De volta à “normalidade”…e agora?

Joana Pereira
May 12 · 4 min read

A pandemia que vivenciamos obriga-nos a reestruturar a nossa forma de pensar e de agir até nas coisas mais simples do nosso quotidiano…trata-se de uma aprendizagem constante e muitas vezes desgastante. Atividades que outrora eram automatizadas e irrefletidas — como ir às compras ou entrar em casa — passam a ter que ser meticulosamente planeadas.

Escrevo-vos hoje, no Dia Internacional do Enfermeiro, com o objetivo de afirmar o mandato social da minha profissão: CUIDAR e promover a adaptação nesta enorme transição que estamos a vivenciar, por via da capacitação e empoderamento da tomada decisão consciente e responsável.

Image for post
Image for post

O retorno à socialização da comunidade — condição fundamental ao bem-estar do ser humano — só poderá acontecer através de mudanças a nível individual: a incorporação de conhecimentos sólidos de controlo de infeção e a alteração de comportamentos!

Hoje, não abordarei formas de contágio da COVID-19, a forma como nos devemos comportar se estivermos infetados, nem dos cuidados gerais a ter na prevenção da infeção de uma forma pormenorizada …continuo a estar totalmente disponível em caso de dúvidas…no entanto, perante tamanha oferta de informação a esse nível, opto por dar algumas dicas práticas para que percamos o medo, para que recuperemos a nossa vida de forma responsável, minimizando o risco de contágio.

Como enfermeira especialista em enfermagem de reabilitação não posso deixar também de partilhar a angústia que sinto face às sequelas irrecuperáveis que as pessoas que necessitam dos cuidados de enfermagem de reabilitação vivenciarão caso não retomem os seus planos de reabilitação rapidamente. Pessoas com alterações da função motora, neurológica ou respiratória, seja por doenças crónicas incapacitantes ou perda da função inerente ao envelhecimento, não devem ser privadas dos cuidados que darão vida aos seus anos! Dos cuidados que farão a diferença perante sua autonomia face às atividades de vida diárias. Para tal, basta que o enfermeiro de reabilitação, na prestação dos seus cuidados, adote medidas preventivas de contágio redobradas e que utilize os equipamentos de proteção individual adequados. A pandemia não pode ser motivo para negligenciar todas as pessoas com outras doenças que não a COVID-19.

Dicas práticas para o desconfinamento:

Tudo se resume a 3 pilares — mãos, proteção da boca/nariz e distância física!

  • Higienização das mãos: o segredo está nas mãos! Uma correta e frequente higienização das mãos minimiza o risco de contágio. A utilização de luvas pode ser o nosso maior inimigo — conferindo-nos a falsa sensação de proteção, reduz substancialmente a frequência com que higienizamos as mãos — poderemos estar a tocar em superfícies contaminadas e posteriormente na nossa cara ou em bens pessoais que levaremos para casa! Desta forma, aconselho que tenhamos sempre um pequeno recipiente de desinfetante de mãos no bolso (já que a acessibilidade a água e sabão é inconcebível sempre que tocamos num puxador ou outra superfície) e que façamos uma higienização das mãos, sempre que alguma superfície seja tocada. Outra dica prática pode passar pela utilização de uma caneta para usar o multibanco, chamar o elevador ou premir qualquer botão que precisarmos — a caneta tal como as mãos tem que ser higienizada sempre que for utilizada.
  • Utilização de máscara: durante muito tempo será a nossa melhor amiga — pelo menos até termos uma vacina para a COVID-19. A melhor analogia para esta nossa nova melhor amiga é que deve ser encarada como a nossa roupa interior: necessária, pessoal e intransmissível, não deve ser reutilizada sem lavar (no caso nas máscaras com homologação que permitam lavagens) e não deve ser retirada em público. De resto já todos sabemos: antes de a colocar e a retirar é obrigatório higienizar as mãos, a colocação e remoção faz-se pelos elásticos e sem tocar na parte exterior, a zona contaminada da máscara (parte exterior) nunca deve ser manipulada após a sua colocação. Máscaras que não tapem o nariz e não estejam bem ajustadas até ao queixo não estão a desempenhar a sua função. Se eu uso máscara e protejo o próximo, tenho também o direito de ser protegido…portanto reivindiquemos esse direito no nosso quotidiano sensibilizando os que nos rodeiam.
  • Distanciamento físico: será inevitável enquanto aguardamos a tão esperada vacina. Só com a conjugação destes 3 pilares é que estamos a reduzir efetivamente o risco de contágio. Poderemos voltar a estar com os nossos pais, avós e familiares pertencentes a grupos de risco, com distanciamento físico conjugado com utilização de máscara. Quem circula pode ser um infetado assintomático! Assim, é muito cedo para que nos voltemos a abraçar e que para que partilhemos momentos de refeição com pessoas com quem não coabitamos, ainda que sejam familiares próximos.
Image for post
Image for post

Juntos seremos mais fortes! E apenas juntos conseguiremos ultrapassar este momento de crise. Protejam-se e protejam todos aqueles com quem se cruzam na rua…só assim estarão a proteger os vossos entes queridos mais frágeis.

NeuroGime

Clínica de Neurorreabilitação

Medium is an open platform where 170 million readers come to find insightful and dynamic thinking. Here, expert and undiscovered voices alike dive into the heart of any topic and bring new ideas to the surface. Learn more

Follow the writers, publications, and topics that matter to you, and you’ll see them on your homepage and in your inbox. Explore

If you have a story to tell, knowledge to share, or a perspective to offer — welcome home. It’s easy and free to post your thinking on any topic. Write on Medium

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store