Vamos dar uma chance pra Azealia Banks?

Mais ou menos um ano atrás, eu tava bem chateado com a Azealia Banks. Cheguei até a gravar um vídeo falando sobre o fato e perguntando para as pessoas: como lidar com artistas babacas?

Como lidar com o fato de que a pessoa que cria a arte que você tanto gosta é exatamente o tipo de gente que você não gosta de conviver? Vale a pena passar por cima do que você acredita para ouvir uma música ótima, assistir a um filme maravilhoso ou comprar um quadro para a sua sala?

Nunca cheguei a nenhuma grande conclusão (e nem espero que esse texto seja isso), mas fui deixando Aze de lado e ouvindo cada vez menos as músicas dela. Desde lá, ela veio fazendo mais e mais coisas que me desagradavam, me desrespeitavam, iam completamente contra tudo o que eu defendo (dios mio ela votou e fez campanha para o Trump, xingou os brasileiros, etc etc etc).

Vale pontuar que, ao mesmo tempo em que eu discordo 100% de várias posturas que ela adota, apoio COMPLETAMENTE uma série de posicionamentos que ela toma, especialmente quando ela fala sobre o sexismo e o racismo na indústria cultural. Poucas pessoas tem a coragem de manter uma postura tão aberta sobre as dificuldades do showbizz como ela. 
Essa entrevista sobre apropriação cultural, racismo e machismo é uma aula:

Não achei a versão legendada, se alguém achar me manda?

De todas as polêmicas envolvendo Aze, sempre achei triste as agressões homofóbicas — especialmente por ser uma comunidade que a apoia e consome descontroladamente seus vídeos e músicas; e sempre achei esquisito pois o meio cultural é TÃO povoado por pessoas LGBT que, na minha cabeça, era difícil ver esses discursos vindo de alguém que era tão próximo à nós.

Daí que, depois de um período cheio de closes errados, nos últimos tempos ela anunciou que está se cuidando e tentando ser uma pessoa melhor. Anunciou um dueto com Iggy Azalea, tida como sua maior “rival”, passando por cima da rivalidade feminina que a mídia tanto insiste em fomentar e deixando as alfinetadas na australiana de lado. Logo em seguida, disse que, em breve, irá lançar um single promocional ao lado de Shea Coulée, finalista da nona temporada de RuPaul’s Drag Race.

Sheyla Couleya ❤

Nesse anúncio, duas coisas me chamaram a atenção.

Primeiro a própria Azealia publicou uma “carta”, pedindo desculpas à comunidade LGBT pelos insultos anteriores — segundo ela, hábitos que ela apenas reproduzia porque, bem, quem nunca?

Depois a Shea Coulée disse que, afinal, quem somos nós pra julgar alguém e quem somos nós pra negar ajuda a uma irmã negra que precisa de uma segunda chance, que se redimiu e que quer tentar novamente ser reconhecida pelo talento que tem?

Uma coisa é fato: independentemente das polêmicas, Azealia Banks é uma das artistas mais talentosas que apareceram nos últimos anos.

Aí fiquei pensando sobre todo esse cenário, sobre essa vontade de redenção e sobre essa nossa síndrome de superioridade. Dizemos que somos tão desconstruídos, não é? Então porque não daríamos mais uma chance a alguém que errou muito, mas que está pedindo desculpas, se posicionando e tentando mais uma vez?

Se eu me arrependo de tantas coisas que já fiz no passado, hoje me considero uma pessoa melhor e tenho orgulho disso, eu não deveria apoiar alguém que quer fazer isso?

Seria Azealia Banks o melhor exemplo de redenção que poderíamos ter?

Não sei a resposta certa, mas passei o dia ouvindo as músicas dela.

E torcendo para que venham esses duetos e que ela tenha o sucesso e reconhecimento que merece (e que pare com os closes errados, pfvr).