Afasia

Rosa Barbosa
Feb 3, 2019 · 2 min read

Andamos com pressa, falamos apressados. Lemos várias notícias por dia, às vezes, várias ao mesmo tempo. Ouvimo-las na rádio e/ou vemo-las na televisão ou na internet. Enquanto isso, damos um recado a alguém ou recebemo-lo. Interrompemos uma conversa banal para falar de um assunto sério que, de repente, nos surge em pensamento: “já me ia esquecer…”.

Comunicar utilizando a linguagem ou, por outras palavras, os códigos que fomos guardando ao longo de toda a nossa vida, tem tanto de natural e de inato, como de complexo. A verdade é que a aquisição e desenvolvimento da linguagem, normalmente, ocorre de forma aparentemente simples à medida que qualquer criança se desenvolve e se torna um adulto.

Independentemente de todas essas aquisições, qualquer pessoa pode adquirir uma Afasia. A Afasia é perturbação adquirida da linguagem, em consequência de uma lesão cerebral, como Acidente Vascular Cerebral (AVC), Traumatismo Cranioencefálico (TCE), tumor, demência ou infeção cerebral (ASHA, 2019). Segundo Ortiz (2005), quando ocorre uma lesão no Sistema Nervoso Central existe a possibilidade de se verificar uma série de alterações da fala e da linguagem. Quando existe afasia, a lesão ocorreu no hemisfério esquerdo, especificamente nas áreas cerebrais responsáveis pela linguagem, compreensiva e/ou expressiva. O hemisfério cerebral esquerdo é o hemisfério dominante para a função da linguagem em 96% dos destros e em cerca de 76% dos canhotos (Ferro & Pimentel, 2006).

A causa mais comum da afasia é o AVC (Hallowell & Chapey, 2008). Segundo dados partilhados pelo Instituto Português da Afasia, a cada hora, três portugueses sofrem um AVC, estimando-se que todos os anos surjam 8000 casos novos de Afasia em Portugal, embora não existam dados estatísticos oficiais quanto a esta perturbação.

Uma pessoa com afasia pode apresentar dificuldades na expressão verbal oral (fala), na compreensão auditiva e na leitura/escrita, em diferentes graus de severidade (Goodglass, 1993; Hallowell & Chapey, 2008). Portanto, a pessoa com Afasia vê comprometida a sua eficácia comunicativa e, assim, qualquer atividade ou função que dependa de comunicação. Numa perspetiva social, a afasia não condiciona apenas a pessoa que a possui. Se é uma perturbação que interfere com o processo comunicativo (o qual depende de mais do que um interlocutor), quando uma mensagem ou uma intenção não é transmitida de forma funcional, todos os intervenientes daquele momento comunicativo perdem.

Um estudo realizado por Patrício (veja aqui), com população portuguesa, concluiu que as pessoas com Afasia e os seus cuidadores acusaram menor satisfação com a sua qualidade de vida e relações sociais.

A terapia da fala e a reabilitação cognitiva são abordagens adequadas à melhoria dos quadros afásicos, pelo que uma avaliação e intervenção atempada da afasia estão associadas a melhor prognóstico.

NeuroGime

Clínica de Neurorreabilitação

Rosa Barbosa

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Terapeuta da Fala

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