Pabllo Vittar: "Estou aqui para desconstruir gênero"

Divulgação

Sou um menino. Que é menina. Que não tem gênero.

Dois meses e meio. Foi o necessário para Pabllo Vittar se tornar uma estrela. Após o lançamento do clipe de “Open Bar”, no Youtube, a drag (nascida no Maranhão e residente em Uberlândia) virou figura fácil nas playlists de todos os DJs, apareceu em todos os grandes veículos de imprensa e se tornou a drag princesa pop do Brasil.

Pabllo tem apenas 21 anos, mas já fala sobre si e sua carreira com firmeza e maturidade. Sabe onde está e onde quer chegar, e tem consciência da importância da sua figura no cenário em que se insere.

Apadrinhada por Rodrigo Gorky, do Bonde do Rolê, e compartilhada nas redes sociais até pelo Diplo, Pabllo apareceu sob os holofotes agora, mas promete não descer dos palcos — e nem dos saltos.

Conversamos com ela após o show que fez em Belo Horizonte, no último sábado, na festa @bsurda. Entre um gole de energético e outro, falou sobre sua carreira, suas inspirações e deu o nome — que é “de menino”, mas o artigo é no feminino.


- Como você começou a carreira?
Desde os 13 anos eu canto, desde que morava em São Luís. Já fazia covers desde essa época, mas não era nada profissional — cantava em festa de família, escola. Até que resolvi que iria levar isso tudo para um lado profissional e me mudei pra São Paulo. Não deu muito certo, porque eu não tinha estrutura nenhuma. Aí resolvi prestar vestibular e me mudei pra Uberlândia. Conheci os meninos que hoje trabalham comigo e, hoje, estamos nessa empreitada — graças a Deus.

- Você já se montava?
Comecei a me montar aos 16, mas era um horror. Participei de alguns concursos de beleza e até cheguei a ganhar, mas queria mesmo era estar no palco. E aí resolvi levar a drag para o palco, profissionalmente. Pabllo Vittar, a cantora.

- O seu nome é Pabllo. Por que você não tem um alter-ego, como a maioria das drags?
Porquê eu acho que o meu nome, por si, já é meu alter-ego. Estamos aí pra desconstruir gênero. E um nome não define quem você é. Eu sou Pabllo Vittar. A Pabllo Vittar.

- E quem é Pabllo Vittar?
Pabllo Vittar é um menino. Que é menina. Que não tem gênero. Que não tem medo. Que prefere mil vezes estar em um palco do que em qualquer outro lugar do mundo.

- Quais eram as suas expectativas quando você começou a sua carreira?
Eu sempre busquei meu lugar ao Sol, e acho que tudo isso que está acontecendo são os frutos do que eu plantei. A gente tinha uma expectativa, mas não esperava que fosse tão grandioso. Foi um trabalho que ganhou uma proporção muito grande e eu acho que tem sido de suma importância para o movimento LGBT, para o movimento trans, para o movimento drag.

Reprodução Facebook

- O que você ouve?
Eu tô ouvindo muita música brasileira, pra me inspirar para o próximo álbum. Eu escrevo todas as minhas letras, então estou sempre buscando referências, em todos os gêneros musicais. Escuto de tudo, na verdade. De Elza Soares a Whitney Houston, passando pela Etta James, Beyoncé, Donna Summer, Liniker. Amo Liniker.

- Ele é incrível, né?
Demais. Recentemente, em uma outra entrevista, citei ele. O ano de 2015 foi libertador para a comunidade LGBT, muita coisa aconteceu, inclusive ele.

- Lá embaixo tem uma fila gigante de pessoas querendo te ver e tirar foto. O que essas pessoas, do Brasil inteiro, falam quando te encontram?
A maioria busca inspiração, busca alguém que sirva de exemplo. Nem acho que eu seja um exemplo, quem sou eu pra ser exemplo, mas quero ser alguém que as pessoas olhem e pensem “ela me representa”.

- Aonde você quer chegar?
Eu vou vivendo e está sendo mágico. Desde que eu esteja fazendo o que eu gosto, ao lado das pessoas que eu gosto, meus amigos, eu serei feliz.

- A gente tem um movimento chamado PODE SIM, onde as pessoas contam suas experiências de vida. Quantos “Não Pode” você já ouviu na sua vida?
Não pode menino usar salto alto. Que é o cúmulo. Pode sim, claro! Pode usar salto, se vestir de menina e usar nome de menino. Ouço muito isso sobre meu nome. É engraçado porque a maior drag do mundo usa o nome de nascença, por que não posso também? Não tinha que existir “sim” e “não”. Cada um devia fazer o que bem entender, quando quiser, com consciência e sabedoria, acima de tudo.


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