Girl Boss: Segredos de mulheres de sucesso no Maranhão

Elas superaram preconceitos, venceram desafios, ultrapassaram barreiras e hoje comandam as próprias empresas; conheça histórias de mulheres inspiradoras

Ter disposição é quase um mandamento para quem sonha em se tornar uma empreendedora de sucesso. Conselho de quem conseguiu superar os receios, os riscos, as desconfianças e se estabelecer no mercado à frente do próprio negócio. Em média, 34 em cada 100 brasileiros possuem uma empresa ou estão envolvidos com a criação de um negócio próprio. Boa parte deles são mulheres que apostaram no empreendedorismo e não se arrependeram.

Mulheres como Edna Montenegro, que não apenas comanda, ao lado do marido, a Montenegro Distribuições, como é vice-presidente para Admissão e Desenvolvimento do Quadro Social da Associação Comercial do Maranhão (ACM). Mas, assim como a maioria das histórias de sucesso no mundo empresarial, a de Edna Montenegro também teve seus percalços.

Tudo começou em 1995, quando ela e o marido saíram de Natal (RN) e vieram para o Maranhão. “Eu e meu marido erámos funcionários antes, não entendíamos da parte administrativa, mas, como sou muito curiosa, trabalhava no Sesc — minha área era técnica -, porém em frente à contabilidade e eu vivia lá querendo entender tudo. Meu pai é empresário em Natal e eu ajudava ele a fazer orçamento, pedido, mas, obviamente, as legislações são diferentes, então tivemos que aprender e buscar informações. Chegamos aqui, fomos na Jucema (Junta Comercial do Maranhão) saber como abrir a empresa, tivemos que selecionar pessoal, fazer os roteiros, no caso, trabalhando com entregas”, conta.

Além de se adaptar a uma nova realidade profissional, como empresária, Edna também se adaptou à cidade. “Por incrível que pareça, a questão cultural é um fator importante. Como eu que cheguei, eu que tenho que me adequar e não as pessoas a mim, no comecinho era muito complicado, até mesmo a forma de falar, de entendimento”, afirma.

Preconceito — Mas não foram apenas as barreiras culturais que foram ultrapassadas por Edna Montenegro. A empresária garante que o preconceito em relação a mulheres empreendedoras existe, mesmo que algumas vezes seja disfarçado. “Acredito que o preconceito existe, disfarçado ou não, ele existe necessariamente focado na mulher. Combatemos o preconceito, exatamente com fortalecimento desses grupos. Eu mesma nem sempre fui essa pessoa segura e determinada que sou hoje, busquei o que sou hoje na informação, conhecimento, na própria associação, me engajando nos projetos da casa (ACM), realizando meus próprios projetos, me fortalecendo, discutindo de igual pra igual”, enfatiza.

E após superar obstáculos e dificuldades, que se impõem no caminho das mulheres que sonham em comandar as próprias empresas, hoje Edna Montenegro orienta e inspira muitas delas, além de promover a união entre as empreendedoras. “Nossos objetivos são os mesmos: divulgar a força da mulher, gerar conhecimento e empoderamento, alçar a auto estima da mulherada e ser atuante como ser social”, afirma a empresária.

Para Edna Montenegro, mulheres empreendedoras precisam, acima de tudo, gostar do que fazem. “Gostar de gente, gostar do que faz, além de disposição, curiosidade, gostar de aprender, ouvir as pessoas, ter empatia, ter sempre um plano B, C, D…, ser positiva, ter uma rede de contatos forte que, se não der pra fazer negócios, pelo menos, dê para sair da rotina e arejar. Ter bom humor também… é um conjunto de habilidades”, enumera.

Em família — Bom humor é o que não falta para a empresária Glícia Gentil, que reúne todos os atributos enumerados por Edna Montenegro, além de tantos outros. Por ser comunicativa e bastante expressiva, coube a ela a missão de administrar a área de relações humanas dentro da Gentil Negócios, empresa da família, que atualmente está presente em quatro estados, com 70 pontos de vendas de três marcas (Boticário, Quem disse, Berenice? e Swaroviski). Mas, para chegar onde está, Glícia Gentil também passou por todos os degraus necessários para se estabelecer na empresa da família.

“A minha trajetória começou dentro de casa, com a figura de um pai e uma mãe muito trabalhadores e empreendedores. Também estudei em uma escola de freiras que também se aprimorava e investia e isso me inspirou bastante. Minha infância e minha adolescência foram pautadas nisso”, conta a empresária, que cursou Administração, mas orgulha-se de ter passado por todos os setores da empresa. “Passei desde o almoxarifado até a gerência, porque eu sentia que era necessário fazer isso, até porque era preciso fazer”, acrescenta.

Para Glícia Gentil, a disposição é a base para persistir no negócio, além de acreditar no trabalho que está sendo feito. “O empreendedor ver além, ele já toca naquilo como verdade. Você já vê aquilo como realidade, e isso é estimulante”, garante a empresária, que afirma que, mesmo os momentos de crise econômica servem para estimular a criatividade dos empresários. “Meu irmão diz que seria interessante para toda empresa passar por momentos de crise porque, às vezes, você se acomoda com alguns processos. A crise faz você abrir a caixinha, se movimentar”, analisa.

Assim como Edna Montenegro, para quem o mercado maranhense está no melhor momento para empreender — “é nas dificuldades que temos as melhores ideias e a necessidade é que faz o ser, lapida, fortalece” -, Glícia Gentil também acredita que o pior já passou. “Tivemos um último ano difícil. Foi preciso muita criatividade, muita avaliação, arrocho… Mas tivemos um reanimar no começo de julho. Sinto que a classe empresarial está começando a sentir que está vindo um momento melhor para a economia”, aposta.

Desafios — Para Glícia Gentil, o fato de ser uma mulher e empreendedora significa superar desafios e até preconceitos, mas, segundo ela, a área em que atua também influencia. “Acho que, por atuar em um segmento mais voltado para o público feminino, não senti tanto isso. Mas têm áreas em que os desafios ao mundo feminino são bem maiores que outros, como a indústria, a área de investimentos. Em outros já avançamos bastante”, observa.

Ser humilde e agradecer são as palavras de ordem na vida de Glícia Gentil, para quem servir deve ser o maior compromisso do empreendedor. “Acordo todos os dias e penso: como vou servir melhor as pessoas que estão ao meu redor? Sou muito grata às realizações da minha vida”, motiva-se.

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