13 de novembro de 2015

O dia 13 de novembro é o segundo momento de choque no mundo, na França e em Paris no ano. O atentado de 7 de janeiro contra o semanário satírico Charlie Hebdo foi apenas um primeiro passo da infiltração de jihadistas no centro da Europa. Hoje, novamente a capital francesa sofre um ataque com mais de quatro focos pela cidade (dentre eles os arredores do Stade de France, onde acontecia o amistoso entre Alemanha e França, e a casa de shows Bataclan) deixou mais de 140 mortos.

Momento de explosão nos arredores do Stade de France. A torcida não entende a explosão e comemora como se fossem fogos de artifício.

[ATUALIZADO as 16h16] O Estado Islâmico assume a autoria do atentado e esclarece para o mundo suas intenções e causas. O grupo terrorista aponta para uma preparação cuidadosa para o acontecido e aponta para a idolatria e perversidade como motivações principais. Por fim, alegam que não passa do início de uma fase do terror na Europa e principalmente na França.

“Oito irmãos com explosivos na cintura e fuzis fizeram vítimas em lugares escolhidos previamente e que foram escolhidos minunciosamente no coração de Paris, no estádio da França [Stade de France], na hora do jogo dos dois países França e Alemanha, que eram assistidos pelo imbecil François Hollande, o Bataclan onde se estavam reunidos centenas de idolatras em uma festa de perversidade assim como outros alvos no 10º arrondissement e isso tudo simultaneamente. Paris tremou sob seus pés e as ruas se tornaram estreitas para eles. O resultado é de no mínimo 200 mortos e muitos mais feridos. A gloria e mérito pertencem a Alá”, diz o comunicado.

As declarações em contas do Twitter ligadas ao EI refutam a ideia de ter sido algo preparado justamente como represália à morte do importante nome de Raqqa (cidade síria, capital do “califado”) Jihadi John. As motivações estariam apoiados em um contexto maior de insultos à religião e ao profeta Maomé.

É importante, contudo, deixar explícito que o terror ocorrido em Paris não é obra da comunidade islâmica, é obra de um grupo terrorista disseminador do ódio (característica que não encaixa nos preceitos muçulmanos). O Grupo Daesh (como é mais bem identificado no oriente) segue uma vertente extremista — que muitas vezes é até colocada como fora do Islã — denominada wahhabismo que prega ortodoxamente o monoteísmo e julga como apóstatas até os muçulmanos que não se identificam com essa ideologia.

Os reflexos imediatos foram nefastos; este foi o maior atentado (em número de mortos) desde 2006 — quando terroristas se explodiram a mataram mais de 200 pessoas em Bagdá — e o maior na Europa desde 2004 — atentado em uma escola em Beslan, Rússia. Além dos infelizes resultados de hoje, há de se pensar, contudo, nos reflexos posteriores à essas ações.

O presidente da França, François Hollande, já ordenou o fechamento de fronteiras, o que pode intensificar o sofrimento na crise de refugiados. Além disso, pode-se prever um aumento em índices de xenofobia no país, como demonstrou no início do ano. Esse é o cenário perfeito para que partidos de extrema-direita, como a Frente Nacional (FN) de Marine Le Pen, possam emergir.

Bom reforçar, acima de tudo, que não é um ataque muçulmano ou de caráter oriental. São movimentos contra tudo o que defende o lema da Revolução Francesa (liberdade, igualdade e fraternidade) que usam de um falso caráter religioso distante do que o islamismo prega. Infelizmente, o extremismo (político) não vê isso e encara como uma invasão justificável para pregação de ódio e um sentimento anti-islâmico.

É um horror, desastre, cenário de guerra dentro da França, por ontem e todo o sofrimento repetido após o atentado ao Charlie Hebdo, por hoje e todas as vítimas no Bataclan, no Stade de France, no restaurante Petit Cambodge e à estação Gare du Nord; e por amanhã e todos os reflexos nos refugiados (principalmente muçulmanos) e na guerra intensificada no Oriente Médio.

Condolências da presidente Dilma