O Enterro da Alma

Frio, sinto meus pés dormentes, mas consigo os balançar. Sinto falta de ar, não consigo pensar direito e estranhamente sinto cheiro de flores.

Com meus braços cruzados, ouço pessoas conversando ao meu redor, mas não presto mais a atenção nas palavras proferidas.

Olhando apenas para o meu mundo, busco um contexto, mas encontro desculpas para ocultar a verdadeira religião, e flertando com um cristianismo surreal, começo a aceitar um amor passivo.

Me levanto, olho para os lados numa tentativa de encontrar o meu eu e grito: O que eu estou fazendo aqui, preso num caixão menor que eu, sendo sufocado pela vã religião, com os braços cruzados esperando a terra cair sobre meu corpo?

Mas em seguida o caixão diminui ficando menor que minha alma, e sentindo o frio do comodismo, me deito novamente enquanto perco a razão.