China-Brasil: “O Jeito Asiático e a Maneira Brasileira de Ser” — Macau, em setembro de 2007.

Editoria Mundorama
Mar 11 · 12 min read

Paulo Antônio Pereira Pinto

Photo by Elton Yung on Unsplash

Já houve um tempo recente, quando não utilizávamos termos atuais como “comunavírus” para criticar a China. Tal manifestação, entre outras, acontecem no contexto de dependência crescente da economia brasileira daquele país. A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009, absorvendo mais de 30% de nossas exportações. Volume mais do que o dobro do comércio com os EUA.

Mas o péssimo gosto nas críticas e a excessiva dependência econômica seriam tendências de peso em direção a cenário futuro de conflito em nossas relações bilaterais?

Tais desenvolvimentos sugerem oportunidade para o registro de que, no passado recente, nem sempre foi assim. Procurava-se, então, identificar agenda de preocupações em comum, valores e história compartilhados, ao invés de ressaltar o que nos diferencia. Havia esforços sinceros no sentido de complementação econômica entre os dois países. Essa busca de interlocução construtiva podia ser chamada de diplomacia.

Rápida pesquisa, por exemplo, levou-me a resgatar palestra que realizei, em Macau, no ano de 2007, sobre “CHINA-BRASIL: O JEITO ASIÁTICO E A MANEIRA BRASILEIRA DE SER”. Por nostalgia do tempo em que utilizámos o “imaginário” em diálogos de aproximação, e a título de reflexão, transcrevo partes do texto de minha exposição:

“A emergência atual da China é, muitas vezes, analisada apenas na perspectiva de sua crescente inserção econômica internacional, bem como a partir da cobiça quanto ao acesso de centenas de milhões de seus potenciais consumidores à oferta de produtos e serviços estrangeiros.

Tais avaliações estariam mais adequadas ao debate, nas últimas décadas do século XX, quando o processo de globalização começou a prevalecer sobre as economias fechadas e centralmente planificadas.

Sabemos, agora, que a criação de uma economia global e o fortalecimento de novas tecnologias não erodiram culturas e valores locais. Verificou-se, pelo contrário, que, na medida em que as pessoas tiveram acesso a maior informação e educação, suas diferenças culturais se tornaram mais pronunciadas — não menos. Nesse processo, diferentes grupos demonstraram perseguir visões distintas de bem-estar, assim como reagiram de formas agressivas a ameaças perceptíveis a sua dignidade cultural.

Nessa perspectiva, grandes questões deste novo milênio parecem dizer respeito a: como culturas podem ser adaptadas; como capital social e cultural pode alavancar o desenvolvimento das nações; e como o potencial de conflito destrutivo entre culturas pode ser transformado em saudável competição cultural.

Macau, como se sabe, tem desempenhado papel histórico fundamental no diálogo cultural entre a China e o exterior. (Pequim preserva, ainda, naquele antigo território lusitano, o idioma português como oficial.)

Por isso, após reiterar meus cumprimentos aos organizadores do evento, pela realização, aqui, em Macau, da XIII Federação Internacional de Estudos da América Latina e do Caribe, farei breves considerações sobre o “Jeito Asiático” e a “Maneira Brasileira de Ser”.

Isto porque, como é sabido, Macau se aproxima naturalmente da América Latina, pelo idioma, por certos hábitos alimentares e também por ter um sistema jurídico baseado no direito romano.

No século passado, se tornara lugar comum dizer que o fenômeno da globalização influenciara a reorganização dos sistemas político e econômico mundiais, aumentando a divisão da produção internacional, ditando uma cultura uniforme com características ocidentais e determinando a inserção das diferentes regiões do mundo em novo ordenamento mundial.

Para fazer face a este tipo de desafio, a sociedade civil de países na Ásia-Pacífico e do Brasil buscaram proteger suas identidades culturais das consequências da globalização. Pessoas, nesta parte do mundo e na nossa, portanto, efetuaram grandes esforços para entender a sociedade em que vivem como parte de um escudo protetor para suas aspirações e interesses individuais e coletivos.

A pressão deste fenômeno de caráter mundial sobre suas identidades culturais levou países asiáticos e o Brasil a buscarem um conjunto de valores que lhes permitisse consolidar suas crenças, hábitos e ideais, herdados através de história compartilhada. Na medida em que fossem bem sucedidos, o fortalecimento de interesses comuns a seus cidadãos forneceria a esses países agendas de preocupações próprias, em oposição à réplica, dentro de suas fronteiras, de parâmetros culturais da América do Norte e da Europa.

Para muitos, fora do continente asiático, a propósito, até há pouco tempo, o “jeito” desta parte do mundo significava ciclos de controle de qualidade e outras técnicas de administração criadas pelas empresas japonesas, a partir da década de 1970.

Gradativamente, a região começou a projetar-se na consciência mundial, a partir de novas formas de inserção, em termos de idéias e valores. Passou-se, assim, a entender que existe uma rede muito mais ampla de crenças que servem de base de sustentação para o processo de crescimento da Ásia-Oriental.

O interesse acadêmico sobre a evolução dos regimes políticos na Ásia-Pacífico intensificou-se, desde o término da Guerra Fria. Recentemente, novas perguntas passaram a ser formuladas, como a relativa à possibilidade de que a falência universal do autoritarismo venha a produzir o mesmo tipo de padrões democráticos aceitos pelo Ocidente, no continente asiático, onde experiências históricas, muitas vezes milenares, provocaram a emergência de formas de governança bastante originais, tanto na China quanto em países do Sudeste Asiático.

Na mesma perspectiva, colocou-se o debate quanto ao desenvolvimento do sistema capitalista e das práticas de economia de mercado em países de acelerado crescimento, onde personalidades fortes ou partidos políticos com longa permanência no poder, levaram o Estado a desempenhar papel preponderante no funcionamento das forças de mercado. Também neste setor, são notadas marcantes diferenças entre os modelos adotados na Ásia-Oriental e os de tradição europeia e norte-americana.

O jeito asiático (“The Asian Way”), em suma, consideraria que direitos individuais poderiam, em determinado momento, serem colocados em segundo plano, em favor do progresso ou segurança da sociedade, segundo o entendimento de dirigentes eleitos ou não.

O diálogo entre culturas, a propósito, tem sido objeto de intenso debate, a partir de meados da última década do século XX.

Assim, com o término da Guerra Fria, abriu-se amplo leque de oportunidades para o aprofundamento do diálogo entre Estados, incluindo temas econômicos, políticos, de segurança, estratégicos e direitos humanos. Simultaneamente, o “diálogo entre civilizações” entrou, também, em nova fase.

A publicação, em 1993, do livro de Samuel Huntington sobre o “Conflito entre Civilizações”[1], no entanto, provocou grande repercussão. Segundo o autor, “cultura e identidades culturais, que em sua acepção mais ampla são identidades de civilização, estão moldando os padrões de coesão, desintegração e conflito no mundo do pós-Guerra Fria”. Para alguns analistas, o Professor de Harvard identificou, pela primeira vez, na história o centro de poder da política global como multipolar e envolvendo diversas civilizações. Distinguiu entre modernização e ocidentalização. Enterrou o mito de uma só civilização universal e ocidentalizada. Analisou o espantoso progresso econômico, militar e político da Ásia pós-década de 1960 e alertou para a explosão demográfica do Islã.

Nas nove civilizações do mundo, de acordo com Huntington, o Ocidente resumir-se-ia a Europa Ocidental, América do Norte e Oceania. Inventou, então, uma certa “civilização latino-americana”, para onde o Brasil foi despachado. No outro extremo, haveria uma “civilização budista”. Identificou, então, tendências no sentido de confrontos entre civilizações. A seu ver, com o término da bipolaridade ideológica mundial, característica do período da Guerra Fria, na busca do fortalecimento de sua identidade, diferentes povos seriam levados a situações de conflito. O choque se daria, principalmente, no processo de competição entre as civilizações de um Ocidente em declínio e um Oriente emergente, onde se sobressairíam o Islã e o Confucionismo.

Em parte, talvez, como reação às teses do “The Clash of Civilizations”, diferentes iniciativas, buscando provocar o efeito contrário do previsto pela obra do professor norte-americano, foram colocadas em prática, já a partir do ano seguinte à publicação do livro.

Wang Meng[2], um escritor chinês, resumiu em cinco “modelos” sua visão de como ocorrem os relacionamentos entre culturas. Em primeiro lugar, acontece o hegemonismo ou colonialismo cultural, que trata a cultura mais forte como referência a ser imitada pelas demais e se apresenta como destinada a eliminar todas as em posição de inferioridade.

A segunda é a exclusividade ou conservadorismo cultural, que rejeita qualquer ideia nova e repudia compartilhar sistemas de valores ou normas com qualquer outra cultura.

A terceira é o chauvinismo cultural, que focaliza em conflitos entre culturas, sem considerar suas possibilidades de trocas, fusões, complementariedade e promoção mútua. Parcial e obcecada com a confrontação, alimenta hostilidades intra-culturais e desentendimentos.

A quarta é o relativismo cultural, fornecendo justificativas para visões e comportamentos anti-humanitários conduzentes à negação completa da compartilhação de valores do pluralismo cultural.

Finalmente, aparece o modelo relativamente ideal, que advoga o diálogo e troca entre culturas, na busca por lugares comuns, enquanto preservando diferenças, incentivando o aprendizado e entendimento mútuos, na esperança do desenvolvimento do grupo e dos indivíduos.

O estudo da influência da cultura como fator de agregação foi efetuado por Francis Fukuyama, em seu livro “Confiança”[3], no qual defende, entre outras, a ideia de que as nações dependeriam para tornar-se competitivas, cada vez mais, de sua sociedade civil, isto é, da capacidade de pessoas trabalharem juntas, visando a objetivos comuns, em grupos e organizações, sustentando-se em hábitos culturais antigos: reciprocidade, obrigações morais, deveres para a comunidade e sobretudo “confiança”.

No Brasil, a capacidade de absorção de outras culturas, foi sendo desenvolvida, desde o início da colonização e da formação de nossa civilização tropical.

Ao chegar à região Leste do continente sul-americano, Pedro Alvarez Cabral encontrara uma gente cuja forma autoctona de ser a tornava perfeitamente confortável no ambiente de integração com a natureza em quem viviam. A terra era rica em recursos naturais, as florestas transbordavam de vida e seus rios sustentavam os nativos.

A miscigenação dos colonizadores com o povo local e com os trazidos à força da África criou um país onde a variedade racial é um fato da vida. A disponibilidade para a tolerância diante de outras culturas foi transmitida através de sucessivas gerações de brasileiros, tornando-nos um povo voltado para o futuro, direcionado para o que virá a seguir. Em comparação com certas nações cuja história é carregada de fortes nacionalismos, temos sempre recebido bem pessoas de diferentes raças e culturas.

No que diz respeito à influência chinesa no Brasil, recorro a ensaio do Professor Severino Cabral, para quem é possível traçar em grandes linhas a história da criação do que define “como os começos de um conhecimento brasileiro, ou uma visão brasileira do mundo de cultura e civilização chinesa”. Tal intercâmbio teria início desde os primórdios da criação do Brasil quando se introduziram costumes, crenças e saberes oriundos da Ásia (Índia e China) nas estruturas sociais e culturais que produziram o nascimento do ser nacional brasileiro.

Na América, espanhóis e portugueses iniciavam a exploração dos novos territórios com a participação dos jesuítas, que, envolvidos no seu projeto de conquistar as populações locais, engajaram-se no processo da “Catequese”. Tratavam de integrar essas populações que se encontravam em diferentes estágios de desenvolvimento ao processo religioso e civilizatório euro cristão.

Enquanto isso, no Oriente as civilizações da Índia e da China apresentavam as marcas perenes de esplendidas criações do engenho e arte humanos. Elas interpelavam os Jesuítas, impondo-lhes um grande desafio. “O desafio de oferecer uma nova crença que representasse algo de novo a um mundo espiritual tão complexo e completo” — sempre de acordo com o Sr. Severino Cabral.

O Brasil, como recentes estudos têm comprovado, também recebeu em sua formação a influência da cultura e da civilização chinesa.

No início desta exposição, a propósito da globalização, foi mencionado que o fenômeno tem ditado uma cultura uniforme com características ocidentais às diferentes regiões do mundo. Para encarar o desafio, mencionou-se, países na Ásia-Pacífico e o Brasil buscam proteger suas identidades culturais. A pressão deste fenômeno de caráter mundial sobre suas identidades culturais leva países asiáticos e o Brasil a buscar um conjunto de valores, em suas respectivas regiões, que lhes permita consolidar suas crenças, hábitos e ideais.

Existe, então, um Jeito Asiático e um Jeito Brasileiro para fazer face a tais desafios da globalização.

Importância para o Brasil

A importância da reflexão sobre o tema deve-se à influência que a emergência de um bloco político de interesses recíprocos e de mega proporções — como o representado pela China e o Sudeste Asiático — exercerá no ritmo de integração e cooperação na Ásia-Pacífico.

Ademais, existe a possibilidade de que laços culturais possam vir a ser fator determinante na expansão de fronteira econômica na área em questão, em oposição ao exercício da força como garantia de esfera hegemônica, conforme ocorrido, com frequência, em outras partes do mundo.

Nessa perspectiva, para melhor relação de empatia com esta mega região, torna-se necessário mapear tendências, novos atores e paradigmas que estão amadurecendo, na medida em que estas sociedades encaram o desafio de criar, em nível regional, um marco de referência que permita reverter o fenômeno avassalador da globalização, que reorganiza o sistema político e econômico mundial, aprofundando a internacionalização da produção, impondo uma cultura uniforme com traços ocidentais e determinando as formas de inserção das distintas regiões do planeta.

Nota-se, ademais, que o interesse acadêmico quanto à evolução dos regimes políticos na Ásia-Pacífico intensificou-se, desde o término da Guerra-Fria. Recentemente, novas perguntas têm sido formuladas, entre estas, a que diz respeito à possibilidade de o fenômeno universal da falência do autoritarismo vir a produzir o mesmo tipo de padrões democráticos, nos termos aceitos pelo Ocidente, no continente asiático, onde experiências históricas, muitas vezes milenares, provocaram a emergência de formações sociais organizadas de formas bastante originais.

Na mesma perspectiva, coloca-se o debate quanto ao desenvolvimento do sistema capitalista e das práticas de economia de mercado em países, até recentemente, de acelerado crescimento, onde personalidades fortes ou partidos políticos com longa permanência no poder, levaram o Estado a desempenhar papel preponderante no funcionamento das forças de mercado.

A integração econômica regional, ademais, talvez não aconteça, meramente, através da réplica, na Ásia-Pacífico, das normas de economia de mercado e de governança nos moldes anglo-saxões, decorrentes da expansão do “production sharing”, da livre circulação dos atores econômicos globais e da mundialização de valores de organização política vigentes no Ocidente. A alternativa a ser examinada seria a possibilidade de vir a prevalecer o somatório de interesses compartilhados por diferentes “redes” asiáticas — formada cada uma por chineses, indianos, malaios, japoneses e outros — que, após a consolidação desse processo de “convergência de civilizações”, gradativamente, negociariam uma agenda comum com a vertente norte-americana da Bacia do Pacífico e, em seguida, com outras partes do mundo.

Nesse contexto, cumpre ressaltar o papel de força motora desempenhado pelos chineses de ultramar, espalhados pela Ásia-Pacífico. Graças a esses atores econômicos, criaram-se marcos de referência, incluindo valores, ideias, crenças, consolidadas através de uma história compartilhada. Laços foram estabelecidos, assim, a partir do fato de falarem o mesmo dialeto, pertencerem à mesma família ou serem originários de um único povoado, província ou região. A relação de confiança, que tais condições conferem a transações comerciais e financeiras, nesta parte do mundo, supera a capacidade de coerção ditada por muitos diplomas legais no Ocidente.

Ocorre, assim, a emergência de uma área de interesses recíprocos e de mega proporções, que exercerá influência determinante no ritmo de integração e cooperação de uma “Grande China”, que, segundo alguns, poderá futuramente, incluir não apenas Hong Kong, Macau e Taiwan, mas também os “Overseas Chinese”, situados em países vizinhos, no Sudeste Asiático.

O tema da emergência de uma “Grande China” é de importância para o Brasil, entre outras, pelas razões seguintes:

a) pela influência que a emergência de um bloco político de interesses recíprocos e de mega proporções — como o representado pela China e o Sudeste Asiático — exercerá no ritmo de integração e cooperação na Ásia-Pacífico, uma das maiores economias do planeta;

b) pelo fato de que laços culturais possam vir a ser fator determinante na expansão de fronteira econômica na área em questão, em oposição ao exercício da força como garantia de esferas hegemônicas, conforme ocorrido com frequência naquela parte do mundo, desde a chegada dos ocidentais; e

c) pelo desejo do Brasil de criar vínculos especiais com os países membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

A estabilidade e o progresso na Ásia-Pacífico, bem como seu bom relacionamento com outros países, passaram, portanto, a ser entendidos, como dependentes cada vez mais, de processos de cooperação que garantam a negociação entre suas diferentes culturas.

Certamente, não será com xingamentos e colorização de vírus que iremos consolidar relações de parceria com a China. Vale a pena recordar o dito por Oswald de Andrade, em 1928:

“Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz. Tupi, or not tupi that is the question. Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos. Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.”

Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, em 1928, que nos indica o caminho brasileiro de aceitar o que nos é estranho sem deixar de transformá-lo em algo mais próximo de nossa personalidade nacional.

Notas:

  1. ”The Clash of Civilizations”, de Samuel Huntington, Simon and Schuster.

2. Discurso de Wang Men, durante o Forum do Século XXI, Seminário sobre o Diálogo entre Civilizações, Pequim, Setembro de 2001.

3.“Confiança — As virtudes e a criação da prosperidade”, por Francis Fukuyama, Editora Rocco — Rio de Janeiro — 1996.

Sobre o autor

Paulo Antônio Pereira Pinto é Embaixador aposentado.

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Revista de Divulgação Científica em Relações Internacionais — ISSN 2175–2052

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