Sobre quarta-feira, recomeçar, 1984 e um pouco de poesia
Hoje senti vontade de escrever. Sentei e escrevi.
A vontade já tinha vindo várias vezes desde o último texto. As palavras não.
Parei de me dar desculpas. Desculpas que eu tinha como verdades mas que, no fundo, sabia que eram desculpas.
Eram, na verdade, o medo de ver a tela em branco. Falta de concentração. O sentimento de que tinha que estar fazendo alguma coisa mais importante.
O que poderia ser mais importante que isso? Do que um momento para mim?
Hoje sai mais cedo do trabalho para ir a uma aula. Lá, me deparei com outra pessoa que escrevia. Escreve. Muito bem. E que eu sigo, diga-se de passagem.
Ele falava que escrever é um processo de auto conhecimento.
Ali, alguma coisa acendeu dentro de mim. Uma coisa que eu já tinha esquecido.
Li uma vez no livro 1984*: “Em certo sentido não lhe dizia nada de novo, o que era parte do fascínio. Dizia o que ele teria dito, se tivesse a capacidade de organizar seus pensamentos dispersos (…) Os melhores livros, compreendeu, são aqueles que lhe dizem o que você já sabe.”
E foi exatamente o que aconteceu nessa aula.
Então decidi voltar. Recomeçar. É um compromisso que eu devia a mim mesma.
E percebi que, a parte mais difícil de recomeçar, é aceitar que você parou um dia. Aceitar que, mesmo querendo, foi uma coisa que você deixou de fazer. E aceitar que esse tempo não volta mais.
Mas, considerando as alternativas, recomeçar é a única opção que realmente vale a pena.
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*PS: Zero cult eu, li porque uma amiga falou que esse livro era um rito de passagem. E é mesmo, recomendo.

