Bio: Doce, Indulgente, com recheio, na validade, derrete na boca, crocante por fora, macio por dentro.

Doces, encontros e pacotes sortidos.

Embora diversas vezes já tenha caído na armadilha de comprar pacotes sortidos, os considero grandes vilões da humanidade. Isso porque sempre, no pacote sortido, você terá, inexoravelmente, 20% de doces que você não gosta, mas mesmo assim vai ter que comer. Pessoas como eu, que sempre tomam sorvete de chocolate com avelã, sempre compram computadores da mesma empresa ou e sempre se apegam aos designs dos softwares não gostam de pacote sortido. Porque para nós, algo que é bom o suficiente já nos apetece, nos aquece o coração e nos deixa felizes, sem essa necessidade de imaginar “Será que existe algo melhor lá fora?”

O pacote sortido é algo de ocasião, é para a gente encontrar nossas preferências e seguir adiante, não para ser sempre um alívio do peso das nossas próprias decisões. O pacote sortido nos usurpa a ponderação importantíssima de “Estou meio enjoado de chocolate ao leite, mas será que trocá-lo pelo meio amargo é realmente a solução?” Quando você faz essas ponderações, você conhece mais de si mesmo, entende suas razões e faz escolhas razoáveis. Você está seguro de si e vai investir energia nas suas escolhas porque você sabe o porquê dessas escolhas.

Os pacotes sortidos são tão populares por causa das mesmas pessoas que acham o Tinder uma beleza, e não uma tortura. Eu, bicho do mato que sou, me apavoro com a ideia de ter 20 primeiros encontros, de conhecer um montão de gente, de comprar esse pacote sortido dos relacionamentos. Cada click no coração é acompanhado de uma oração “Que não seja chocolate branco, que não seja chocolate branco!”

Eu não gosto de pacote sortido porque tenho mais o que fazer, sinceramente. Não quero perder meu tempo experimentando infinitas possibilidades, me lascando quando vem aquele recheio infernal de Anis, ou quando, analogamente, o cara vai embora do café antes mesmo do meu pedido chegar (Sim! Isso aconteceu comigo, pasmem!). O que eu quero na vida é encontrar afinidades e, com elas, com a exploração desses pequenos viés de infinito, encontrar as alegrias extraordinárias. Genuinamente, eu não espero que as glórias me caiam dos céus. Não espero que, numa Quarta-feira qualquer eu vá ao supermercado e, ao comprar um pacote sortido qualquer, encontre o melhor doce do mundo. Aliás, acredito piamente que o melhor doce do mundo jaz amuado em cada bombom e que nos resta a bravura, paciência e perspicácia de encontrá-lo.

Isso posto, não quero dizer que eu seja inflexível, muito menos encorajar a teimosia. Apenas gostaria de atestar que fico feliz com o que me basta e não tenho medo de fazer escolhas. Até porque a renuncia a escolha também é uma escolha, e uma das piores, na minha humilde opinião. Não tenho medo de mudar, mas também não tenho medo de me comprometer com alguma coisa. Aliás, reconheço que tudo de real valor que fiz na vida exigiu um baita comprometimento (Aprender línguas, aprender física, aprender a lutar kung fu, aprender a jogar rugby…). As coisas que eu tentei comprar o pacote sortido, tipo estudar violão sem estudar teoria musical, nunca fui muito além do precário.

Aí, depois de ler isso tudo, você imagina a minha alegria finalmente encontrando o pacote de Haribo Goldenbears no supermercado! Adeus Super MIX!

P.s: E adeus Tinder, também!

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