Sobre Zelda, memórias e transformação

O novo Zelda foi lançado recentemente. The Legend of Zelda Breath of the Wild. E, para algumas pessoas, não foi muita coisa. Pode até parecer um exagero todo o “hype” ao redor disso. O que posso falar aqui é da minha experiência. E eu estava esperando por isso há muito tempo. Esperando desde que o nome Breath of the Wild começou a circular por aí.

A explicação fácil do porque é que eu me encaixo no padrão “nerd”. Desde que ser “nerd” não era cool ou interessante como é hoje. Nerds gostam de videogame. Nerds gostam de nerdar sobre essas coisas. Zelda é um videogame novo. Conclusão, faz sentido estar surtando de animação com esse lançamento. Fim da história. Ok, estereótipo válido, se quiser pode parar de ler aqui.

Porém, eu acho que tem muito mais ai. Zelda tem um lugar muito especial na minha vida. Ele faz parte das minhas memórias mais nostálgicas, de incontáveis lições e de horas e horas tentando passar do templo da água.

Zelda foi o primeiro cartucho do meu primeiro videogame. Um Nintendo 64, que eu ganhei quando tinha 6 anos.

Na época, tenho certeza que a minha mãe comprou o videogame com a desculpa de que era para mim. Porque, no começo, ela jogava muito mais do que eu.

E começam as memórias. Por muito tempo, eu dormi assistindo ela jogar Zelda. Era minha história antes de dormir. Então, eu fechava os olhos ao som daquelas músicas orquestradas ao fundo. Sério, sem preconceitos, reparem no(s) soundtrack(s) desse(s) jogo(s), é maravilhoso.

Quando decidi que queria jogar também, ela ficava do meu lado com um dicionário para a gente conseguir traduzir todas as palavras difíceis.

Foi nesse momento que eu me animei em aprender inglês. Porque, para conseguir avançar no jogo, você tinha que entender as histórias e as dicas que os personagens te davam ao longo do caminho. Mais ou menos como funciona a vida real também.

Aprendi que as coisas mais interessantes, os melhores itens e os maiores tesouros estão escondidos abaixo da superfície. Você vai ter que prestar muita atenção nas pistas para conseguir achar eles.

Zelda me ensinou que às vezes você vai ter que tentar de novo, e de novo e mais uma vez, até conseguir passar do monstro final de uma fase. Mudar sua estratégia. Ir mais preparado. Tudo isso só para passar e começar tudo de novo na próxima fase.

E fez grande parte das minhas memórias com meus irmãos. Todas as férias, nós levávamos o 64 na mala e jogávamos o jogo do começo ao final de novo. Cada um jogando uma parte. Um dos poucos videogames que não causava briga entre nós.

Zelda também me ensinou que, para resolver quebra cabeças difíceis, na maior parte das vezes, temos que olhar por outro ângulo, prestar atenção nos sinais, nos arredores, ver os itens que você tem e utilizar eles de formas novas.

E mesmo quando eu estava sozinha, sempre senti esse jogo como uma companhia. Um mundo novo para imergir. Uma outra vida para viver por algumas horas.

Então, depois do meu primeiro Zelda, comecei a esperar ansiosamente por todos os seguintes da franquia. Esperar para ver como aquele universo ia se expandir em novas histórias e novos mundos para explorar.

Podia passar horas e horas aqui falando dos simbolismos desse jogo, de propósito, de jornada do herói, mas acho que já tem vídeos, reviews e artigos suficientes (e melhores do que eu conseguiria escrever) sobre isso no mundo.

No final das contas, sei que o jogo é só um totem e que a transformação real foi dentro de mim. Mas o que seria dessa jornada louca que é a vida sem esses pequenos momentos de “mágica” no meio do caminho.

Um pequeno adendo, não estou falando que Zelda é o melhor jogo do mundo (apesar de para mim ser) ou o único jogo capaz de fazer isso, estou falando sobre minha experiência com o jogo. (:

E a experiência está continuando, mal posso esperar pelo que eu vou ter para contar depois que eu terminar o Breath of the Wild. Então, se eu demorar para responder é porque eu estou jogando, sorry.

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