Existe Aprendizado Organizacional em Todos os Negócios?

“Se há algum segredo de sucesso, ele consiste na habilidade de aprender o ponto de vista da outra pessoa e ver as coisas tão bem pelo ângulo dela como pelo seu.” Henry Ford

Henry Ford nos promove uma reflexão acerca do aprendizado: empreendedores, na sua maioria, são indivíduos com competências inovadoras, proativas e que possuem capacidade de identificar novas oportunidades; proprietários e gestores em geral, principalmente os de pequenos negócios, via de regra, aprendem de modo informal com consumidores, fornecedores, empregados, associações de classe, competidores e também com outros empreendedores. Eles aprendem através da observação, ao se colocar no lugar do outro, ao fazer, ao explorar, ao experimentar, ao copiar e, mais que tudo, ao resolver problemas. O local de trabalho é o cenário das oportunidades para o aprendizado.

Freitas e Brandão (2006) salientam que, para desenvolver e ampliar as competências empreendedoras dos indivíduos, é relevante que haja o processo de aprendizagem e ponderam que não há desenvolvimento sem aprendizagem. Sendo assim, ela é vista como competência e o conhecimento como um recurso, e ambos são necessários para empreender.

O exercício profissional exige habilidade pessoal para enfrentar situações variadas por que na interação entre as pessoas há diversidade de valores, atitudes e sentimentos. Na troca de experiências, há a oportunidade de aprender, de colocar-se no lugar do outro e assim assimilar com as variadas atividades que determinado segmento exige, independentemente do tamanho do negócio. A experiência estimula a retroalimentação do conhecimento, e esta possibilita uma melhor performance, sendo a aprendizagem empreendedora um processo experiencial.

Peter Senge (1998), especialista em aprendizado organizacional, afirma que todas as empresas são Organizações que Aprendem. As pessoas que nelas trabalham precisam acreditar em algo que tenha significado pessoal para poderem expandir continuamente a sua capacidade de criar os resultados que desejam, estimular padrões de comportamentos novos e abrangentes e também estimular-se mutuamente para, juntas, aprenderem.

“As Organizações que Aprendem são aquelas que as pessoas aprimoram continuamente suas capacidades para criar o futuro que realmente gostariam de ver surgir”. (Senge, 1998, p.82).

Para que sejam criadas e mantidas mais organizações que aprendem, é necessário derrubar algumas barreiras do aprendizado. O domínio de determinadas disciplinas básicas, segundo o autor, é o que distingue aquelas que aprendem daquelas que pararam no tempo. Conheceremos a seguir as disciplinas de Senge:

Domínio Pessoal: Propicia para a organização um conhecimento das pessoas que interagem neste meio, buscando a criação de um ambiente que incentive a criatividade, reflexão, indagação e senso crítico, desenvolvendo a capacidade coletiva e o entendimento. É o alicerce da organização que aprende.

Modelos Mentais: Esta disciplina consiste em refletir, esclarecer continuamente e melhorar a imagem que cada um tem do mundo, a fim de verificar como moldar atos e decisões. Ou seja, os integrantes da empresa precisam aprender a criticar seus modelos mentais. Enquanto as ideias das pessoas não forem trazidas à tona, não será possível esperar mudanças. Se as pessoas acreditarem que suas ideias não precisam ser discutidas, questionadas, elas ficarão limitadas às suas experiências.

Visão Compartilhada: Em sua forma mais básica, a visão é a resposta à pergunta: “O que queremos criar?” Visões compartilhadas resultam de interesses comuns às pessoas que fazem parte de uma organização; trata-se de uma “visão” que gera engajamento em torno de um objetivo comum, de forma que prevalece o compromisso e o comprometimento em lugar da aceitação. Desta forma, os líderes e empreendedores precisam aprender que não há como querer ditar uma visão, acreditando que ela será assimilada de imediato.

Aprendizagem em Equipe: Começa pelo diálogo e a unidade de aprendizagem deve ser um grupo e não o indivíduo. Ele facilita o processo e, quando este produz resultados, seus integrantes e a organização crescem mais rápido.

Pensamento Sistêmico: Esta quinta disciplina de Senge integra todas as outras, é o elo entre a teoria e a prática. O pensamento sistêmico ajuda a enxergar as coisas como parte do todo, não como peças isoladas, bem como permite criar e mudar a sua realidade. É importante que as cinco disciplinas funcionem em conjunto. Ainda que pareça mais fácil de ser dito do que de ser feito, é preciso reconhecer que o raciocínio sistêmico reforça cada uma das outras disciplinas, “mostrando que o todo pode ser maior que a soma das partes” (Senge, 1990, p. 21).

Podemos concluir que as organizações que aprendem só podem ser construídas quando houver o aprendizado de que o mundo não é feito de forças separadas, que a capacidade de aprender contínua e rapidamente, se torna vantagem competitiva e sustentável. Dessa forma, as empresas do futuro, pequenas ou de grande porte são aquelas que conseguem descobrir como fazer com que as pessoas se comprometam e queiram adquirir conhecimento, desde o operacional até a alta gerência. Para isto ser possível nas organizações, é preciso que sejam coerentes com as mais elevadas aspirações de todos que dela fazem parte e que, na maioria das vezes, vai além das necessidades de gerar lucro.

E então, podemos afirmar que a postura de aprendiz é relevante em qualquer cenário?