Carta para mim mesma!

Acho que faz parte da evolução humana, entrar tão profundo dentro de si mesmo e perceber cada parte sombria do nosso ser, também faz parte de quem somos.
É preciso conhecer o próprio inferno e atravessar esse inferno em busca da luz.
Eu sabia que estava indo fundo demais, me aprofundando demais a cada nova visita ao meu íntimo, mas todas as pessoas que estavam em minha vida era como se forçasse e me empurrasse mais e mais para esse abismo de escuridão.
E eu podia sentir a dor, que se intensificava cada vez mais, e mesmo assim eu continuei, eu precisava continuar.
Passei por lugares que não conseguiria descrever, encontrei com pessoas que espelhou o meu ser, entrei em cavernas, caminhei por poças de água parada, vi as sombras dos meus medos e senti… senti cada ponto de dor, como uma faca que vai cortado aos poucos.
Vi a escuridão e senti que eu estava presa nela. Sim, eu tinha estado presa nela por anos.
A luz que via todos os dias era falsa, a claridade cegava meus olhos e mais uma vez me dei conta de que estava presa e mais do que nunca ansiava a liberdade.
Houve gritos, vozes, desespero, todos meus, visto pelos meus próprios olhos lacrimejados, abertos pela luz verdadeira que agora me cerca.
Eu conheci meus inimigos, e a eles sou grata, foram através das suas sombras e dores que enxerguei as minhas e tirei-as de mim.
Eu os libertei, deixei-os livres, vão, seguem seus caminhos, pois eu libertei a mim e o meu eu seguirei.
Nathalia Favareto 06.11.2019
