HuffPost muda nome de editoria LGBTQ de “Gay Voices” para “Queer Voices”
Mudança é importante para a comunidade e partiu de debate gerado com os leitores. Entenda o que ela representa.

Nós, do Não Faz a Frígida, sempre usamos e defendemos a inclusão da palavra queer na sigla LGBTQ por acreditar que essa é a palavra que garante melhor representatividade para as pessoas que não gostam de se rotular dentro dos conceitos de gênero e orientação sexual. Mesmo com diversas críticas e a tendência atual de usar LGBTI ou LGBT+, nós concordamos com a corrente de pensamento porposta pela Teoria Queer e optamos por manter o Q.
No último dia 2 de fevereiro, um dos maiores portais de conteúdo do mundo, o Huffington Post, mudou o nome da sua editoria com matérias e textos voltados para as minorias. Depois de 4 anos e meio usando “Gay Voices”, a equipe que gerencia a plataforma percebeu que a denominação era inadequada e restritiva. Após muitas conversas e debates com leitores da página, o nome foi substituído por “Queer Voices”.
Pra quem não conhece o Huffington Post, HuffPost para os íntimos, ele funciona como um site de conteúdo que agrega diversos blogs americanos e trabalha com jornalismo colaborativo e comunitário. A versão brasileira foi lançada em 2011, a primeira da América Latina e a sexta do mundo fora dos Estados Unidos.
Polêmica

Logo após a mudança no site, algumas pessoas que não conhecem a Teoria queer e o sentido de empoderamento da palavra questionaram a troca. Queer é um termo usado com conotação pejorativa nos Estados Unidos. Tem o mesmo sentido de freak, strange e odd, que quando usados para se referir aos homossexuais, não querem dizer coisas muito boas.
Entretanto, a teoria defendida por Judith Butler se empoderou da palavra queer para combater justamente o preconceito. Noah Michelson, Diretor Editorial da categoria LGBTQ, conta que em meados de 2011, quando a seção foi lançada, “Queer Voices” era a melhor sugestão para o nome do espaço. Entretanto, queer ainda era um termo muito controverso e, talvez, muito doloroso para servir de exemplo. Por isso, “Gay Voices” ganhou a vez”.
Agora, a equipe acredita que o termo queer está no ponto exato de maturação. “Nós escolhemos reclamar o ‘queer’ e renomear a seção porque acreditamos que a palavra é a mais inclusiva e empoderadora para falarmos com e sobre a comunidade, e também porque ficamos inspirados por todas as profundas possibilidades de auto descoberta, auto realização e auto afirmação garantidas por ela”, explicou Michelson.
Queer como diferença
Uma parte das pessoas enxerga a palavra Queer como um termo guarda chuva que representa não só todas as formas conhecidas de se orientar sexualmente e se identificar pelo gênero, mas também todas formas que fluem de uma pra outra ou existem entre uma e a outra ou fora de todas elas. Ou seja, vai além de categorias e rótulos. É um termo que inclui qualquer forma diferente de orientação sexual e identidade de gênero. É um termo que foge da normatividade.
É por isso que nos unimos ao coro do HuffPost Queer Voices ao dizer que o movimento queer nunca foi sobre assimilação e ser como os outros, pelo contrário, queremos ser reconhecidos por nossa diversidade, nossas estranhezas e diferenças. Temos orgulho delas e queremos ser respeitado por isso.
Nós também somos queers.