Opinião: Você acredita em relacionamentos abertos?
Um relato pessoal sobre a verdade dos relacionamentos abertos.

Por Lucas Panek
Meu primeiro contato com a ideia de relacionamento aberto foi quando comecei a ler Devassos no Paraíso, de João Silvério Trevisan. A obra traz um panorama histórico sobre a homossexualidade no Brasil e, dessa forma, conta a história do nascimento do Grupo Somos, que veio a ser a base das organizações LGBTQs do país. O Somos defendia a desconstruções das noções heteronormativas de relacionamento e, assim, colocava o relacionamento aberto e o poliamor como opções que deveriam ser encaradas por uma comunidade com mente mais aberta.
Na mesma época, comecei a namorar um garoto que era muito pra frente nesse sentido e já havia experimentado diversas formas de se relacionar com outros homens, e eu sabia que ele era adepto do poliamor e de relacionamentos abertos. Como eu estava lendo o livro e estava curtindo a vibe, decidi que queria experimentar e abrir a minha mente para essa perspectiva. Não deu certo, mas ter passado por isso me fez entender o que é um relacionamento aberto e perceber que há certas carcterísticas essenciais para quem quer investir nessa empreitada.
Mas antes, o que é um relacionamento aberto?
Relacionamento aberto tem um conceito complexo e amplo e começou a ser usado na década de 1970. Consiste, em linhas simples, em uma relação afetiva entre dois ou mais parceiros, onde todos os envolvidos concordam e autorizam a prática afetiva ou sexual com terceiros, sem que isso seja uma traição. Mas sempre com uma base formada pelos parceiros envolvidos. Uma referência icônica desse tipo de relacionamento foi o vivido por Sartre e Simone de Beauvoir.
O que um relacionamento aberto precisa ter para dar certo?
Na época, eu li uma conversa do meu namorado que dizia assim: “Eu sou adepto de relacionamentos abertos porque sou uma pessoa que tem muito amor pra dar. Então, por que compartilhar só com uma se posso transformar isso em algo maravilhoso e dividir com várias pessoas?”. E o primeiro passo para um relacionamento aberto funcionar é, justamente, amar a outra pessoa e repeitá-la. Uma pesquisa da FS Magazine mostra que 41% dos homossexuais já estiveram em um relacionamento aberto e 75% destes acreditam que é uma opção válida e verdadeira.
Portanto, é importante ter noção de que cada relacionamento é diferente do outro e é construído entre duas ou mais pessoas. No caso do aberto, o casal senta, conversa e delimita as regras. Sim, regras são extremamente necessárias, principalmente para que o respeito seja a palavra de ordem na relação. A pesquisa da FS Magazine comprova isso, ao mostrar que 75% dos relacionamentos abertos contam com regras bem delimitadas. Exemplos são a política do “não pergunte, não fale”, a exigência do uso de camisinha com outros parceiros e até a proibição de relação com amigos. Quebrar as regras é grave e é o motivo do término na maioria dos relacionamentos abertos.
Outro ponto é que você precisará trabalhar com o seu ciúme. Pense, o que o seu parceiro tem com outra pessoa não tem relação com o que ele sente por você, são vivências distintas que não precisam interferir no relacionamento de vocês. Lembre-se, mentira tem perna curta, prefira investir na honestidade.