O namorado negro da Jout Jout e o racismo nosso de cada dia

Ou: Você só pensa em branco

Nota: Este post originalmente, estava ilustrado com uma foto do Caio. Depois de alguns comentários e de uma reflexão, achei por bem excluir a imagem. Não é direito meu expor a figura de alguém que não quer ser exposto. Sorry Caio, sorry JJ. ❤ (Mas se você é curioso e quer saber como é o rosto dele, Google tá aí pra isso)

E aí a internet brasileira descobriu quem é Caio, o namorado misterioso e maravilhoso da Jout Jout (que sempre interagia com ela por trás da câmera).

Vamos aos comentários?

“Não imaginava que o Caio era negro”

“Imaginava um cara meio gordinho, branquinho, com barba”

“Prefiro não acreditar nisso. Vou esquecer essas imagens e fingir nunca te-las visto”

“Caraca, imaginava o Caio totalmente diferente”

“É um negão. Jout Jout gosta de salame extra G. Parabéns Jout Jout”

“Caio na minha imaginação é loiro alto, de olhos azuis e musculoso”

“Será? Na minha mente Caio é branco. Mas ele é um metamorfo, a cada vídeo ele muda”



Aparentemente é impossível que a Jout Jout namore com um homem negro, é impossível que uma mulher “como ela” se relacione com “alguém assim” – a menos que esteja interessada no que os homens negros “tem de melhor”.

A reação em cadeia (que deveria estar na cadeia e não na internet) sobre o fato de Caio ser negro se deve, obviamente, ao racismo, mas vou exemplificar mais, para que não digam que estou supondo nada.

Na nossa sociedade, somos acostumados a “pensar branco”. Quando alguém diz “imagine um homem bonito”, você imagina um homem branco.

Recentemente conversei com um amigo que joga RPG e ele me disse que nunca tinha parado pra pensar na etnia nos personagens, porque isso nunca tinha sido mencionado nas descrições. “Mago, alto, forte, do mais alto círculo da magia. Veste uma túnica amarela e anda sempre com um cajado feito com madeira de Baobá”. Você certamente imaginou um cara branco.

Este é o nosso padrão. A menos que descrevamos alguém como negro, você não imagina que essa pessoa seja negra. Mais exemplos, pra não dizer que não falei da vida real (já que um RPG é só um RPG): “Fulana é linda né? Baixinha, cabelão na cintura, só anda de salto. E o tanto que ela é uma ótima profissional?”. Você imaginou uma mulher branca, aposto.

Não estamos acostumados a construir imagens de negros na nossa mente, a menos que nos seja apontado. Nossos padrões pré-estabelecidos são brancos. Nossos ideais de beleza são brancos.

A imagem do negro precisa ser descrita, mais como uma forma de diminuir a pessoa do que qualquer outra coisa. Mais um exemplo: Sua amiga de trabalho chega, um dia, e diz “Ontem conheci um negão lindo. Super gente boa, fiquei com ele”. Se o cara em questão fosse branco, ele seria só “um cara”: “Ontem conheci um cara lindo. Super gente boa, fiquei com ele”.

Por que temos que apontar o fato de que o cara da noite anterior era negro, sendo que o que importa é que ele era lindo e super gente boa?

O nome disso é racismo. Sempre que “negro” vira adjetivo, é racismo. “Fulana é negra e super engraçada”. Não! “Fulana é super engraçada” ué. Só. Ser negra não a faz ser menos ou mais engraçada. Ou bonita. Ou profissional.

Portanto, quando Jout Jout interagia com Caio em seus vídeos, as pessoas imaginavam o namorado dela como um homem branco. Porque este é o padrão da nossa linha de pensamento. Este padrão que precisamos mudar.

E também precisamos mudar essa mania de cuidar da vida dos outros. Deixa a Jout namorar quem ela quiser! Tá bem? Então tá bem!

P.S.: Não vou nem comentar a sexualização do homem negro, que isso é assunto pra outro textão.


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