aplicarem os princípios marxistas à China, os comunistas chineses devem integrar, completa e adequadamente, a verdade universal do marxismo à prática concreta da revolução chinesa. Em outras palavras, devem combiná-los com as características da nação, ganhando aquele princípio uma forma nacional definida, a fim de que seja útil, e não uma mera fórmula”.

Nessa perspectiva, Mao teria chegado à conclusão de que seu país seria incapaz de alcançar o nível de desenvolvimento dos países ocidentais, a menos que a China adquirisse seu próprio modelo de pensamento independente. Para tanto, era de grande ajuda ideologia que pregasse uma mistura de militância e radicalismo nacionalista como instrumento para enfrentar as terríveis condições que então caracterizavam o país. Este seria o caminho para a reforma e a modernização da China.

Assim, em linhas reconhecidamente simplificadas, tendo em vista a complexidade histórica chinesa, lembra-se que, desde a década de 1950, a China tem procurado o caminho da prosperidade, sem descuidar da independência e da unidade nacional.

Apesar do sucesso dos primeiros planos quinquenais, contudo, nos vinte anos seguintes, enquanto o Japão tirou proveito de oportunidades para reestruturar sua economia e tornar-se um país industrializado, a República Popular encontrava-se imersa nos desperdícios do “Grande Salto Adiante”, com graves perdas de produção.

Pior, ainda, a partir dos anos 70, quando os quatro pequenos dragões asiáticos — Taiwan, Coreia do Sul, Hong Kong e Cingapura — passaram a beneficiar-se de vantagens competitivas que facilitaram sua inserção como polos dinâmicos do comércio internacional, mais uma vez a China submergiu em turbulências internas, desta vez, na desastrosa Revolução Cultural. Uma reorientação histórica começou a ocorrer, no entanto, a partir de 1978.

A meta estabelecida de quadriplicar a produção industrial e agrícola do país, até o final do século passado — em relação aos números existentes em 1980 — foi atingida. O objetivo de igualar o nível de desenvolvimento das atuais potências europeias e norte-americanas, quando a Revolução de 1949 completar cem anos, torna-se cada vez mais viável.

Nesse processo, sempre se tendo em conta a preservação da unidade territorial, formularam-se conceitos inovadores como o de “um país, dois sistemas”, destinado a facilitar a reintegração de Hong Kong como “área econômica especial” e de Taiwan, como “área administrativa especial”. Na mesma perspectiva, apresentou-se a ideia original de uma “economia socialista de mercado”.

Toda essa movimentação, no entanto, ocorre no âmbito de moldura mais ampla da Ásia-Pacífico, onde permanecem discordâncias e rivalidades históricas, passíveis de se tornarem pontos de conflito em potencial.

Os reflexos nas relações com o Sudeste Asiático

Para que se possa avaliar a influência deste contexto nas relações da China com o Sudeste Asiático não se pode ignorar o quadro mais amplo da formulação da política chinesa, interna e externa, logo após o estabelecimento da República Popular.

Nos primeiros anos, tratou-se, no plano interno, de promover a reconstrução do país, com rígida política de combate à corrupção e ao desperdício. Em suas relações com o resto do mundo, a China acirrou sua confrontação com os Estados Unidos da América, através da participação na Guerra da Coreia, iniciada em 1950.

Paralelamente, Pequim iniciou seu apoio a movimentos de insurgência em outras partes da Ásia. Com a introdução do primeiro plano quinquenal, em 1953, a política externa chinesa tornou-se mais flexível e menos permeável às exaltações conducentes à exportação da ideologia de seu governo. Naquele ano, a RPC participou das conversações para o estabelecimento de trégua no conflito coreano. Em 1954, compareceu à Conferência de Genebra sobre a Indochina. Seguiu-se, no mesmo ano, a declaração conjunta com a Índia sobre os Cinco Princípios da Coexistência Pacífica. Estes diziam respeito às normas que deveriam reger as relações sino-indianas, a saber: a) respeito mútuo ao território e soberania; b) não agressão; c) não interferência em assuntos internos; d) igualdade e benefício mútuo; e e) coexistência pacífica.

A autoconfiança resultante dos sucessos obtidos com o Primeiro Plano Quinquenal encorajou-se a dedicar maior importância à política externa, no sentido de projetar a imagem de uma nova potência emergente, em vias de reivindicar maior participação nos assuntos internacionais. Em 1958, contudo, o movimento radical do Grande Salto Adiante, no plano interno, refletiu-se, no exterior como novo endurecimento nas posições chinesas.

Nos dez primeiros anos após a fundação da República Popular da China, nesta perspectiva, uma sucessão de acontecimentos de longo alcance veio a alienar aquele país de seus tradicionais amigos no Sudeste Asiático.

Isto porque, no quadro de projeção de sua influência sobre o Sudeste Asiático, os chineses puderam, até então, manter moldura política estável. Subitamente, os países da região passaram a ser alvo de ataques de Pequim, por causa de sua associação com os objetivos estratégicos norte-americanos. Os meios de comunicação daquela área com a China foram bloqueados e cessou o fluxo migratório. Consolidou-se, de forma muito rápida, o processo de isolamento da RPC com relação aos vizinhos ao sul de suas fronteiras.

A ampla divulgação externa dos desenvolvimentos internos, bem como a aliança de Pequim com Moscou, passaram a mudar a imagem cultivada no Sudeste Asiático de uma China voltada para si própria e pacífica. A nação chinesa passou não só a apresentar incongruências com os objetivos visados naquela parte do mundo, como também se tornou ameaçadora, através dos esforços de exportação de sua revolução. Em suma, a RPC passou a representar enorme fator de instabilidade para toda a região.

Paralelamente à grande inquietação criada pela nova postura internacional de Pequim, a constante agitação interna na China começou a provocar igualmente dúvidas quanto à influência a ser exercida pela população de origem chinesa na política interna de cada um daqueles países, tendo-se em conta os reconhecidos laços sentimentais dos chineses de ultramar em relação à pátria de seus antepassados ou mesmo de seu nascimento.

Na medida em que a China começava a projetar no plano externo suas radicalizações internas, o Sudeste Asiático desenvolvia, simultaneamente, seu perfil próprio, após longo período em que estivera dominado por potências estrangeiras.

A dimensão étnica da política externa chinesa

Existia naquele momento, contudo, uma dimensão étnica da postura contemporânea da RPC, no sentido de proteção das minorias chinesas residentes fora do país, bem como entravam em jogo interesses econômicos que vinham à tona, alternadamente, sempre que a paixão ideológica o permitisse.

Os “overseas Chinese” passaram a ser variável de peso na equação chinesa para compor suas prioridades nacionais no âmbito externo, com as preocupações de prover segurança às populações de seu grupo racial, situadas em outras regiões da Ásia.

Calcula-se que, há quarenta anos, o número de pessoas etnicamente chinesas vivendo no Sudeste Asiático totalizaria cerca de 12 milhões[2]. Sua presença, contudo, não era distribuída de forma uniforme pelos diferentes países. Pelo contrário, os chineses de ultramar apresentaram sempre distintos níveis de participação histórica, política e econômica, em cada Estado daquela área. Proporcionalmente ao restante da população, por exemplo, a de origem chinesa representaria 76% em Singapura, 33% na Malásia e 13% na Tailândia.

Por diversas razões culturais, aquele agrupamento étnico tornou-se historicamente dominante em setores comerciais da região do mundo em questão. Como consequência, viram-se vítimas de discriminação racial e econômica de distintos matizes. De forma automática, voltaram-se para a China com o propósito de obter proteção — fosse de Pequim ou de Taipé.

Daí, resultaram acusações locais de que as referidas minorias seriam sempre uma “quinta coluna” chinesa, bem como do Partido Comunista Chinês. Além do mais, os países anfitriões viam-se diante de conflitos internos, entre parte da comunidade simpática à RPC e os admiradores de Taiwan[3].

Neste ponto, faço registro de experiências pessoais durante o período em que servi em Embaixadas no Sudeste Asiático, entre 1986 e 1995, sucessivamente, em Kuala Lumpur, Malásia, Singapura e Manila.

Assim, em Kuala Lumpur, era possível notar que, em frente às residências de cidadãos malásios da minoria chinesa — envolvida principalmente no comércio, com seus “Chinese Emporiuns” — havia sempre alguns automóveis de luxo. A explicação era a de que, temerosos de serem expulsos do país — por perseguição étnica — investiam, principalmente, em bens tangíveis, possíveis de serem transportados em caso de emergência[4]. Não se dedicavam, portanto, a atividades industriais ou agrícolas. Cabe ressaltar, também, que, durante a década de 1980, devido à existência de “movimento independentista maoísta”, ao Norte da Malásia, na fronteira com a Tailândia, pessoas etnicamente chinesas só eram autorizadas a viajar à China, após completarem 50 anos. Buscava-se, assim, evitar que os mais jovens pudessem “se radicalizar maoístas”.

Singapura, como se sabe, exibe a originalidade de ter-se tornado independente, em resumo, quando foi expulsa da Federação Malásia, em 9 de agosto de 1965, por sua forte concentração de população chinesa. Em função da reduzida extensão territorial (550 km²), suas forças armadas faziam exercícios militares em Taiwan. O país, ademais, não mantinha relações diplomáticas com Pequim, por receio de ofender seus vizinhos malásios e indonésios, que desconfiavam que aquela pequena ilha, com maioria étnica chinesa, pudesse ser plataforma para a penetração ideológica da RPC no Sudeste Asiático. Tão pouco mantinha Embaixada em Taipé, para não se indispor com Pequim.

Em Manila, era visível a ostentação no uso de joias, por parte da minoria chinesa, seguindo o raciocínio do mesmo grupo na Malásia, na medida em que era importante contar sempre com bens fáceis de transportar, no caso de alguma reação agressiva da maioria etnicamente malaia, sendo necessário fugir do país.

A existência de chineses chamados de ultramar, especialmente os do Sudeste Asiático, precede, portanto, a fundação da República Popular da China. A partir da década de 1950, contudo, foram estabelecidas formas pactuais entre o Partido Comunista Chinês e os partidos comunistas do entorno. As conquistas dos novos dirigentes de Pequim passaram a servir de inspiração para a constituição de movimentos de insurgência. Logo após outubro de 1949, os líderes chineses iniciaram a divulgação de que seu caminho revolucionário seria modelo a ser seguido pelo resto da Ásia e que a independência da Índia, por exemplo, não passara de uma farsa, continuando aquele país, na verdade, a viver em situação neocolonial.

Retornando à narrativa principal do artigo, verifica-se que ainda em 1950, a liderança chinesa começou a indicar que suas prioridades seriam os partidos comunistas da Indochina. Assim, foi iniciado o envio de auxílio material ao “Vietminh”. A outros partidos comunistas no Sudeste Asiático, na Malásia e Tailândia, a RPC concedia apenas apoio moral, pois a Pequim não agradava a base étnica exclusivamente chinesa daqueles movimentos, os quais não incluíam representantes malaios ou tailandeses. De qualquer forma, isso não impedia que os dois grupos insurgentes em causa se autoproclamassem de inspiração maoísta.

A não ser na Indochina, partido comunista algum chegou ao poder no Sudeste Asiático, sem que o sucesso ou fracasso tenha dependido da interferência chinesa.

Também não fora uniforme a importância concedida por Pequim aos interesses das minorias chinesas no Sudeste Asiático. Na verdade, a RPC demonstrara disposição para sacrificar, em determinadas situações, a defesa daqueles grupos étnicos em benefício de objetivos de política externa.

A respeito da importância política e econômica atribuída a seus “overseas”, registra-se que o próprio Dr. Sun Yat-sen, fundador da República, em 1912, era nascido no ultramar, e obtivera, de chineses residentes no exterior, parte dos recursos financeiros para sua revolução. Por isso, a política ainda adotada em Taiwan pelo Kuomintang — partido, em sua origem, dirigido por Sun Yat-sen — prevê o apoio às minorias no exterior. Na RPC, o Partido Comunista adota postura idêntica.

A intervenção chinesa na Indonésia, Camboja e Vietnã

Em três diferentes momentos da história contemporânea, contudo — na Indonésia, Camboja e Vietnã — interesses nacionais estratégicos da RPC conflitaram-se com os das minorias étnicas chinesas naqueles países.

Em 1959, Jacarta desencadeou repressão contra os chineses residentes na Indonésia, com a publicação de leis que proibiam sua participação no comércio rural e permanência na região de Java Ocidental. Tais medidas desapropriavam as comunidades chinesas de seus meios de subsistência e provocaram reação do governo de Pequim. Os dirigentes da China acusaram os indonésios de violar o Tratado de Dupla Nacionalidade, assinado em 1955, segundo o qual Jacarta comprometia-se a proteger os direitos dos “overseas Chinese”. Navios da RPC foram enviados para repatriar seus nacionais.

No plano externo, contudo, evoluía favoravelmente o enfoque de aproximação da União Soviética com o governo de Sukarno, com o endosso dos militares indonésios, defensores de forte sentimento de antagonismo contra a RPC. Com o receio de perder aliado de peso, diante da ameaça da formação de aliança entre Jacarta e Moscou, a China recuou de qualquer posição intervencionista, limitando-se ao envio dos referidos navios. Em resumo, a RPC colocava, neste caso, os interesses estratégicos regionais acima dos da proteção de comunidade chinesa no Sudeste Asiático.

O mesmo aconteceu quando o Khmer Vermelho chegou ao poder no Camboja, em abril de 1975. A partir de então, os seguidores de Pol Pot decidiram tornar aquele país em sociedade comunista primitiva, onde as populações urbanas seriam forçadas a mudar-se para a área rural. Tal medida afetou profundamente as minorias chinesas, que tiveram suas propriedades nas cidades confiscadas, sendo forçadas ainda a trabalhar no campo. A política de genocídio dos novos dirigentes também não poupou vasta parcela da comunidade chinesa.

Exilados cambojanos etnicamente chineses apelaram para que a China interviesse junto a Phnom Penh, a fim de garantir a segurança dos sobreviventes daquela minoria no Camboja. Pequim, no entanto, já se encontrava por demais envolvida no apoio ao Khmer Rouge, com vistas a garantir aliança contra seu tradicional inimigo vietnamita, e não pode, ainda desta vez, dar prioridade à defesa de seus nacionais.

No Vietnã, contudo, a retaliação militar da RPC, em 1979, decorreu, em parte, dos maus tratos contra as minorias chinesas. Assim, verifica-se que, no ano anterior, o governo de Hanói havia iniciado programa de reassentamento rural, com a transferência de setores da população urbana para o campo. Como resultado, iniciou-se êxodo de grande quantidade de chineses, prejudicados economicamente por tais medidas. Esse panorama foi agravado por notícias de iminente guerra entre a China e o Vietnã. Cerca de 160.000 “overseas” atravessaram a fronteira sino-vietnamita em 1978, e grande número de “boat people” também partiu.

Em represália, Pequim iniciou campanha de protesto contra a perseguição de Hanói às minorias chinesas. Os vietnamitas desmentiam as acusações e denunciavam a intervenção da RPC em seus assuntos domésticos como tentativa de desestabilização. Sem dúvida, a invasão do Camboja pelos vietnamitas foi a causa principal da represália militar chinesa.

Conclusão

A partir do século XV, prevaleceu ordenamento regional, em que a China desempenhou papel dominante, bem como servia como fonte de inspiração para a organização política dos Estados situados ao sul de suas fronteiras. Esta moldura, que já vinha sendo desestruturada a partir da chegada dos europeus ao continente asiático no século XIX, foi destruída com a Revolução de 1949 e enterrada durante o período da Guerra Fria.

Com o recuo das esferas de hegemonia ideológica, prevalecentes no período da bipolaridade mundial, fortaleceu-se a percepção de que estava em curso o ressurgimento de uma influência político-cultural chinesa como fator de estabilidade, ao sul da China, bem como a criação de um novo paradigma naquela parte do mundo.

Segundo essa linha de raciocínio, a estrutura política atual adotada pela China é um importante parâmetro de referência, na medida em que influencia um contorno ideológico favorável aos países do Sudeste Asiático, seja os que sempre se declararam capitalista, como os fundadores da ASEAN, seja o Vietnã, que continuava a declarar-se socialista.

Assim, para os adeptos do sistema de economia de mercado sob instituições fortemente autoritárias, no Sudeste Asiático, há amplos traços a serem imitados e justificados no modelo político chinês. Os que desejam, como o Vietnam, sair da rigidez da centralização socialista sem, contudo, mudar o rótulo de seus regimes, também não têm problemas para citar sua fonte de inspiração.

Esses bem-sucedidos formatos de composição atuais entre formas de governança chinesa e dos países ao sul da RPC poderão servir de exemplo, para a convivência entre povos com diferentes projetos nacionais, na Ásia. Entre as indagações que persistem, contudo, encontra-se a referente a como a China poderá manter seu longo passado histórico conectado com o novo ordenamento internacional a emergir na fase pós-pandemia. Ademais, como reagirão os países do Sudeste Asiático, no futuro? Buscarão uma “autonomia estratégica” ou se contentarão em ser uma “periferia subserviente da China”.

“Ser chinês é uma identidade cultural compartilhada por indivíduos que têm em comum o fato de descenderem de ancestrais que acreditavam nos mesmos mitos. Isto é, os ancestrais tinham entre si um relacionamento baseado na circunstância de acreditarem em certa mitologia — tal não ocorreria necessariamente entre os chineses de hoje” (Observação que ouvi de autor anônimo, por ocasião de um seminário acadêmico em Singapura, em setembro de 1994).

Notas:

[1]“Livrinho Vermelho de Mao”, Versão “Edições em português, em Pequim 1975, capítulo XV “Uma Cultura Nacional Científica e de Massas”.

[2] “The Political Economy of China’s Relations with Southeast Asia”, por John Wong, St. Martin’s Press, publicado em Hong Kong em 1984.

[3] As rivalidades entre chineses partidários da RPC ou de Taiwan são encontradas entre diferentes comunidades desta etnia, inclusive em São Paulo, onde atentados e mesmo assassinatos mútuos aconteceram na década de 1980. A respeito da participação econômica chinesa no Sudeste Asiático, Hoshihara Kunio apresenta importante estudo em seu livro “The rise of ersatz capitalism in Southeast Asia”,publicado em Singapura, pela Oxford University Press, em 1988.

[4] A mesma referência do item anterior: “The rise of ersatz capitalismo in Southeast Asia”.

Sobre o autor

Paulo Antônio Pereira Pinto é Embaixador aposentado.

Mundorama

Mundorama é uma publicação do Centro de Estudos Globais da Universidade de Brasília

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