Alterações Comportamentais em Crianças com Perturbações Auditivas

Maria Inês Loio
NeuroGime
Published in
3 min readOct 25, 2019

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Dos cinco sentidos do ser humano, a audição talvez seja aquele que está mais envolvido no desenvolvimento linguístico e cognitivo.

É pela perceção do som que desenvolvemos a comunicação. Comunicação essa que, por sua vez, favorece o enriquecimento de vários níveis cognitivos através do diálogo estabelecido entre os indivíduos. É por esta mesma razão que crianças com perturbações auditivas estão em risco de ter mais dificuldades emocionais e comportamentais.

De que forma é que estes problemas surgem?

Considerando que a audição é a principal via pela qual ocorre o processo de aquisição e desenvolvimento da fala da linguagem, torna-se fundamental que as habilidades auditivas se desenvolvam satisfatoriamente.

É então necessário que a criança detete o som, o discrimine, o reconheça, localize a fonte sonora e compreenda a informação. Não basta então ter a sensação de som no ouvido, é preciso entender o que ouvimos. Se o cérebro for incapaz de processar corretamente o que foi dito ou se houver algum problema na transmissão do som, a mensagem é perdida ou mal entendida, conduzindo a dificuldades nos mais variados níveis:

  • Funções cognitivas
  • Comunicação oral
  • Compreensão da linguagem
  • Qualidade de vida
  • Leitura e escrita
  • Desempenho escolar
  • Adaptação social

Manifestações auditivas da perturbação auditiva:

  • A criança procura pistas visuais na pessoa com quem está a falar
  • Tem dificuldade em seguir regras
  • Demora mais tempo que o esperado a responder a ordens
  • Sente dificuldade em entender conversas em ambientes ruidosos
  • Tem pouca atenção auditiva
  • Pede com muita frequência para repetir o discurso ou expressões-chave
  • Usa expressões como “o quê?”, “hãn?”, “o que é que disseste?”, “como?”

Em relação ao comportamento social, estas crianças distraem-se com mais facilidade, são mais ansiosas, impacientes, agitadas e desorganizadas. São crianças que têm tendência a isolar-se por se sentirem frustradas com as falhas, tanto na escola como em casa.

Há uma forte associação entre as perturbações auditivas e o fraco desempenho escolar. Justifica-se pelo facto de que, diante de uma dificuldade na capacidade de perceber e discriminar os sons, as crianças podem ser prejudicadas no seu ambiente de aprendizagem.

Em sala de aula esta dificuldade é observada através de:

  • Atrasos em tarefas cronometradas
  • Dificuldades de concentração
  • Necessidade de repetição da informação
  • Troca de sons
  • Dificuldade em memorizar

Desta forma, o comportamento auditivo de uma criança em sala de aula pode conduzir a uma maior dificuldade na interação entre o professor e o aluno, o que, por consequência, afeta o desempenho académico.

As perturbações auditivas são então muito mais do que um problema físico e têm um impacto negativo na qualidade de vida da criança, causando preocupação no seio familiar.

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