Conheça as Gully Queens da Jamaica

Enquanto muitos de nós pensa na Jamaica como mais um paraíso caribenho, berço do reggae, a realidade do país para aqueles que lá vivem não é assim tão paradisíaca; a situação é ainda pior quando se trata de alguém da comunidade LGBTQ.

Ser homossexual ou trans não é proibido, mas a prática do sexo anal pode levar a até 10 anos em um campo de trabalhos forçados. Segundo o documentário “Young and Gay: Jamaica’s Gully Queens”, a cultura homofóbica no país só tem aumentado com a ascensão das igrejas evangélicas/petencostais.

Frequentemente rejeitados pela família, os jovens LGBTQ não têm outra escolha a não ser morar na rua — assim, passaram a se reunir em valas que formam os sistemas de escoadouros das cidades (em inglês, essas ravinas são chamadas de “gullies”) e adotaram para si o termo “gully queens”.

Cena do documentário “Young and Gay: Jamaica’s Gully Queens”, produzido pela Vice News.

Os homossexuais “discretos”, capazes de se misturar à sociedade como indivíduos dentro dos padrões, não passam pelas mesmas dificuldades que as gully queens. Como subgrupo, são chamados de “rich queens” (“rainhas ricas”) e referem-se às gully queens, de maneira pejorativa, como “scary queens” (“rainhas assustadoras”) ou “poor queens” (“rainhas pobres”).

Habitando os subsolos, as gully queens se unem em famílias — sistema semelhantes ao das “casas” nova-iorquinas. Como acontece com as pessoas que se encontram à margem da sociedade, a exclusão do mercado de trabalho leva muitas queens a se prostituirem. O nível de assalto e violência nas regiões próximas às ravinas também é alto, obviamente, uma vez que essas pessoas encontram-se submetidas a agressões e ameaças diárias contra suas vidas e precisam reagir para sobreviver.

Vencedor do Man Booker Prize de 2015, promovido pelo jornal The New York Times, o escritor Marlon James tornou-se o primeiro jamaicano a ser premiado e seu livro, “A Brief History of Seven Killings”. Com uma narrativa que gira em torno de um caso de tentativa de assassinato do cantor Bob Maryley, a obra expõe como a homofobia permeia a Jamaica e outras sociedades caribenhas, sentimento enraizado desde a colonização britânica e a instituição de leis anti-sodomia.

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