NÃO! Homofóbicos NÃO são homossexuais enrustidos

Uma afirmação constante e defendida é que na verdade, verdadeira, Homofóbicos (centralizando em pessoas do gênero masculino) são homossexuais enrustidos. Ate avançamos mais na afirmação dizendo que hétero que é hétero não se preocupa com o fato de outro homem dá o cu — porque unimos dar cu como coisa exclusivisssiserima de relações de pessoas homossexuais masculinas — e que isso (se importar) é coisa de bicha enrustida.

Bom, resta aceitar que em uma escala de 0 á 10 essa afirmação é 0.01 “verdadeira”, mas agora vai uma explicaçãozinha sobre.

O humano é um ser que vive de conexões. Alguns meses depois do nascimento do bebe, os bebes ainda “acham” que a mãe é uma parte deles, um órgão complementar, nos meses que se seguem a criança continua conectando-se as pessoas que estão a volta porque a conexão é uma porta para mergulhar no desconhecido.

O humano é um bicho que ao longo do tempo foi desenvolvendo o gosto do monótono, do linear — alguns cientistas defendem que tudo é consequência da dependência da agricultura. — E qual é a melhor forma de embutir monotonia? REGRAS.

As regras nos deixam mais “tranquilos” em relação as coisas, algo bem sedentário de viver. E nos humanos temos regras para tudo. E quem segue essas regras é dado uma outra grande invenção humana, o VALOR.

Na sociedade para um humano ter valor, ele precisa seguir regras restritas. Como regras de género, regras de relacionamento, regras de convivência, regras de regras e tudo de regras.

Vamos falar de uma das regras mais defendidas e universalizadas do mundo, a bendita, querida, e super híper mega frágil MASCULINIDADE.

Quando um bebe nasce com pénis, a sociedade já o põe em uma caixinha com regras, regras que ele vai ter que defender se quiser ter CONEXÃO com as pessoas ou sociedade em si.

A principal regra e pai da masculinidade é NÃO SEJA CONSIDERADO FRACO.

E nós unimos fraqueza com o que? Feminilidade. Que é uma regra também amada pela sociedade.

A Feminilidade consiste em ser fraco, tanto (e demasiadamente) no lado emocional e no lado físico.

Mostrar vulnerabilidade emocional é “coisa de menina”, corar, rir, dizer que ama, sentir carinho, amor, e afins. E a feminilidade perpetua a imagem de ser submissa, depender, totalmente, de alguém (o homem nesse caso).

E para o homem manter vínculos ele NÃO TEM QUE FAZER ESSAS COISAS DE MENINA.

E quando ele não consegue seguir essas regras ele sente VERGONHA.

Vergonha é nada menos que medo de quebrar vínculos — UAU olha a conexão ai de novo.

Quando criança o homem ainda tem espaço, mínimo, na caixa para mostrar vulnerabilidade emocional, pode dar altas birras, chorar, querer miminhos e afins. Porém, a medida que vai crescendo o espaço vai ficando mais pequeno para se agitar.

Isso me lembra um caso que aconteceu há poucos dias. Estava eu no hospital para fazer extração de sangue para fazer alguns exames. Teve um momento que se ouviu um grande berro, grito e choros de criança. Alguns minutos depois sai da sala de colecta, um menino que aparentava ter por ai 3 á 5 anos, nesse momento os adultos que estavam na sala de espera soltaram comentários, em voz alta, para a criança do tipo. “Você não pode chorar, chorar é coisa de menina, menino tem que ser forte.”

Nesse momento um senhor fala para a criança que estava com ele- que acho que era seu filho — “Vês aquele menino ali, não é homem de verdade, Meninos de verdade não choram, quando o doctor te picar você não vai chorar né?” E o menino coitado concordada com a cabeça.

Os homens são aprisionados em seus próprios dilemas insolúveis. Que são: não mostre fraqueza e seja o todo-poderoso. E suportar isso é sufocante, mas como queremos manter vínculos suportamos. E se não cumprimos isso iremos passar vergonha.

E por ser sufocante nós (homens) nos sentimos atacados sempre que um semelhante (outro homem) quebra essa regra, porque fomos ensinado a perpetuar essa regra, a masculinidade, e defende-la a todo custo.

Logo, quando um outro homem não faz a performance da masculinidade, mostrar-se emocionalmente vulnerável, demonstrar afeto, carinho, amor e é submisso. Ele ataca toda uma regra, cria bagunça, corta a monotonia das coisas. O valor masculino fica em jogo. E causa a vergonha colectiva masculina.

E como o homem reage ao sentimento de vergonha? Pela ira ou retração.

E por isso ficamos ai insultando ou batemos os homens que saem da linha da masculinidade. E quem são os que mais saem em grande parte da masculinidade? Os homossexuais, e os efeminados, são os que mais ficam mais distantes.

Demonstrar afecto já é algo não masculino, demostrar para outro homem, já é bagunça, e se esse afecto ter um teor sexual, as coisas ficam totalmente fora do eixo.

Nós (homens) e sociedade em si, usamos uma arma para por as coisas de volta ao eixo, A vergonha. Envergonhamos todos homens que se mostrem fracos e não sejam o todo-poderoso.

Logo, isso quer dizer que…Homofóbicos não são homossexuais enrustidos. Homofóbicos (visão masculina) são homens que estão a defender a regra imposta, a Masculinidade.

São homens que estão sufocados na mascara ou caixa da masculinidade e veem todo seu esforço de manter, aquele sistema eficaz, em pé em jogo.

São homens que tem medo de perder vínculos, porque se a masculinidade cai, o vínculo que eles foram criando ao longo dos anos baseado nessa masculinidade, não vai mais fazer sentido.

Os economistas sabem bem o que é isso…quando se investe muito dinheiro em um projecto que não rende nada ou rende completamente pouco, mas não queremos aceitar que ele fracassou por vergonha e orgulho, e continua a investir horrores nele, sobre fala esperança de que ira dar certo.

É basicamente “Tenho alguns privilégios com isso, apesar de no fundo no fundo saber que isso é uma bosta, não vou sair dessa linha, porque foram anos e anos de esforço para ter valor, foram anos e anos reprendendo minha humanidade para ser considerado de valor com os outros e meu valor não pode acabar assim. Vou perpetuar isso doa a quem doer, porque todo esse esforço não pode ter sido tão em vão ”.