Singapura 2015 — Dia 0 e 1

Dia 0

21 de Agosto, início do 5th FINA Word Junior Swimming Championships para a Seleção Portuguesa. Uma competição que junta os melhores nadadores juniores de todo o mundo, entre os quais 8 portugueses.

Pelas 13h30 toda a comitiva já se encontrava no aeroporto de Lisboa. Tínhamos pela frente um voo longo até Singapura com escala em Amesterdão.

Malas despachadas e entregue o “guia do nadador em viagem” a toda a comitiva entrámos no avião.

Conforme planeado e passadas 17horas de viagem aterrámos. Os nadadores apresentavam-se todos bem à chegada, indicando apenas as características normais de imobilização prolongada.

Para nos receber estava Tiago Barbosa, português residente em Singapura e colaborador da FPN que estará conosco durante os campeonatos.

Piscina da competição

Primeiro contacto com o clima: um bafo característico dos países húmidos. Temperatura a rondar os 32°C com humidade a 75%. Bastou 2 minutos de caminhada para começar a transpirar.

Na viagem até ao Hotel pudemos ver um pouco da civilização. Imaginem a mistura entre os arranha céus de Nova York, a tecnologia do Japão e as florestas do Vietname. Resultado interessante, não estivéssemos nós em Singapura.

Após realizada a acreditação e colocadas as malas nos respetivos quartos, apanhámos o autocarro para a piscina. Curiosidade: o Hotel é ótimo e a vista sob a cidade perfeita.

Local de refeições do hotel

Junto ao estádio central, repleto de luzes e dinâmica encontra-se o complexo OCBC Aquatics Center. Realizámos o primeiro treino na piscina de competição que apesar de não deslumbrar apresenta as condições necessárias para o evento. Feedback de boas sensações por parte da maioria dos nadadores, fator positivo tendo em conta o desgaste da viagem. Nota para a já habitual “disputa” na reserva do espaço inerente à Fisioterapia, pois as grandes potências chegam com maior antecedência e não deixam 1 metro quadrado por ocupar. Desta vez coube aos vizinhos espanhóis “emprestar” um pouco da sua enorme área.

Sem tempo para demoras voltámos ao Hotel para jantar. Outra nova experiência, a comida. Pouca carne carregada de temperos e molhos onde não falta o picante. Umas massas estranhas com camarão e sopa de cogumelos.

Seguiu-se a reunião de equipa e retorno aos quartos para descansar. 21h15 de hora local, menos 7 horas em Portugal continental.

Dia 1

O jetlag não perdoou, acordei às 03h15 e não voltei a adormecer. O meu colega de quarto dormia que nem uma rocha, sorte a dele. Pequeno almoço às 08h15 e o dia não começou da melhor maneira.

Vítor Ferreira, treinador de Gabriel Lopes, apresentava melhorias da dor de cabeça que o afetavam ontem, mas ainda assim foi ausência na primeira refeição.

Vista da cidade entre aeroporto e hotel

Sessão de treino repartido entre a piscina de apoio e de competição (ambas com 50m). De destacar o excelente exemplo dos nadadores portugueses no seu processo autónomo de aquecimento fora de água. Preparação específica e adequada, sendo notório os conselhos e dicas introduzidos no estágio de Loulé.

Regresso ao Hotel para o almoço. Bom ambiente, felicidade e espírito de equipa caracterizam a comitiva nacional. Terminada a reunião foi tempo de alguns cuidados em Fisioterapia e repouso passivo até à hora do próximo treino.

Aquecimento fora de água

Ao chegarmos à piscina de competição o Vítor não apresentava melhorias da sua condição. Os nadadores prosseguiram a sua rotina enquanto nós, eu e o Vítor, fomos ao centro clínico da piscina.

16h45, um médico, duas enfermeiras, avaliações, manobras de tratamento, medicação e quando demos por nós estávamos dentro de uma ambulância Toyota Hiace (com talvez o dobro da minha idade) acompanhados pelo médico (agora no papel de motorista), uma das enfermeiras e duas atletas da África do Sul que entretanto apareceram. Sirenes a tocar e pé a fundo no acelerador. A restante viagem em direção ao Singapore General Hospital foi épica. Nós aos trambolhões na parte de trás da Toyota aos ziguezagues entre Ferraris e Porsches ao largo do mediático Marina Bay Sands. Devemos ter batido algum tipo de recorde.

Interior da ambulância

Já no Hospital a aventura continuou com um sistema de saúde tipicamente à americana, médicos e técnicos de saúde exigentes e pessoas locais em redor. Acabou por correr tudo bem, o Vítor saiu em melhor estado e ficou a experiência.

Às 22h00 chegámos ao Hotel, os restantes elementos já estavam recolhidos.

Tentamos comer algo e rapidamente subimos aos quartos.

A época desportiva vai longa e a modalidade é exigente.

Tempo de descansar, amanhã temos um novo dia.

Nuno Pina (fisioterapeuta da Seleção Nacional), 23/08/2015

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