Qual é a prioridade de um jovem (não vou dizer adolescente)? É saber onde estão as pessoas. Que pessoas? As pessoas que não estão mortas.

Para um moço ou uma moça de tempos idos, essa busca poderia ser a da relação que pudesse ser sexuada. Os moços e moças de hoje não se interessam muito por essa coisa, parecem estar curiosamente fixados em papai-mamãe-e-eu, demasiado preocupados com isso que pareceria ser um Édipo que não termina nunca, mas eu fico pensando que o que fazem não é bem isso, e sim dar as costas ao futuro, dar as costas ao que poderia parecer que realmente lhes interessa. Em outras palavras: podem ser sexuais, mas não são sexuados. Não são férteis, ostensivamente. A fertilidade não lhes interessa, e sim a filiação por adoção. Nesse sentido, sua sensualidade pode ser intensa, e até mesmo performática, mas não é erótica. O erotismo é algo para o que estão de costas.

O que estaria nesse lugar de interesse, mas não se apresenta como possibilidade? O que acabei de dizer, a energia sexual, a energia criativa. A produção.

Parece uma moratória, uma procrastinação. Existe um amor — só se fala nisso aliás, e quando se ouve essa falação, de longe, parecem mesmo adolescentes — , mas é, de novo, uma macaquice de amor a si, a mamãe e a papai (com os respectivos ódios), mas que é assexuado e sem muito fogo.

Aprendi a não desdenhar deles, entretanto.

Ainda vive a questão ética do sintoma, do que-fazer. Agir é miragem, seja motivado pelo eu-que-sente ou pelo eu-que-pensa, mas a questão insiste. Isso não tem como ser vazio.

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