Criptoativos Ambientais

Ranulfo Paiva Sobrinho
May 29 · 7 min read

Dr. Ranulfo Paiva Sobrinho — Co fundador do Sistema Natus

O criptoativo ambiental surge para incentivar a prática de ações que resultam na conservação ambiental, as quais podem em determinadas condições gerar benefícios monetários e/ou não monetários a seus portadores.

A diferença entre um criptoativo ambiental e outros tipos de mecanismos que existem, tais como, pagamentos por serviços ambientais é que o criptoativo ambiental é criado com o apoio da tecnologia de registros disbribuida (DLT, do inglês, Distributed Ledger Technology) que evita problemas de corrupção, dupla contagem entre outros.

Além disso, a criação e gestão de um criptoativo ambiental não depende de instituições governamentais, evitando trâmites burocráticos.

O que é um ativo?

Ativo é algo que em determinadas condições proporciona benefícios a seu proprietário.

Analisemos essa frase para compreender mais profundamente o conceito de ativo.

a) “Ativo é algo…”. O que é que pode ser considerado ‘algo’?

O algo pode ser de natureza material ou imaterial, por exemplo digital. Ou seja, pode haver ativos materiais e ativos digitais.

Exemplos de ativos materiais são residências, animais, florestas, manguezais, nascentes de rios, peças de arte, metais preciosos, hardwares, automóveis, aviões, navios, artefatos históricos, patrimônios arqueológicos e/ou arquitetônicos, dinheiro na forma de efetivo, a citar alguns.

Ativos digitais podem ser canções, softwares, criptoativos, criptomoedas, ações de valores, certificados de títulos de dívidas do governo ou corporações, patentes entre outros.

Se algo é considerado um ativo ou não, depende da percepção da pessoa sobre que tipo de benefício lhe é importante.

Pode haver pessoas que consideram ativos somente algo que lhes geram benefícios financeiros tradicionais, isto é, o dinheiro que ela está acostumada a usar em seu dia-a-dia.

Há também as pessoas que consideram ativos as coisas que geram benefícios que vão além do dinheiro. Por exemplo, para uma pessoa uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Nacional) pode ser um ativo ainda que ela gera benefícios não financeiros como exemplo:

  • conservação do estoque de carbono em suas florestas;

b) Continuando com a análise, “Ativo é algo que em determinadas condições proporciona benefícios…”

Isso quer dizer que os benefícios que um ativo proporciona a seu proprietário depende de condições propícias ou favoráveis. Na ausência de tais condições todos ou alguns dos benefícios podem deixar de ser proporcionados pelo ativo.

Para esclarecer o conceito vejamos duas situações hipotéticas. A primeira considera um ativo digital expresso na forma de ações da Empresa A. No segundo caso, trata-se de um ativo material expresso na forma de uma Reserva Florestal que gera benefícios monetários e não monetários.

Quando há aquecimento da economia, o valor das ações da Empresa A pode aumentar gerando benefícios expressos na forma monetária aos proprietários. Porém, esse benefício pode desaparecer temporária ou permanentemente dependendo de como a empresa se comporta frente a uma forte crise financeira.

No caso da Reserva Florestal, vamos supor que seu proprietário tenha investido em estrutura para atrair pessoas adeptas ao ecoturismo nacional e vamos supor também que a reserva está no mesmo país da Empresa A.

Nos momentos de aquecimento da economia, a reserva pode gerar benefícios monetários através da visitação das pessoas a seus atrativos ecoturísticos. Ao mesmo tempo, a reserva também gera benefícios não monetários somente pela sua existência.

Durante uma crise econômica, a visitação pode reduzir muito e o benefício monetário pode desaparecer. Porém, os benefícios não monetários continuam sendo gerados, desde que a reserva florestal exista.

A conservação do que ainda resta de áreas naturais neste planeta requer que mais pessoas reconheçam que tais áreas são ativos, ainda que não gerem benefícios monetários tradicionais, inclusive porque o comprometimento das áreas naturais pode gerar uma série de desequilíbrios ambientais (disponibilidade de recursos naturais, disponibilidade hídrica, mudanças climáticas etc.) com potencial de interferir no pleno desenvolvimento das atividades da Empresa A.

Assim, os benefícios expressos na forma monetária não tradicional que uma RPPN oferece a toda a sociedade, podem ser traduzidos, por imateriais que são, em criptoativos ambientais.

Além disso é preciso desenvolver maneiras e métodos de avaliar ativos que geram benefícios tanto monetários quanto não monetários. Isso é tema para outra publicação, já que a diversidade de ativos que uma RPPN abriga envolve diversos atributos que merecem ser tratados de forma independente.

O que é um criptoativo?

Criptoativo é um tipo de ativo digital respaldado pela tecnologia dos registros distribuídos, cuja sigla é DLT (do inglês Distributed Ledger Technology).

Entende-se por “respaldado” no conceito acima que nesse tipo de ativo digital a sua criação, as transferências dos mesmos entre pessoas, as alterações, por exemplo, são realizados por software DLT. O que realmente importa é que devido ao fato do criptoativo ser respaldado pela DLT, eles possuem características específicas que os diferenciam de outros tipos de ativos digitais, por exemplo:

  • são incorruptíveis;

Um dos principais exemplos de DLT é a tecnologia blockchain. Essa tecnologia nasceu em 2008 e sua primeira aplicação foi a criptomoeda chamada Bitcoin. Assim como há vários tipos de frutas, existem vários tipos de blockchain, por exemplo, o blockchain Bitcoin e o blockchain EOSIO. Cada um dos dois blockchain mencionados é representado por um software que geralmente é código aberto.

Imagem: Morro das Aranhas ( Florianópolis — SC, Brasil) uma das PPAs pioneiras do Sistema Natus. Saiba mais em www.sistemanatus.com

Criptoativo ambiental

Criptoativo ambiental é um tipo de criptoativo delineado para incentivar a adoção de ações que visem a conservação dos ecossistemas e que podem gerar aos seus portadores benefícios expressos monetária e/ou não monetariamente.

Criptoativo ambiental é um conceito inovador que traz novidades:

  • na maneira de obter investimentos para a conservação da natureza e na obtenção de lucro a partir de tais investimentos;

Tais benefícios se devem ao fato de que o criptoativo ambiental é respaldado pela tecnologia dos registros distribuídos, conforme já explanado.

Assim, dependendo da maneira como é criado, o criptoativo ambiental pode ser (i) um tipo de dinheiro, ou (ii) pode ser um instrumento que dá acesso a algum benefício que pode ser negociado com dinheiro tradicional ou outro tipo de dinheiro.

O que significa que o criptoativo pode ser um tipo de dinheiro?

Entendemos por tipo de dinheiro, a forma como ele é criado. E entendemos que dinheiro é um acordo feito por um grupo de pessoas que decidem aceitar algo padronizado que serve, ao menos, como meio de intercâmbio (Paiva Sobrinho e Cordoba Brenes, 2015).

Segundo essa definição, criptoativo ambiental é um tipo de dinheiro, pois um grupo de pessoas pode criá-lo para atender seus objetivos e também podem criar as regras para sua governança.

Se aceitássemos a definição proposta pelo banco central da Inglaterra, apresentada a seguir, o criptoativo ambiental não poderia ser considerado um tipo de dinheiro, pois ele não é criado a partir do endividamento de pessoas, empresas ou governos.

Segundo o banco central da Inglaterra dinheiro é um tipo de dívida e existem três tipos de dinheiro: efetivo, depósitos bancários e reservas do banco central (BOE 2014). Aceitar essa definição seria o mesmo que aceitar que um grupo de empresas que vendem banana definisse fruta da seguinte maneira: fruta é um tipo de banana, existem três tipos de frutas: banana nanica, banana maçã e banana da terra. Se essa definição equivocada fosse aceita pela população, os negócios dos bananicultores seria muito beneficiado, pois, melancia, uva, pêssego, graviola, guavira, não seriam consideradas frutas.

O dinheiro convencional, reais, dólares, euros, ou outros que representam a moeda oficial de diferentes nações, todos eles são criados pelos bancos centrais e bancos comerciais quando, na maior parte das vezes, alguém se endivida. Esse dinheiro é conhecido como fiat money.

Talvez você esteja se perguntando porque estamos falando sobre esse tema e o que isso tem a ver com os criptoativos ambientais. A resposta é simples. A maneira como um tipo de dinheiro é criado pode criar problemas, tanto ambientais como sociais.

Vários pesquisadores mostram que a criação do fiat money tem sido responsável pela geração de problemas ambientais globais neste planeta (Lietaer et al, 2012; Paiva Sobrinho e Cordoba Brenes, 2017). Esse é um fato desconhecido pela maioria das pessoas, principalmente, as que se importam com a conservação ambiental e aquelas que compartilham da ideia de que é possível preservar os ecossistemas e ao mesmo tempo gerar benefícios monetários àqueles que conservam tais ativos que, ao final, beneficiam toda a sociedade.

Conhecer tal fato importa para entender a importância do criptoativo ambiental que é criado sem a necessidade de alguém se endividar e que a sua criação e gestão pode ser feita por pessoas que tenham interesse em conservar a natureza e gerar benefícios monetários e não monetários a partir da conservação.

Agora que você entende o que é um criptoativo ambiental, que tal conhecer um sistema de criptoativos ambientais criado para construir um legado ambiental à humanidade e que você também pode contribuir e beneficiar suas finanças. Conheça e participe do Sistema Natus.

O Sistema Natus de criptoativos ambientais é uma iniciativa inovadora que une empreendedores, proprietários de Reservas Ambientais Privadas (PPAs) e pessoas usando o melhor da tecnologia blockchain para fortalecer a rede mundial de PPAs.

Participe na construção do legado ambiental

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Bibliografia citada no texto

BOE (BANK OF ENGLAND). Money in the modern economy: an introduction. Quarterly Bulletin, Q, 2014. Disponível em: https://www.bankofengland.co.uk/quarterly-bulletin/2014/q1/money-in-the-modern-economy-an-introduction. Acesso em: 12/05/2019.

LIETAER, B.; ARNSPERGER, C.; GOERNER, S.; BRUNNHUBER, S. Money and sustainability: the missing link. Club of Rome report, 2012.

PAIVA SOBRINHO, R.; CORDOBA BRENES, K.V. 2015. New money for sustainability. Download https://payhip.com/b/dtFf

PAIVA SOBRINHO, R.; CORDOBA BRENE, K.V. 2017. Dollar standard and the Anthropocene post-acceleration: an unseen relationship. Acesso 12/05/2019 https://medium.com/sustainability-school-blog/dollar-standard-and-the-anthropocene-post-acceleration-an-unseen-relationship-c1dc9abf912a

PAIVA SOBRINHO, R.; GARCIA, J.R.; MAIA, A.G.; ROMEIRO, A.R. 2019. Tecnologia blockchain: inovação em pagamentos por serviços ambientais. Estudos Avançados, 33(95): 151–175. Acessado 12/05/2019, http://www.scielo.br/pdf/ea/v33n95/0103-4014-ea-33-95-00151.pdf

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Ranulfo Paiva Sobrinho

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Autor | Investigador | Emprendedor | Dinero y Sostenibilidad | Co Fundador de Sustainability School

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