6 Filmes e Documentários LGBTQs para abrir a mente

Desconstrua os seus preconceitos, desvende os tabus e aceite as outras pessoas, mas antes, aceite-se.

O cinema tem a capacidade louvável de apresentar novas perspectivas para as pessoas através de narrativas ficcionais, sempre com margem para o espectador se colocar no lugar: “E se fosse você, o que faria?”. Graças a essa possibilidade, os temas queers encontraram espaço para se desenvolverem nas telas, ganhando, inclusive, festivais no mundo todo. No Brasil, o maior exemplo é o Rio Festival Gay de Cinema, que teve A paixão de JL, de Carlos Nader, premiado como o melhor longa nacional de 2015.

São os cenários, os personagens, os enredos, as imagens e a plasticidade desses filmes que abrem a mente das pessoas para entender o mundo através do olhar do outro. Todos os anos, a produção dessa gênero cresce e novos títulos incríveis são adicionados à lista de filmes LGBTQs a se assistir. Por isso, o Não Faz a Frígida selecionou algumas obras, entre recentes e antigas, para você ficar em dia com o cinema queer e abrir sua cabeça para novas formas de pensar, amar e lutar:

VIRGINDADE

O curta metragem Virgindade, de Chico Lacerda, com produção do coletivo Surto & Deslumbramento, narra as primeiras vontades, as primeiras olhadas e os primeiros desejos de um homossexual. O tabu construído em cima da sexualidade no Brasil é, também, responsável pela sensação de proibição no momento de aventuras e descobertas sexuais, seja através do sexo, do prazer ou da idealização de fetiches.

É exatamente nesse ponto que o curta aposta, e acerta. As histórias do personagem contam a construção dos fetiches na fase da juventude — ver os colegas nu no vestiário, espiar os filmes da sessão pornô da locadora e desejar o cara no ônibus. Por esse e outros motivos, a obra foi premiada como o melhor curta nacional do Rio Festival Gay de Cinema.

SHORTBUS

Não é sobre amor, mas sim sobre sexualidade. Não se trata de segmentar, mas sim de viver. Essas duas frases resumem o pressuposto do longa Shortbus, de John Cameron Mitchell.

Este filme foi a maior surpresa do ano para mim. Em diversos momentos, ele retrata o processo que as relações afetivas e sexuais sofrem ao sair da esfera privada e se abrirem para o público. Seja ao abrir um relacionamento, seja ao participar de uma suruba, seja ao ser espiado pelo vizinhou ou, até mesmo, participar de terapia de casal.

O diretor conta que a produção ficou por cerca de três anos construíndo os personagens e o enredo. No final, o resultado é uma obra de arte com cenas realistas de sexo e diálogos esclarecedores.

TATUAGEM

Tatuagem é um filme brasileiro que se passa no período da Ditadura Militar. Clécio, um artista que comanda o coletivo Chão de Estrelas, conhece e se apaixona por Fininho, soldado do exército. Envolvido com os números artísticos do espetáculo promovido pelo coletivo — que falam do ser humano como se não houvesse distinção de orientação e gênero, tendo seu ápice no número final — o relacionamento com seu filho, companheira e amigo, o amor cada vez maior por Fininho, Clécio vê a censura bater às portas da sua casa proibindo o Chão de Estrelas de brilhar.

Além de ser uma obra cheia de conceitos e análises, Tatuagem se destaca pelo trabalho dos atores, pela fotografia do filme e pela trilha sonora.

DZI CROQUETTES

Um grupo de bailarinos e atores se reunia, na década de 1970, para romper, mudar e fugir dos padrões impostos pela ditadura militar brasileiras. Os espetáculos andrógenos, com corpos masculinos vestindo roupas femininas, deixando os pelos à mostra, trouxe um novo fôlego para o movimento de contracultura no país.

Dirigido por Tatiana Issa & Rafael Alvarez, o documentário aborda desde a junção da família Dzi Croquettes até a construção dos espetáculos e a aposentadoria do grupo. Faz isso através da memória dos membros ainda vivos e de depoimentos de depoimentos de Gilberto Gil, Nelson Motta, Pedro Cardoso, Miguel Falabella, Ney Matogrosso, Marília Pera, Cláudia Raia, Liza Minnelli, entre outros.

PAGEANT

O Miss Gay América é um concurso realizado nos Estados Unidos para escolher a melhor transformista, ou drag queen, do país. O concurso de beleza é extenso e exige um alto grau de profissionalismo das participantes, tanto no que diz respeito a apresentação pessoal, quanto nos números escolhidos para cada etapa.

O documentário Pageant traz a história de algumas participantes da 34ª edição do Miss Gay América. Ao longo da trama, alguns nomes conhecidos por conta do reality Rupauls Drag Race, como Porckchop e Allysa Edwards, contam suas histórias com o concurso. Vale a pena entender os bastidores dos concursos de drag queens nos Estados Unidos e analisar as diferenças com os brasileiros.

PARIS IS BURNING

Quem assistiu Rupauls Drag Race já ouviu: “In the great tradition of Paris is Burning, the library is opened”. O documentário é de 1990 e aborda a cultura dos bailes gays em Nova York na década de 80, desenvolvido por casas de gays, drags e transexuais afro-americanos e latinos.

O enredo retrata as competições onde cada candidata, participando de uma categoria ou tema específico, desfilava e era julgada pelo juri em aspectos como beleza, nobreza, performance e estilo. A diretora Jannie Livingston optou por trazer cenas gravadas dos bailes e entrevistas com ex participantes, que criavam nome e faziam carreira participando dos concursos.

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