Como tem sido maternar na estrada?

Hoje já faz 1 mês que largamos tudo em Curitiba e decidimos assumir de vez nosso espírito nômade. Pegamos tudo que cabia em duas malas e uma mochila e botamos o pé na estrada.

Selfie no Forte de São Francisco

Quando encontramos as pessoas geralmente surgem muitas dúvidas e também um pouco de espanto, afinal estamos com uma criança de quase 4 anos andando por ai, de hostel em hostel, airbnb em airbnb. Muitas perguntam como a gente faz? Como a gente consegue? Se o Thor estranha? Se ele se adapta? Se ele não sente saudades da casa antiga? Por isso decidi escrever um pouco sobre nossa maternidade na estrada…

Thor entediado esperando o Uber

Primeiro a maternidade na estrada ou em casa tem sido basicamente igual, lógico que com algumas mudanças, mas, no geral é igual. Lidamos com chiliques, com birras, com tretas diárias, com falta de apetite, com pouca vontade de cooperar, com chiliques nas ruas e mercados… A vida de pais é assim, acho que até em Marte, então nisso nada mudou… E acho que nem vai mudar. Jogue a primeira pedra quem nunca passou por isso.

Então meu foco vai ser falar como a gente tem resolvido alguns perrengues, que com criança dificulta um pouco. Bom, vamos lá.

Primeiro: Desapegar das coisas fofas e com apego que criamos, o primeiro isso ou aquilo que o bebê usou, aqueles cacarecos que a gente vai juntando ao longo do caminho. Como resolvemos isso? Dando para pessoas queridas, que queriam guardar, ou até mesmo doando pensando que alguém vai ficar bem feliz em receber aquele macacão que mal foi usado, por que o bebe cresceu rápido demais.

E descobrimos que o Thor tem roupa demais, que não precisa, sapatos demais que mal usou, brinquedos demais que estavam parados a tanto tempo. E viemos com a certeza de que outras crianças ficarão muito felizes em recebê-los, pois pro Thor já não era mais tão legal assim.

Ele participou de praticamente toda as escolhas de desapegos. Fizemos uma mochila com alguns brinquedos e livros que ele mais gostava e está aqui, viajando com a gente =]

Segundo: Viagem de ônibus é sempre uma surpresa, nunca sabemos como vai ser pra gente que somos adultos, imagina prever como vai ser pra ele. Então tentamos ser o mais relax possível. Lógico que evitando dele perturbar geral no ônibus.

Cara de bravo porque ele queria tirar a selfie

Como o Thor sempre viajou desde pequenino, ele é bem sossegado, mas, a gente se previne e prevê algumas coisas que podem acontecer, por exemplo: Sempre levamos água e pelo menos alguma coisa pra beliscar, uma troca de roupa, celular com desenhos e jogos e sempre quando possível compramos as poltronas 1 e 2 ou 3 e 4, porque são mais espaçosas e não tem ninguém na frente, evitamos que ele fique chutando o banco de alguém, mas, quando não é possível vamos com o lugar que tem e aí precisamos ficar mais atentos para não perturbar ninguém na frente ou perturbar o menos possível. hehehe…

Outro exemplo é: sempre levamos no banheiro antes de entrar no ônibus, mesmo que ele tenha feito pouco tempo antes e nas paradas também levamos, mas, quando ele precisa a gente encara no banheiro do ônibus, o que eu acho muito ruim e nunca consigo levar ele então essa tarefa é sempre do Lucas… hehehe.

Cobertinha caso esfrie, mas, que nessas últimas viagens o sul anda bem quente, então saímos encapotados e chegamos suando sempre…

Mas, mesmo prevendo algumas coisas, tem outras que fogem da nossa previsão e temos que nos reorganizarmos, principalmente quando programamos a viagem para poucas horas e acaba atrasando, o que aconteceu nessa última vez, era para chegarmos em 3 horas e meia e chegamos em 5h, foi tenso, mas, sobrevivemos.

Terceiro: Ficar em hostel e Airbnb tem sido até que fácil, achávamos que ia ser mais complicado, que ele estranharia, que não ia cumprir as regras e combinados, mas, ele tem se saído até que bem, lógico que nem sempre, as vezes ele acorda da pá virada, quer reclamar de tudo, fala alto quando outras pessoas estão dormindo (ele tem acordado bem mais cedo do que quando morávamos em Curitiba), às vezes não quer ajudar com a organização, mas, na maioria dos dias respeita.

Brincando nos hostel

Ele tem feito bastante amizades, tem ficado menos tímido e mais aberto a conhecer outras coisas, e tem aprendido muitas coisas, que a gente deixaria passar em casa, provavelmente. Ele amou conhecer histórias de piratas quando fomos ao Forte e também descobriu que a água não vem do mercado e muito menos da garrafa (o que ele achava até esses dias).

Quarto: A alimentação do Thor ainda é um desafio, ele está em uma fase extremamente chata, muito chata pra comer, tem dia que só come isso ou aquilo, não quer isso ou não quer aquilo. E comidas diferentes ele simplesmente nem prova, ou se prova dá uma lambida e diz que não quer. Mas, essa fase já vem de antes de viajarmos, então tô na torcida pra passar logo, porque tá chato.

Nós comemos bastante em casa, geralmente almoçamos e jantamos comida feita pela gente e saímos pra comer fora no final de semana, pois comer fora além de caro não faz bem, né? As vezes não dá por algum motivo, mas, tentamos seguir ao máximo essa regra.

Quinto: Ele sente falta de casa, das pessoas e principalmente dos dogs, mas, ter esses sentimentos faz parte da vida é bom ele lidar com isso, pois quando crescer não vai achar que é ruim senti-los.

Ele se adapta bem sobre mudanças desde sempre mudamos muito, então ele meio que já estava acostumado, mas, esse jeito de viver é bem novo pra todos, as vezes bate aquela insegurança se estamos fazendo certo, se ele vai gostar disso no futuro, mas, como não podemos prever o futuro e como ele vai se sentir mais pra frente, então estamos nos apegando no presente e o presente tem sido bom para todos. =]

Sexto: Nós temos rotina, tentamos ao máximo manter. Não somos rígidos (nunca fomos), mas, sim, temos todos os elementos de rotina que o Thor e nós estamos acostumados. Dá pra manter rotina mesmo fora de casa, no começo é mais difícil, mas depois as coisas melhoram. Mas, se um dia as coisas saem todo do avesso a gente se esforça pro outro dia ser melhor.

Sétimo: Ele ainda não vai na escola, não é obrigatório, mas, ano que vem a gente vai colocá-lo. Por isso, provavelmente não iremos viver viajando pra sempre. Ainda não sabemos onde iremos morar ano que vem, mas, temos alguns meses para decidir e achar um lugar bacana para nos instalarmos e que tenha uma boa escola pro pequeno. Que já que teremos que colocá-lo em uma, que seja uma boa =].

O nosso lema tem sido: Viver um dia de cada vez!

Espero que essas dicas possam ter ajudado você que está querendo fazer o mesmo que a gente (ou não, que só quer dicas para viajar nas férias) a ter coragem e botar o pé na estrada também.

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