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China-Vietnã: a complexidade do relacionamento histórico

Paulo Antônio Pereira Pinto

Photo by CHUTTERSNAP on Unsplash

“A China nunca ocupou militarmente o território de país vizinho algum”, declarou o Ministro da Defesa da RPC, Sr. Wei Fenghe, durante pronunciamento no “Shangri-La Dialogue”, realizado em Singapura, no mês de junho passado.

Na sequência, durante a sessão de perguntas, jornalista vietnamita perguntou ao General chinês se “levando em conta o passado de seguidas invasões chinesas do território do Vietnã, sua declaração referir-se-ia a situações futuras”.

Em resposta, Wei Fenghe, sugeriu o “estudo da história das relações entre os dois países, bem como a análise da situação atual de suas relações”.

Portanto, sugiro reflexão quanto à proposta da autoridade chinesa, com base no relato da história deste relacionamento bilateral, descrita em meu livro “A China e o Sudeste Asiático”, pela Editora da Universidade / UFRGS, Porto Alegre, em 2000; a respeito do atual relacionamento sino-vietnamita, no âmbito do agrupamento econômico regional, RCEP (Parceria Regional Econômica Abrangente, em sua sigla inglesa), refiro-me a coluna publicada por Mundorama, em janeiro de 2021, sob o título de “CHINA, ASEAN e RCEP”.

Concluo observando que a complexidade das relações sino-vietnamitas, no momento, se tornou em complementariedade, segundo visão da Ásia-Pacífico. A formação de um gigantesco bloco econômico — a RCEP — com a participação dos dois países, contudo, parece incomodar observadores em outras partes do mundo.

Nessa perspectiva, o professor William J. Duiker, em “China and Vietnam: the roots of conflict[1]”, explica a complexidade pouco comum do relacionamento histórico entre a China e o Vietnã. Durante mais de dois milênios, laços políticos e culturais mantiveram suas populações estreitamente ligadas. No período de mil anos, o Vietnã foi parte integrante da China; mesmo após sua independência, os dirigentes vietnamitas continuaram a aceitar uma “subordinação tributária”, com relação ao império chinês. Tal convivência sempre representou a sensação de ameaça e perigo para a sobrevivência mesmo da nação vietnamita.

Os esforços constantes em busca da estabilidade, no Sudeste Asiático, portanto, sempre tiveram que levar em conta os conflitos entre a China e o Vietnã.

Assim, em época coincidente com o início da Era Cristã, ocorreu a dominação do território onde hoje se situa o Vietnã, pelos Han — grupo formador da etnia chinesa. Com o objetivo de destruir o poder de influência dos setores então dominantes, nova classe de funcionários civis e militares chineses foi enviada para administrar aquele território.

Como consequência, iniciou-se processo de aculturação, através da transferência de técnicas administrativas, preferências culturais e valores sociais do Império do Centro. Durante os séculos seguintes, a sociedade vietnamita assistiu à instalação em seu país de instituições políticas, arte, arquitetura, literatura e mesmo do idioma chinês escrito.

Apesar desses esforços de assimilação, sobreviveram tanto a originalidade da cultura vietnamita, quanto o apego à independência. Formou-se um novo grupo de origem Han-vietnamita e sucederam-se movimentos de libertação. Até que, no século X, como consequência da desintegração da dinastia Tang, então reinante na China, os chineses foram expulsos e o Vietnã tornou-se independente.

Paradoxalmente, contudo, a restauração do Estado vietnamita não resultou na eliminação dos traços culturais trazidos nos séculos anteriores pelos invasores. Pelo contrário, consolidaram-se as influências chinesas, principalmente no que diz respeito à organização do aparelho estatal, com a predominância de valores confucionistas para a organização, administração e instalação do “novo Vietnã”.

Procedimentos e técnicas burocráticas chinesas, bem como eficientes quadros de funcionários treinados dentro das normas confucionistas vieram a fortalecer o Estado vietnamita. Simbolicamente, até o nome do novo país — “Dai Viet”, ou “Grande Viet” — foi adaptado da denominação original que os chineses atribuíam aos povos situados ao sul de suas fronteiras.

Segundo John K. Fairbank, em “The Chinese world order[2]”, contudo, não se deve exagerar a influência cultural da China na sociedade vietnamita. Isto porque, práticas chinesas sempre foram adaptadas às condições locais. Por exemplo, de acordo com a norma adotada no vizinho do Norte, eram realizados exames para o serviço público. No Vietnã, contudo, estes eram aplicados preferencialmente a membros da aristocracia rural e, somente em etapa posterior, a pessoas consideradas de classe inferior. Desta forma, principalmente os segmentos sociais dominantes foram afetados pelas normas importadas da China, enquanto a maioria dos vietnamitas permaneceram alheios a tais heranças.

Nesta perspectiva, arte popular, arquitetura, literatura e música continuaram a refletir temas folclóricos locais, bem como a apresentar influências mais próximas de culturas vizinhas do Sudeste Asiático, como as civilizações Angkor e Champa. No campo artístico, poucos traços são encontrados da cultura chinesa.

A mesma ambiguidade tornou-se marcante no relacionamento político entre os dois países. Dirigentes vietnamitas frequentemente acharam conveniente aceitar com relação a seu próprio país as pretensões hegemônicas ou tutelagem que a China projetava sobre as nações vizinhas.

A propósito, os Estados que adquiriam relações tributárias com relação ao Império chinês — por vontade própria ou não — vinham a beneficiar-se política e economicamente. Por um lado, o dirigente de um país tutelado pela China vinha a adquirir legitimidade incontestável, segundo a estrutura de poder então reinante. Por outro, pequenos países com vínculos especiais com a China adquiriam acesso preferencial de seus produtos ao sempre vasto e cobiçado mercado chinês.

Cabe reiterar, entretanto, que a aceitação de dependência tributária em momento algum constituiu obstáculo para o desenvolvimento de forte consciência nacional. Extremamente zelosos com respeito a sua independência, os vietnamitas sempre reagiram com o maior vigor, ao se sentirem ameaçados pelo poderoso vizinho ao Norte.

A relação de subordinação à China, contudo, cessou em 1880, quando a expansão comercial europeia alcançou o Vietnã, colocando-o sob o domínio da França. Com o término da dependência tributária, enfraqueceram-se os laços culturais que havia tanto tempo perdurado entre chineses e vietnamitas. Criou-se, no entanto, novo patamar de interesses em comum, a partir do desafio do combate à humilhação imposta pelos europeus à China e ao Vietnã.

Apesar de a China estar então assolada por problemas internos, que lhe impediam o cumprimento do acordo de socorrer o Vietnã — conforme previam os vínculos de vassalagem — os intelectuais vietnamitas continuaram a inspirar-se em valores chineses, na luta contra os novos invasores.

Com a proclamação da República na China, em 1912, as propostas reformistas chinesas foram amplamente divulgadas no Vietnã, principalmente pela recusa da influência cultural do Ocidente. Em fase posterior, novos vínculos foram criados com a expansão da ideologia comunista pela Ásia.

Após a vitória da Revolução Russa, em 1917, como se sabe, fundou-se o COMINTERN, dois anos depois, com o objetivo de divulgar as propostas revolucionárias em outros países[3]. Em1921, formou-se o Partido Comunista Chinês e, em 1925, Ho Chi Minh (então conhecido como Nguyen Al Quoc) estabeleceu a primeira organização marxista na Indochina Francesa: a Liga Revolucionária da Juventude Vietnamita.

Desde sua fundação, os dois partidos tiveram seus destinos intimamente ligados. Ambos eram o resultado da “onda anti-imperialista”, que varria a Ásia, e encontravam inspiração junto a intelectuais radicais que pretendiam tanto a derrubada de governos e enclaves coloniais, quanto a eliminação das camadas feudais então existentes.

O vínculo mais estreito da Liga vietnamita, contudo, foi inicialmente com o COMINTERN em Moscou e, não, com o PCC, em Pequim. Foram os soviéticos que forneceram treinamento e recursos a Ho Chi Minh, para a formação de partido marxista revolucionário no Vietnã.

Com o advento da Segunda Guerra Mundial, a União Soviética precisou concentrar seus recursos na Europa. Em 1930, fora fundado o Partido Comunista Indochinês que, a partir de 1941, passou a ser conhecido como “Vietminh”. Paralelamente, teve lugar maior aproximação vietnamita do Partido Comunista Chinês, inclusive com a adoção das técnicas de guerrilha rural desenvolvidas por Mao Zedong. Para tanto, combatentes vietnamitas, em sua luta contra os franceses e japoneses, utilizaram santuários localizados em território ao Sul da China.

Como consequência do término da guerra no Pacífico, enfraqueceu-se a autoridade dos colonizadores franceses na Indochina, abolida pelos japoneses em 1945. Com a derrota do Japão, também naquele ano, criou-se vácuo de poder, logo ocupado pelo Vietminh, que veio a criar governo provisório, chefiado por Ho Chi Minh.

Formou-se a República Democrática do Vietnã, que permanecia ocupada, ao Norte, por força expedicionária chinesa lá enviada para auxiliar no combate aos japoneses e, ao sul, sob o controle da França. Em acordo assinado em 1946, entre a França e a China, tropas chinesas foram retiradas e o Vietnã reintegrado como um “Estado Livre”, no âmbito do grupo de territórios sob o domínio francês.

Ao contrário do que Ho teria esperado, os franceses não se dispuseram a sair tão rapidamente da Indochina quanto os chineses, conforme, ademais, estaria previsto no referido tratado sino-francês, citado acima. Como consequência, entre 1946 e 1954, a França resistiu política e militarmente à independência da “colônia vietnamita[4]”.

Em 1954, reuniu-se a Conferência de Genebra, com a finalidade de pôr término à presença dos franceses na Indochina. O resultado desagradou extremamente aos dirigentes da República Democrática do Vietnã, que viram seu país ser dividido em duas partes. Hanói, posteriormente, veio a culpar os chineses por fornecerem apoio insuficiente para que, logo após a vitória de Dien Bien Phu, os militares vietnamitas pudessem vir a libertar inclusive o sul da península. Pequim alega que o Vietminh não teria condições de ir além dos limites obtidos com aquela batalha. Tais desavenças, contudo, contribuíram para fortalecer as desconfianças históricas existentes entre os dois países e servir de pretexto adicional para que os vietnamitas julgassem não desejar a China ver o Vietnã unido e forte.

De qualquer forma, logo após a Conferência, os dois países desenvolveram seus melhores esforços no sentido de manter as relações em nível aceitável. Ambos tinham grandes interesses em jogo. Ao Vietnã convinha estar em boas graças com os chineses, a fim de obter ajuda para seu projeto de reconstrução ao Norte, como forma de promover a integração do Sul. À China era fundamental garantir a estabilidade em suas fronteiras com o Sudeste Asiático visto que, naquele momento, quando se consolidavam as fronteiras da Guerra Fria os Estados Unidos vinham consolidando alianças militares no estilo da Organização do Tratado do Sudeste Asiático (SEATO), que viria a ser a contrapartida da OTAN, naquela parte do mundo.

Desavenças, contudo, continuavam a ocorrer na medida em que, ao contrário do que havia sido acordado na Conferência de Genebra, eleições deixaram de ser realizadas como processo conducente à reunificação do Vietnã.

A partir de 1956, Hanói decidiu intensificar a luta armada contra o regime de Saigon. Para tanto, os vietnamitas teriam que contar com o suporte da União Soviética ou da RPC. Moscou, de sua parte, esforçava-se por evitar confrontações com Washington. A China pareceria, em princípio, oferecer melhor perspectiva de apoio, visto que, a partir de 1957, Mao havia iniciado período de radicalização, tanto no plano interno, quanto no externo.

As prioridades chinesas, entretanto, concentravam-se na área de confrontação com os Estados Unidos quanto à questão de Taiwan. Mesmo em seus momentos mais exacerbados de condenação dos norte-americanos, Pequim nunca deixou de avaliar as dificuldades de abrir leque por demais extenso de disputa com Washington. Desta forma, não parecia aconselhável à RPC, naquele momento, patrocinar revolução contra a presença dos EUA no Vietnã do Sul.

Mesmo assim, os norte-vietnamitas decidiram intensificar, a partir de 1959, o auxílio ao movimento de insurgência no Sul, popularmente conhecido como VietCong. Em 1961, a recém-instalada administração Kennedy iniciou a participação direta americana em apoio ao Presidente Ngo Dinh Diem.

Em outro desenvolvimento, ocorreu o cisma sino-soviético, com a consequente disputa entre a RPC e a URSS pela liderança das causas dos “povos oprimidos”. A luta dos vietnamitas voltou a interessar, nesta perspectiva, aos chineses.

Em 1963, foi derrubado o regime de Diem, em Saigon. Os norte-vietnamitas procuravam, então, intensificar suas ações militares ao Sul, visto o estado de confusão generalizada naquela parte do país. No ano seguinte, Nikita Krushchev foi deposto e iniciou-se a era de Leonid Brezhnev, com crescente espírito de confrontação contra os Estados Unidos. Aumentaram, na sequência, as disputas entre Pequim e Hanói — agora fortalecidas pela promessa de maior apoio dos novos governantes soviéticos — quanto à intensidade a ser concentrada na guerra aos aliados de Washington no Vietnã do Sul.

Ao término da luta contra os norte-americanos, em 1975, as contradições entre chineses e vietnamitas chegaram ao ponto em que Hanói jurava ser a intenção de Pequim manter o Vietnã dividido, como forma de facilitar o domínio da China sobre o Sudeste Asiático.

Em 1978, como se sabe, o Vietnã invadiu o Camboja. No início do ano seguinte, a China decidiu “ensinar uma lição ao Vietnã”, atacando o país vizinho ao Sul, com resultados militares discutíveis. A questão cambojana só foi resolvida, após a retirada vietnamita, em 1991, acordada em conferência realizada em Paris. Em 1993, a Organização das Nações Unidas supervisionou a realização de eleições que resultaram no retorno de Sihanouk ao trono em Phnom Penh.

Além das rivalidades milenares já mencionadas, a discordância moderna essencial entre China e Vietnã, durante o período da Guerra Fria, derivou, também, da diferença de avaliação quanto à dinâmica das forças globais que influíam sobre o cenário regional.

Segundo o ponto de vista vietnamita, a política internacional resumir-se-ia à interpretação leninista de que perduraria sempre o conflito bipolar entre as forças reacionárias e o socialismo[5].

Tal visão, evidentemente, coincidia com a necessidade de apoio da União Soviética, na luta contra os Estados Unidos. Os chineses, de sua parte, já se haviam convencido de que o auxílio soviético custava demasiado caro, em virtude dos desejos hegemônicos de Moscou. A RPC partia para sua definição dos “Três Mundos”, na qual União Soviética e Estados Unidos eram situados no “primeiro mundo”, em oposição às potências médias e países em desenvolvimento, classificados no segundo e terceiro mundos, respectivamente.

Diante do panorama internacional daquele momento, tanto o Vietnã, quanto a China, teriam perdido, em grande medida, justificativas que encontravam para suas políticas antagônicas.

Isto é, a partir da política de modernização e sua abertura para o exterior, na década de 1980, a RPC passou a sinalizar seu propósito de que “a principal divisão global moderna” seria aquela entre países ricos e pobres.

Assim, de sua parte, Pequim procuraria trilhar o caminho indicado por países de melhor sucesso na Ásia-Pacífico, como o Japão e a Coréia do Sul. Quanto ao Vietnam, não lhe seria possível continuar na categoria de uma das nações menos avançadas do Sudeste Asiático, enquanto a ASEAN se tornava o fator de modernização econômica, após ter contribuído para a solução do problema cambojano.

A ideologia dominante, a partir de então, seria a do crescimento econômico e, nesse sentido, seria necessário obter moldura política regional estável. As rivalidades históricas seriam deslocadas para a competição dos índices de progresso.

De forma simplificada e pulando detalhes históricos das últimas décadas, chega-se à segunda parte da resposta do Sr. Wei Fenghe, durante pronunciamento no “Shangri-La Dialogue”, realizado em Singapura, no mês de junho passado. Refiro-me, agora, ao atual estágio da complexidade das relações entre a China e o Vietnã.

Nessa perspectiva acelerada, atualmente, o mundo acostumou-se a que anúncios relativos à formação de grandes projetos de integração, na Ásia-Pacífico e seu entorno, sejam feitos pelo e associados ao Presidente Xi Jinping, da República Popular da China.

A declaração do Primeiro-Ministro do Vietnã, Nguyen Xuan Phuc, em 15 de novembro de 2020, contraria esta rotina. Naquela data — segundo noticiado — o líder vietnamita afirmou, na condição de “país anfitrião” de cúpula online, que “Tenho o prazer de dizer que, após oito anos de trabalho duro, a partir de hoje, concluímos oficialmente as negociações da RCEP (Parceria Regional Econômica Abrangente) para a assinatura”.

Segundo Phuc, a conclusão das negociações da RCEP envia uma mensagem forte ao mundo, ao “reafirmar o papel de liderança da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) em defesa do multilateralismo”. “O acordo apoia o sistema comercial multilateral, criando uma nova estrutura na região, permitindo a facilitação do comércio sustentável, revitalizando as cadeias de abastecimento interrompidas pela covid-19 e ajudando na recuperação pós-pandêmica”.

Foi assim oficializada, por conferência virtual, a criação do maior tratado comercial do mundo, que envolve a China e outros 14 países da região Ásia-Pacífico, deixa de fora os Estados Unidos e abarca uma área onde vivem mais de 2,2 bilhões de pessoas. O tratado RCEP abrangerá um terço da atividade comercial do planeta, e os signatários esperam que sua criação ajude os países a sair mais rápido da turbulência imposta pela pandemia de corona vírus. Além dos dez membros da Asean (que inclui, como se sabe, o Vietnã), o tratado abrange China, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia.

Se, no contexto regional, as relações entre a China e o Vietnã parecem direcionar-se para uma Era de paz e prosperidade, observadores situados fora da Ásia-Pacífico, consideram versões distintas quanto a evolução daquela área.

Assim, por exemplo, “O Conceito Estratégico da OTAN 2022”, publicado em junho passado, descreve os chineses como belicosos. Segundo o documento: “Ambições declaradas e políticas coercitivas pela RPC desafiam interesses, segurança e valores da OTAN. A China emprega amplos instrumentos de caráter político, econômico e militar para incrementar sua presença global e projeção militar, enquanto permanece opaca quanto a sua estratégia, intenções e aumento da capacidade militar”.

De sua parte, Henry Kissinger, em recente entrevista, ao referir-se à ascensão chinesa, explica que: “The history of China over thousands of years is that of a country which is dominant in its region by a magnitude. This has created a style of foreign policy where they seek their influence through the scale of their achievement, the majesty of their conduct, reinforced where necessary by military force but not dominated by it”.

O ex-Secretário de Estado norte-americano, portanto, compartilha visão mais otimista quanto ao atual papel a ser desempenhado pela RPC em sua inserção internacional. Isto é, “o estilo de sua política externa é o de procurar exercer influência por meio da escala de suas conquistas, através da majestade de sua conduta, reforçada, quando necessário, pela utilização da força, mas, não necessariamente pela constante ameaça do emprego de tais meios”.

De qualquer forma, de acordo com aquele velho ditado chinês, “todo momento de crise também o é de oportunidade”. Assim, a complexidade das relações sino-vietnamitas se tornou, no mundo atual, em oportunidade para a cooperação.

Notas

[1] “For more than two millenia, China represented the primary threat to the independence and national identity of the Vietnamese people, and it is not so much to say that the Vienamese nation has been formed, in considerable measure, in the crucible of its historic resistance to Chinese conquest and assimilation”. University of California, 1986.

[2] “The Chinese world order”, John F. Fairbank, Cambridge, Harvard University Press, 1968.

[3] “The Chinese world order”, John F. Fairbank, Cambridge, Harvard University Press, 1968. Já citado anteriormente.

[4] “Le Monde Contemporain” Collection d’Histoire Louis Girard, 1966

[5] Em “The Indochina Tangle — China’s Vietnam Policy 1975–1979”, Columbia University Press, New York, 1988, Robert S. Ross estuda, em detalhes, as divergências históricas e mais recentes, entre Pequim e Hanói.

Sobre o autor

Paulo Antônio Pereira Pinto: Embaixador aposentado, autor de “A China e o Sudeste Asiático”, publicado pela Editora da Universidade / UFRGS, em 2000.

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Mundorama é uma publicação do Centro de Estudos Globais da Universidade de Brasília

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